Psicóloga Gabriela Coelho

Psicóloga Gabriela Coelho Psicóloga estudante na área da psicanálise.

Você chega na sessão e começa a falar sem saber exatamente onde vai chegar.E, no meio da fala, algo aparece:Uma palavra ...
29/03/2026

Você chega na sessão e começa a falar sem saber exatamente onde vai chegar.
E, no meio da fala, algo aparece:
Uma palavra que escapa.
Uma frase que se impõe.
Um detalhe que não estava previsto.
Às vezes, algo que parecia já resolvido.
Outras, algo que você nem sabia que pensava, ou que ainda estava ali.

E, na escuta de um analista, isso pode ser demarcado.
Há algo que se diz ali para além do que você pretendia dizer.
Falar não é apenas expressar um pensamento já pronto.
Na fala, algo se produz, algo escapa - e eu diria que é ali que temos notícias sobre você.

E, quando alguém escuta desse lugar e demarca, isso pode fazer você escutar o que está dizendo. E se autorizar a olhar para isso!
Nem tudo se sabe antes.
Então, há coisas das quais só se tem notícias quando se fala, e quando essa fala encontra uma escuta.

Você já disse algo e depois se perguntou: “por que eu falei isso?”Uma frase que escapa.Um comentário que sai atravessado...
24/03/2026

Você já disse algo e depois se perguntou: “por que eu falei isso?”

Uma frase que escapa.
Um comentário que sai atravessado.
Algo que, depois, não parece ter sido exatamente o que você quis dizer.

Ou então, algo que se repete:
Um jeito de responder.
Uma posição que volta.
Mesmo quando você já percebe, e ainda assim, acontece de novo.

Não cessa só porque você percebe.
Há algo que insiste naquilo que se diz.
E que não começa em você.
Há algo na linguagem
que nos atravessa antes mesmo de sabermos: a gente entra numa linguagem que já estava aí.
Nomes, sentidos, formas de dizer…
E algo disso nos marca, algo disso nos atravessa, e segue operando, mesmo quando não sabemos.

Na psicanálise, há um ponto importante: a gente não é totalmente dono do que diz.
Portanto, nem tudo o que se diz
é tão consciente assim, algo escapa.

E o que escapa não pede explicação imediata. Pede escuta.
Não para fechar um sentido,
mas para sustentar uma pergunta.

Porque, no fundo, não se trata só do que você quis dizer.
Mas do que, ali disse de você.

Uma temática que aparece muito aqui na clínica:a tentativa de deixar tudo em ordem.A gente planeja, antecipa, constrói c...
17/03/2026

Uma temática que aparece muito aqui na clínica:
a tentativa de deixar tudo em ordem.

A gente planeja, antecipa, constrói caminhos. Vai organizando a vida como pode. E isso é importante, sustenta muita coisa.

Mas existem dimensões da vida que não se organizam assim: há encontros, escolhas de outros, situações (algumas delas duras) que nos escapam, da ordem do inesperado.

Não dá para viver como se tudo pudesse ser previsto. E, ao mesmo tempo, não dá para ignorar que há uma realidade que (é só olhar ao nosso redor com mais atenção) por vezes pesa.

Talvez o impasse esteja aí:
entre querer garantir tudo
e se dar conta de que isso não é possível.

Viver não é estar pronto para o que vem.
Até porque não se está pronto para aquilo que ainda não existe.

E também não se trata de viver à espera do pior, nem em função do que pode dar errado.

Mas, ainda assim, as situações (quando acontecem) pedem uma posição.

E talvez seja disso que se trate a vida:
não de prever, mas de sustentar que, diante do que vier, de algum lugar, algo de nós terá que se posicionar.

Mesmo sem (hoje) saber como.

Feliz dia!Que possamos respeitar a maneira que cada uma encontra para existir.
08/03/2026

Feliz dia!

Que possamos respeitar a maneira que cada uma encontra para existir.

Supereu, eita nome bonito esse né? Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolv...
28/02/2026

Supereu, eita nome bonito esse né?

Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolve tudo. Pois bem, por aqui esse tal de supereu tem o poder de apagar o eu, ele coloca o sujeito no lugar de um objeto. É uma instância que se alimenta da dor, da dependência. Nesse lugar não existe palavra. O sujeito f**a preso num engessamento imaginário, onde se agarra a um único ideal (ele constrói um ideal de vida, por exemplo, e faz de tudo para manter aquele império) e, seja para manter isso no lugar ou ao se deparar com algo diferente daquilo que idealizou, ele se torna aquele que se sacrif**a, que se pune, que f**a preso ao sofrimento: ou eu sou isso ou não sou nada… se não é assim então sofre…

Aí entra a importância da palavra na análise para desconstruir esse império imaginário e construir outra coisa. Sem fala não há construção, sem fala não há escuta, sem fala não há movimento. Sem fala não há castração, só há um supereu que impera ordenando ao sujeito: sofra, se sacrifique, você deve sofrer!
Quando se torna palavra o sujeito pode sair desse lugar do supereu no gozo mortífero e ir em direção ao desejo. Por isso uma análise promove a queda dos ideais, para construir outros onde não seja mais preciso passar a vida morrendo por aquilo!

20/02/2026

Vamos falar sobre o seu medo de "f**ar em silêncio" durante a sua análise?

Supereu, eita nome bonito esse né? Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolv...
19/02/2026

Supereu, eita nome bonito esse né? Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolve tudo. Pois bem, por aqui esse tal de supereu tem o poder de apagar o eu, ele coloca o sujeito no lugar de um objeto. É uma instância que se alimenta da dor, da dependência. Nesse lugar não existe palavra. O sujeito f**a preso num engessamento imaginário, onde se agarra a um único ideal (ele constrói um ideal de vida, por exemplo, e faz de tudo para manter aquele império) e, seja para manter isso no lugar ou ao se deparar com algo diferente daquilo que idealizou, ele se torna aquele que se sacrif**a, que se pune, que f**a preso ao sofrimento: ou eu sou isso ou não sou nada… se não é assim então sofre…

Aí entra a importância da palavra na análise para desconstruir esse império imaginário e construir outra coisa. Sem fala não há construção, sem fala não há escuta, sem fala não há movimento. Sem fala não há castração, só há um supereu que impera ordenando ao sujeito: sofra, se sacrifique, você deve sofrer!
Quando se torna palavra o sujeito pode sair desse lugar do supereu no gozo mortífero e ir em direção ao desejo. Por isso uma análise promove a queda dos ideais, para construir outros onde não seja mais preciso passar a vida morrendo por aquilo!

Supereu, eita nome bonito esse né? Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolv...
18/02/2026

Supereu, eita nome bonito esse né? Quem olha, acha que é um EU grandão, com um super de super herói, daqueles que resolve tudo. Pois bem, por aqui esse tal de supereu tem o poder de apagar o eu, ele coloca o sujeito no lugar de um objeto. É uma instância que se alimenta da dor, da dependência.

Nesse lugar não existe palavra. O sujeito f**a preso num engessamento imaginário, onde se agarra a um único ideal (ele constrói um ideal de vida, por exemplo, e faz de tudo para manter aquele império) e, seja para manter isso no lugar ou ao se deparar com algo diferente daquilo que idealizou, ele se torna aquele que se sacrif**a, que se pune, que f**a preso ao sofrimento: ou eu sou isso ou não sou nada… se não é assim então sofre…

Aí entra a importância da palavra na análise para desconstruir esse império imaginário e construir outra coisa. Sem fala não há construção, sem fala não há escuta, sem fala não há movimento. Sem fala não há castração, só há um supereu que impera ordenando ao sujeito: sofra, se sacrifique, você deve sofrer!

Quando se torna palavra o sujeito pode sair desse lugar do supereu no gozo mortífero e ir em direção ao desejo. Por isso uma análise promove a queda dos ideais, para construir outros onde não seja mais preciso passar a vida morrendo por aquilo!

Um passeio bem psicanalítico!
13/10/2024

Um passeio bem psicanalítico!

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