27/03/2018
Trabalho: até que a doença ou a morte nos separe?
“Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. A velha frase do filósofo e pensador Confúcio deveria ser refletida cada dia por todos nós.
A palavra trabalho vem do latim “tripalium”, que signif**a castigo. Era, na verdade, uma espécie de estaca que era fincada no chão para servir de tronco para o castigo dos escravos na Idade Média. A etimologia da palavra até que é bem pertinente, pois muitas pessoas consideram o trabalho uma verdadeira tortura diária.
Confúcio inicia a frase com a palavra “escolha”. Fazemos escolhas da vida e do estilo de vida que queremos, e isto tem tudo a ver com o trabalho.
Hipócrates, considerado o “pai da medicina”, coloca como um dos pilares da avaliação da saúde que ele adotou, avaliar qual era o trabalho da pessoa e qual a qualidade de vida dentro deste trabalho.
Construimos uma forma de trabalhar que é o padrão da cultura. Trabalhamos dentro das “caixinhas” (a caixinha-elevador, a caixinha-restaurante, a caixinha-escritório, a caixinha-apartamento, a caixinha-carro, a caixinha-academia e outras infinidades de caixinhas). Nossos pés não tocam a rua, o mundo está com deficiência de vitamina D, pois usamos óculos de sol, quando nem sequer temos tempo suficiente para sentir o calor do sol.
O trabalho exige um ritmo desenfreado, independente de como você se sente. Seu filho pode estar doente, você pode ter febre ou cólica, pode ter tido uma perda importante. Não importa, pelo menos não para o sistema corpo-máquina, sistema este que vem desta estrutura industrial que não respeita o ser humano, o “Ser”. E isto agrava o processo de geração de doenças.
É preciso algum tempo para regenerar a saúde, e isto é feito de forma muito superficial e artificial.
Estar Do-“ente” (interno), é estar com este “ente” interno carente de atenção. É quando se faz necessário voltar-se para si, “estar” com este ente interno, ouvir e perceber o que está acontecendo de errado à sua volta, para que possa fazer mudanças e restabelecer a saúde.
Porém, o que geralmente fazemos é entrar num embate com as doenças, não acolhemos o nosso do-ente, não temos tempo para ouví-lo.
As doenças, principalmente as mais graves são oportunidades incríveis que o sujeito tem para valorizar a vida. Nada como o medo da perda para valorizar o que se tem. Nada como o medo de perder a vida para repensá-la.
É preciso rever os hábitos, a vida estressada, o comer na rua, a qualidade das relações no trabalho, o ser máquina.
Se pararmos para prestar atenção, daremos conta de que alguns, (com destaque à esta nova geração), são rápidos, inteligentes, perspicazes, e conseguem criar uma estratégia para mudar sua vida. Muitos deles nem entram no sistema da doença. Outros precisam adoecer, ter medo de perder a vida, para então fazer uma mudança. Outros ainda, percebem os que estão à sua volta, tendo AVC, infarto, e decidem repensar. E também existem aqueles que passam pelo processo de doença, não refletem, acham que estão fazendo tudo certo, e vão colher seus resultados e seus frutos nada satisfatórios.
O convite aqui é que você se observe, se avalie, dê atenção para o que está fazendo, meça seus valores e defina o que de fato é importante para você.
É preciso, em algum momento, criar uma estratégia, construir uma ponte para fora desta estrutura. O recurso para se tomar uma atitude pode ser a partir da sua saúde, ou da doença (sua ou do outro), ou da perda de alguém querido.
A maior parte do tempo da nossa vida passamos trabalhando. Se não for bom e saudável, é insano continuar fazendo a mesma coisa.
Voce está feliz na sua carreira? Está dando tudo certo? O seu ritmo de trabalho está relacionado com o ritmo que você precisa para cuidar da sua saúde, da sua alimentação, do seus valores primordiais?
Se não, pense numa forma de sair disso. Uma resposta vai surgir!
Você sente um chamado para mudar sua trajetória profissional? Não tenha medo de mudar. Não ignore esse chamado da vida pois a vida tem muito mais a oferecer do que tudo que você já recebeu até agora.
Trabalhe ajudando pessoas e vivendo o seu propósito de vida.
F**a o desejo de que a vida faça mais sentido, seja mais afinada com os seus valores. A vida pede essa conexão. Que você possa cada dia mais estar próximo daquilo que é o propósito do seu coração. E não trabalhe mais nem um dia sequer.... só viva, seja feliz e saudável.