Psicóloga Gabriela Coelho

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Psicóloga Gabriela Coelho Psicóloga estudante na área da psicanálise.

Aproveitando a trend do “acho chique” para falar de algumas coisas que, para mim, têm muito valor quando aparecem em um ...
21/08/2026

Aproveitando a trend do “acho chique” para falar de algumas coisas que, para mim, têm muito valor quando aparecem em um processo de análise.

“Eu sou perfeccionista.”Quase sempre essa frase aparece como uma característica da personalidade. Às vezes, até como uma...
22/07/2026

“Eu sou perfeccionista.”
Quase sempre essa frase aparece como uma característica da personalidade. Às vezes, até como uma qualidade.
Mas será que o perfeccionismo está sempre a serviço de fazer algo melhor?

Na clínica, essa não costuma ser a primeira pergunta.
Porque, em alguns casos, o problema não é querer fazer bem. É não conseguir concluir:
Não conseguir mostrar.
Não conseguir entregar.
Quando é entregue, encontra o olhar do outro. Pode ser criticado. Pode decepcionar. Pode revelar que nunca será exatamente como foi imaginado.

Em certos casos, aquilo que chamamos de perfeccionismo não é apenas uma busca pela excelência. Mas também uma forma de adiar esse encontro.

Pense em alguém que tem uma ideia, pesquisa tudo sobre ela, planeja cada detalhe, mas nunca coloca em prática.
Ou em quem sonha em abrir um negócio, faz cursos, cria planos, estuda tudo… mas nunca começa.
Ou ainda em quem idealiza um relacionamento, deseja encontrá-lo, mas, quando surge a possibilidade de um encontro real, algo sempre parece impedir que isso aconteça.

Enquanto tudo permanece no plano da imaginação, ainda pode ser perfeito.
É o encontro com a realidade que mostra seus limites.
E é justamente nesse ponto que algo se revela.

Por isso, a pergunta deixa de ser:
“Como faço para deixar de ser perfeccionista?”

E passa a ser:
“Do que o perfeccionismo me protege?”

Porque, às vezes, o sofrimento está justamente na dificuldade de abrir mão daquilo que, enquanto permanecia idealizado, jamais poderia decepcionar.

Você se queixa de ser sempre a que cuida.Mas, quando tenta cuidar menos, sente culpa.Você se queixa de assumir tudo sozi...
14/06/2026

Você se queixa de ser sempre a que cuida.
Mas, quando tenta cuidar menos, sente culpa.

Você se queixa de assumir tudo sozinha(o).
Mas, quando divide responsabilidades, algo incomoda.

Você diz que gostaria de dizer mais “não”.
Mas, quando diz, f**a angustiada.

À primeira vista, isso parece contraditório.
Se esse lugar produz sofrimento, por que abandoná-lo também dói?

Esse é um ponto que nos interessa aqui.
Porque a culpa nem sempre é sinal de que você fez algo errado. Às vezes, ela aparece quando uma posição que organizava sua forma de estar nas relações começa a vacilar.

Afinal, aquele lugar não era apenas uma fonte de sofrimento.
Muitas vezes ele também oferecia uma forma de ser reconhecida, de se relacionar, de encontrar um lugar diante do outro.

Por isso, sair dele pode produzir estranhamento.
Como se algo que organizava a experiência deixasse de funcionar do mesmo modo.

É justamente aí que a questão se torna interessante.
Porque determinados lugares não são sustentados apenas pelo sofrimento que produzem. Há algo ali que também sustenta o sujeito.

E então vem a pergunta analítica:
por que sair desse lugar produz sofrimento?
O que faz com que ele tenha se tornado tão necessário?

Você sempre foi? A que resolve.A que cuida.A que aguenta.A que cede.A que não dá trabalho.Com o tempo, essas posições po...
04/06/2026

Você sempre foi?
A que resolve.
A que cuida.
A que aguenta.
A que cede.
A que não dá trabalho.

Com o tempo, essas posições podem parecer tão naturais que deixam de ser questionadas. Como se fossem traços da personalidade.
Mas será que sempre foram?
Quando Freud afirma que o indivíduo deve tornar-se um sujeito, ele está apontando para algo importante:
não basta nascer, crescer ou acumular experiências para que alguém ocupe uma posição subjetiva diante da própria vida.

A psicanálise parte da ideia de que entramos no mundo já atravessados pela linguagem, pelas expectativas e pelos desejos daqueles que vieram antes de nós.
Por isso, nem sempre aquilo que fazemos, escolhemos ou desejamos é tão próprio quanto imaginamos. Há momentos em que repetimos posições, relações e modos de sofrer sem sequer nos darmos conta disso.
São repetições e signif**antes que marcam uma história, lugares que muitas vezes passamos a ocupar sem perceber como nos identif**amos a eles.

É nesse ponto que a psicanálise se interessa menos por dizer ao sujeito quem ele é e mais por investigar como ele está implicado naquilo que vive. Não porque exista um eu pronto esperando para ser encontrado. Mas para que aquilo que parecia apenas natural possa ser interrogado. E para que algo do sujeito possa aparecer ali onde antes havia apenas repetição.

Você sempre foi? A que resolve.A que cuida.A que aguenta.A que cede.A que não dá trabalho.Com o tempo, essas posições po...
04/06/2026

Você sempre foi?
A que resolve.
A que cuida.
A que aguenta.
A que cede.
A que não dá trabalho.

Com o tempo, essas posições podem parecer tão naturais que deixam de ser questionadas. Como se fossem traços da personalidade.
Mas será que sempre foram?
Quando Freud afirma que o indivíduo deve tornar-se sujeito, ele está apontando para algo importante:
não basta nascer, crescer ou acumular experiências para que alguém ocupe uma posição subjetiva diante da própria vida.
A psicanálise parte da ideia de que entramos no mundo já atravessados pela linguagem, pelas expectativas e pelos desejos daqueles que vieram antes de nós.
Por isso, nem sempre aquilo que fazemos, escolhemos ou desejamos é tão próprio quanto imaginamos. Há momentos em que repetimos posições, relações e modos de sofrer sem sequer nos darmos conta disso.
São repetições e signif**antes que marcam uma história, lugares que muitas vezes passamos a ocupar sem perceber como nos identif**amos a eles.
É nesse ponto que a psicanálise se interessa menos por dizer ao sujeito quem ele é e mais por investigar como ele está implicado naquilo que vive.Não porque exista um eu pronto esperando para ser encontrado.Mas para que aquilo que parecia apenas natural possa ser interrogado. E para que algo do sujeito possa aparecer ali onde antes havia apenas repetição.

Você chega na sessão e começa a falar sem saber exatamente onde vai chegar.E, no meio da fala, algo aparece:Uma palavra ...
29/03/2026

Você chega na sessão e começa a falar sem saber exatamente onde vai chegar.
E, no meio da fala, algo aparece:
Uma palavra que escapa.
Uma frase que se impõe.
Um detalhe que não estava previsto.
Às vezes, algo que parecia já resolvido.
Outras, algo que você nem sabia que pensava, ou que ainda estava ali.

E, na escuta de um analista, isso pode ser demarcado.
Há algo que se diz ali para além do que você pretendia dizer.
Falar não é apenas expressar um pensamento já pronto.
Na fala, algo se produz, algo escapa - e eu diria que é ali que temos notícias sobre você.

E, quando alguém escuta desse lugar e demarca, isso pode fazer você escutar o que está dizendo. E se autorizar a olhar para isso!
Nem tudo se sabe antes.
Então, há coisas das quais só se tem notícias quando se fala, e quando essa fala encontra uma escuta.

Você já disse algo e depois se perguntou: “por que eu falei isso?”Uma frase que escapa.Um comentário que sai atravessado...
24/03/2026

Você já disse algo e depois se perguntou: “por que eu falei isso?”

Uma frase que escapa.
Um comentário que sai atravessado.
Algo que, depois, não parece ter sido exatamente o que você quis dizer.

Ou então, algo que se repete:
Um jeito de responder.
Uma posição que volta.
Mesmo quando você já percebe, e ainda assim, acontece de novo.

Não cessa só porque você percebe.
Há algo que insiste naquilo que se diz.
E que não começa em você.
Há algo na linguagem
que nos atravessa antes mesmo de sabermos: a gente entra numa linguagem que já estava aí.
Nomes, sentidos, formas de dizer…
E algo disso nos marca, algo disso nos atravessa, e segue operando, mesmo quando não sabemos.

Na psicanálise, há um ponto importante: a gente não é totalmente dono do que diz.
Portanto, nem tudo o que se diz
é tão consciente assim, algo escapa.

E o que escapa não pede explicação imediata. Pede escuta.
Não para fechar um sentido,
mas para sustentar uma pergunta.

Porque, no fundo, não se trata só do que você quis dizer.
Mas do que, ali disse de você.

Uma temática que aparece muito aqui na clínica:a tentativa de deixar tudo em ordem.A gente planeja, antecipa, constrói c...
17/03/2026

Uma temática que aparece muito aqui na clínica:
a tentativa de deixar tudo em ordem.

A gente planeja, antecipa, constrói caminhos. Vai organizando a vida como pode. E isso é importante, sustenta muita coisa.

Mas existem dimensões da vida que não se organizam assim: há encontros, escolhas de outros, situações (algumas delas duras) que nos escapam, da ordem do inesperado.

Não dá para viver como se tudo pudesse ser previsto. E, ao mesmo tempo, não dá para ignorar que há uma realidade que (é só olhar ao nosso redor com mais atenção) por vezes pesa.

Talvez o impasse esteja aí:
entre querer garantir tudo
e se dar conta de que isso não é possível.

Viver não é estar pronto para o que vem.
Até porque não se está pronto para aquilo que ainda não existe.

E também não se trata de viver à espera do pior, nem em função do que pode dar errado.

Mas, ainda assim, as situações (quando acontecem) pedem uma posição.

E talvez seja disso que se trate a vida:
não de prever, mas de sustentar que, diante do que vier, de algum lugar, algo de nós terá que se posicionar.

Mesmo sem (hoje) saber como.

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