05/07/2026
“Não são poucas as vezes que encontro esse tijolo em meu bolso.”
Existe uma crença de que o tempo cura todas as feridas. Mas o luto não é uma ferida que cicatriza a ponto de desaparecer.
O luto não cura, ele é não uma doença.
Talvez seja essa uma das maiores verdades sobre o luto: ele não passa, ele dorme.
Alguns dias, o “tijolo” parece leve. Em outros, basta um cheiro, uma música, uma data ou uma lembrança para ele acordar e senti-lo novamente em toda a sua intensidade.
Não porque voltamos ao início, mas porque o amor permanece.
O tempo não apaga a ausência, não desfaz o amor e não elimina a saudade. O que ele faz é nos transformar. Crescemos no luto. Aos poucos, aprendemos a acomodar essa dor, a abrir espaço para ela dentro da vida que continua.
No filme Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010) traduz, com uma delicadeza rara, uma explicação sobre a experiência difícil e muitas vezes insuportável de viver o luto.
A cena retrata esse caminho com uma honestidade comovente. Sem romantizar a dor e sem prometer uma cura que não existe. O filme nos lembra que seguir em frente não signif**a deixar para trás quem amamos.
Signif**a aprender a viver levando esse amor e, esse “tijolo” no bolso.