Instituto Humano's

Instituto Humano's Cuidado para pacientes oncológicos, em processo de adoecimento, em Cuidados Paliativos, e perdas e lutos.

Estudos nas áreas citadas e em Espiritualidade no contexto do adoecimento e finitude.

05/07/2026

“Não são poucas as vezes que encontro esse tijolo em meu bolso.”

Existe uma crença de que o tempo cura todas as feridas. Mas o luto não é uma ferida que cicatriza a ponto de desaparecer.

O luto não cura, ele é não uma doença.

Talvez seja essa uma das maiores verdades sobre o luto: ele não passa, ele dorme.
Alguns dias, o “tijolo” parece leve. Em outros, basta um cheiro, uma música, uma data ou uma lembrança para ele acordar e senti-lo novamente em toda a sua intensidade.
Não porque voltamos ao início, mas porque o amor permanece.
O tempo não apaga a ausência, não desfaz o amor e não elimina a saudade. O que ele faz é nos transformar. Crescemos no luto. Aos poucos, aprendemos a acomodar essa dor, a abrir espaço para ela dentro da vida que continua.

No filme Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010) traduz, com uma delicadeza rara, uma explicação sobre a experiência difícil e muitas vezes insuportável de viver o luto.
A cena retrata esse caminho com uma honestidade comovente. Sem romantizar a dor e sem prometer uma cura que não existe. O filme nos lembra que seguir em frente não signif**a deixar para trás quem amamos.
Signif**a aprender a viver levando esse amor e, esse “tijolo” no bolso.

28/06/2026

A cena do filme “Cara de Um, Focinho de Outro”, em que a Mabel senta à beira do lago com sua avó, me toca profundamente.
Ela me lembra que, muitas vezes, as experiências mais transformadoras da minha vida aconteceram e acontecem em momentos de simplicidade e presença.

Sentar-me ao lado dos que amo, em silêncio, contemplando a vida, também é uma forma de aprender a pertencer a ela.

Quando me permito habitar o agora, percebo minha mente desacelerar, minhas emoções encontrarem espaço para respirar e, aos poucos, a vida voltar a acontecer dentro de mim.

Sempre me pergunto:

- Por que a pressa?

- Por que permito que as expectativas do outro ditem o ritmo da minha vida?

Tenho aprendido que a paz que tanto procuro talvez não esteja no próximo passo, mas na coragem de permanecer, por um instante, exatamente onde estou.

04/06/2026

“Não existem atalhos, nem na vida, nem no amor” … e tampouco para o luto.
Essa dor precisa ser sentida.
A alternativa seria pior.

Não há regras ou um jeito certo de vivê-lo. Aos poucos, a vida vai encontrando novos contornos diante da ausência, a mente reaprende a viver com o vazio e encontra formas de seguir com todo o afeto que permanece após a perda.
O amor não morre!

O luto não deve ser tratado como algo a ser superado. Ele não é um obstáculo, é a expressão do amor diante de um vínculo rompido, muitas vezes pela morte.

Acolha-se. O nosso mundo presumido foi desorganizado, corpo e mente impactado, e as emoções desreguladas.
O luto precisa ser compreendido como um processo humano, singular e inevitável.
Ele precisa ser vivido.
É importante permitir-se sentir a dor, reconhecer as emoções e atravessar esse caminho no tempo que cada um necessita.

Fugir dos sentimentos e das emoções que o luto apresenta pode dificultar o reconhecimento da profundidade do rompimento desse vínculo.
A dor faz parte do processo, mas, junto dela, também pode existir esperança.
E é nesse espaço delicado e vulnerável que muitas vezes, nós mesmos
aprendemos a seguir em frente.

Nessa cena da série Brothers & Sisters, f**a evidente que não existem atalhos para amar, perder e continuar vivendo. Porque, após uma grande perda, não existe mais o ‘normal’ de antes, existe a construção de uma nova forma de estar no mundo.



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Texto adaptado

15/05/2026

Na clínica com enlutados, escuto com frequência as falas:

“Eu deveria ter dito mais.”
“Deveria ter amado mais.”
“Beijado mais.”
“Falado mais vezes o quanto era importante.”

Mas o luto tem essa crueldade silenciosa:
ele nos faz acreditar que o amor só teria valor se tivesse sido perfeito, constante, sem falhas ou distrações.

A verdade é que quase sempre amamos com os recursos emocionais que tínhamos naquele momento.
Entre cansaços, medos, rotinas, dores e limitações.
Ainda assim, amamos.

Depois que alguém parte, a mente revisita memórias tentando negociar com o impossível.
Como se mais uma palavra, mais um abraço ou mais um dia pudesse impedir a ausência.

Mas amor não se mede apenas pelo que foi dito.
Muitas vezes, ele esteve nos pequenos gestos, nas presenças silenciosas, nas tentativas imperfeitas de cuidar.

No processo de luto, é comum que o sistema de apego seja ativado de forma intensa, trazendo sentimentos de culpa, insuficiência e revisões constantes da relação vivida.

Quem ama quase sempre sente que ficou devendo algo.
E talvez essa seja uma das faces mais dolorosas do luto.

19/04/2026

Notas sobre o luto.

Dizem que a gente nunca esquece, é verdade. É real e doloroso.
“Véus” caem, e isso não nos permite a sermos como antes.
“O tempo para, enquanto o mundo continua girando”

Vídeo e voz(?)
Crédito @

27/03/2026

O luto precisa ser sentido para que possa
ser integrado.
Para que a dor, aos poucos, se transforme em saudade, o cérebro precisa atualizar seus registros internos sobre essa ausência.
E essa acomodação não acontece apenas com o tempo, ela acontece com a emoção vivida, e sentida.

Quando evitamos a dor, o organismo permanece orientado pela realidade antiga.
Mas quando nos permitimos sentir, mesmo que com medo ou resistência, a mente começa a reorganizar a experiência e reconhecer a nova condição da vida, mesmo que dolorosa e rasgante.

A dor, portanto, não é um obstáculo no processo do luto. Não é algo que podemos atravessar rapidamente.
Ela é um caminho de adaptação, de novas descobertas.
É através dela que o cérebro compreende que o vínculo não desapareceu,
ele apenas se transformou.

Vídeo na integra:
YouTube ❤️

12/03/2026

O luto, e o “nunca mais”.

Isso dói, e seguirá doendo em todos os momentos que nos depararmos com o “para sempre”, com as memórias que não serão mais construídas, memórias que serão apagadas, com os sonhos interrompidos e com as impossibilidades impostas pela ausência física.
No luto guardar e eternizar memórias se torna extremamente signif**ativo com o passar do tempo. Hoje, inclusive, alguns recursos disponíveis podem auxiliar nesse processo, oferecendo um pequeno conforto ao enlutado.
O quanto se perde com a morte é imensurável. E o medo contido nesse “nunca mais” pode ser devastador.

Por isso, todo o sofrimento e as emoções que emergem nesse processo precisam de cuidado, tempo e acolhimento.

Abraço
Fernanda Tesla 🌻


19/01/2026

Para todos que atravessam suas dores, seus abismos, suas sombras, e mesmo assim seguem, apesar de…
Eu vejo você! 🌻

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