31/03/2026
Uma planta recém-nascida, às vezes, precisa ser amarrada a uma estaca para crescer reta.
No início, isso é cuidado. É proteção. É recurso.
Com o tempo, ela se enrola tanto na estaca que passa a acreditar que não consegue ficar de pé sozinha.
E se essa estaca é retirada de forma brusca, a planta tomba.
Isso não significa fraqueza.
Significa sobrevivência.
A planta usou os recursos que tinha, muitas vezes, os únicos que a vida ofereceu naquele momento.
Mas aquilo que ajuda no começo nem sempre faz sentido mais adiante.
E está tudo bem perceber isso.
À medida que o caule se fortalece, a estaca vai se tornando obsoleta.
Não por rejeição, mas por amadurecimento.
Esse é um processo natural da vida.
Quando ouvi essa metáfora hoje, pensei em tantas mulheres que já acompanhei em processos de dependência emocional.
Algumas se culpam por terem permanecido presas a relações tão dolorosas.
Eu prefiro olhar diferente.
Eu valorizo o momento em que elas conseguem enxergar que a estaca já não é mais necessária, porque o caule, agora, está forte o suficiente.
Talvez o maior sinal de cura não seja soltar a estaca,
mas confiar na força que foi construída enquanto ela esteve ali.