Dra. Polly Santos

Dra. Polly Santos Doutora em Psicologia

18/05/2026

E vamos nós pra parte 3 das coisas que parecem simples na ACT… mas é onde muita gente se perde! 🍃

Existe uma pressão silenciosa na clínica e às vezes ela não vem do paciente, mas do próprio terapeuta: a urgência pela melhora, pela resposta rápida, pela sensação de que “algo precisa acontecer”.

Na ACT, o foco é ampliar flexibilidade psicológica: a capacidade de entrar em contato com experiências difíceis e, ainda assim, construir uma vida alinhada aos próprios valores, mas isso raramente acontece na velocidade da nossa ansiedade enquanto terapeutas.

Nem toda sessão precisa ser marcante, às vezes a pressa por resultado nos afasta justamente daquilo que sustenta mudança duradoura: presença, processo e tempo.

Continua fazendo sentido por aí?
Me fala se vocês gostam desse tema, por favor...

Aliviar rapidamente a dor do cliente pode ser um erro na prática clinica, mesmo que seja parte do nosso trabalho. É impo...
15/05/2026

Aliviar rapidamente a dor do cliente pode ser um erro na prática clinica, mesmo que seja parte do nosso trabalho. É importante diferenciar o que é reduzir sofrimento e fortalecer flexibilidade psicológica.

👉 Flexibilidade psicológica é a capacidade de entrar em contato com pensamentos, emoções, experiências difíceis sem precisar organizar toda a vida em torno da evitação deles, e isso tem impacto direto na nossa postura clínica. Em muitos casos, o sofrimento não está apenas na tristeza, na ansiedade, na culpa ou no medo, mas no esforço contínuo para controlar, afastar ou eliminar essas experiências internas. Quando toda a energia do cliente é investida em não sentir, a vida começa a encolher.

A ACT não trabalha na lógica de “retirar” emoções difíceis da sessão, mas no desenvolvimento de repertórios que permitam ao cliente sustentar essas experiências com mais abertura, consciência e movimento em direção aos próprios valores (e isso vez ou outra também vai nos atravessar).

Sustentar uma sessão sem correr para resolver, tranquilizar ou reorganizar rapidamente a experiência do cliente exige presença, tolerância ao desconforto e flexibilidade do próprio clínico. Às vezes, o trabalho mais importante é ajudar o cliente a descobrir que ele pode entrar em contato com a dor sem deixar de viver. 🍃

13/05/2026

Já que vocês gostaram do último, trouxe mais uma prática simples mas que é um desafio para muitos psis: aliviar os desconfortos do seu paciente.

A dor pode ser território de mudança, e as vezes sustentar isso vai ser importante para o seu paciente.
Faz sentido?

Talvez eu esteja meio cansada de algumas ideias erradas sobre ACT que circulam por aí, principalmente entre colegas. E s...
06/05/2026

Talvez eu esteja meio cansada de algumas ideias erradas sobre ACT que circulam por aí, principalmente entre colegas. E sem polêmica tá?

Algumas delas eu até entendo de onde vieram, mas pra mim não faz sentido para um psicoterapeuta o pré-julgamento das coisas - principalmente das abordagens. Então hoje quis vir falar de modo claro e prático algumas verdades sobre a ACT.

👉 Aceitação não é passividade. É uma AÇÃO.
👉 Mindfulness não é estética.
👉 E não é sobre “parar de controlar tudo”, mas sobre entender quando o controle está funcionando… e quando está te afastando da vida que importa.

A ACT te convida a entrar em contato com as experiências da vida de forma mais aberta, mais consciente e mais comprometida. A ideia é até simples, mas a gente sabe que não é nada fácil de sustentar. Alias, tem um vídeo recente no meu perfil sobre isso. E já que é o momento "Polly indica", tem outro vídeo ainda mais recente com indicação de livros para quem quer conhecer mais da ACT, vale a pena também.

04/05/2026

Quer se aprofundar em ACT, mas não sabe por onde começar? 🍃

Separei 3 livros que eu gosto muito e que ajudam a entender melhor essa abordagem não só na teoria, mas também na forma de olhar para a prática clínica.

Se você já estuda ACT, aproveita pra compartilhar aqui também: qual livro fez diferença no seu caminho?
Vamos trocar indicações por aqui! 🙃

A prática em ACT se sustenta em uma integração:❤️ autenticidade e abertura🧠 reflexão e flexibilidade✨ presença no aqui/a...
30/04/2026

A prática em ACT se sustenta em uma integração:

❤️ autenticidade e abertura
🧠 reflexão e flexibilidade
✨ presença no aqui/agora

A gente costuma aprender a pensar a clínica em termos de “o que fazer”, mas a ACT propõe uma virada mais sutil e até mais exigente: ✨ como você está enquanto faz. ✨

Presença na ACT é se abrir de modo real para o que surge na sessão. E aí estamos falando do cliente, do que se fala, dos sentimentos e claro, de você dentro desta experiência.

É essa qualidade de presença que sustenta os processos, muito mais do que qualquer condução isolada.

29/04/2026

Uma prática simples mas que muitos psis se perdem: perceber o momento de desapegar da técnica. 😉

O conhecimento técnico é sempre fundamental, claro. Mas a conexão com o momento, entender o que será melhor para o seu cliente naquele momento que ele está vivendo faz muito mais sentido.

Concordam comigo?

Eu não vi o BBB (com que tempo, né? 😅) mas vi um trecho da entrevista da  e essa frase do post ficou comigo, porque conv...
24/04/2026

Eu não vi o BBB (com que tempo, né? 😅) mas vi um trecho da entrevista da e essa frase do post ficou comigo, porque conversa muito com o que vejo na clínica.

Especialmente entre mulheres, existe uma pressão constante para ser mais “palatável”, mais ajustada, mais fácil de lidar. Como se existir com autenticidade fosse sempre atravessar algum tipo de julgamento.

Na ACT, trabalhamos para ampliar a capacidade de sustentar escolhas alinhadas aos próprios valores mesmo quando elas não são bem recebidas. A nossa proposta é que você se questione 👉 “o que faz sentido pra mim sustentar, mesmo que isso tenha um custo?”

Isso não é fácil, mas te coloca num caminho que vai fazer mais sentido.

Agora, 5 milhões caindo na nossa conta por mérito da nossa autenticidade não faria mal né?

A história de Três é atravessada por perdas, silêncios, escolhas difíceis e pelo peso do que não foi dito — exatamente o...
18/04/2026

A história de Três é atravessada por perdas, silêncios, escolhas difíceis e pelo peso do que não foi dito — exatamente o tipo de terreno onde a ACT costuma trabalhar.

Um dos pontos mais evidentes é a relação com a dor. Em TRÊS, o sofrimento não aparece como algo a ser “resolvido” rapidamente, mas como parte constitutiva das relações e da própria identidade dos personagens. Isso dialoga diretamente com a noção de aceitação na ACT: a dor emocional não é um erro do sistema, mas um subproduto inevitável de amar, se vincular e se importar. Quando os personagens tentam evitar, esconder ou anestesiar essa dor, o que vemos é rigidez e afastamento da vida — uma ilustração literária clara da evitação experiencial.

O livro também oferece um retrato potente de fusão cognitiva. Muitos personagens ficam presos a narrativas sobre quem são, sobre o que “deveria ter sido” ou sobre culpas passadas, vivendo mais dentro dessas histórias do que no contato com o presente.
Ao alternar tempos e pontos de vista, convida o leitor a observar essas histórias como histórias — algo muito próximo do movimento de defusão, quando aprendemos a olhar para pensamentos e memórias sem sermos completamente governados por eles.
Outro eixo forte é o dos valores. Apesar de erros, silêncios e desencontros, o que sustenta os personagens ao longo do tempo não é a ausência de dor, mas a fidelidade (às vezes torta, às vezes falha) a valores como amizade, amor, lealdade e pertencimento. Em termos de ACT, TRÊS mostra que viver de acordo com valores não garante uma vida sem sofrimento, mas dá direção e sentido, mesmo quando as consequências são difíceis.

Por fim, o romance toca de maneira delicada na experiência do self como contexto. As pessoas mudam, envelhecem, erram, perdem, mas não se reduzem a um único evento ou versão de si mesmas. A narrativa amplia o olhar para além dos rótulos e das escolhas isoladas, lembrando que somos mais do que nossas histórias mais dolorosas.

Assim, TRÊS pode ser lido como uma metáfora da proposta da ACT: não eliminar a dor, mas abrir espaço para ela, enquanto se escolhe, repetidamente, viver uma vida que valha a pena ser vivida.

A ACT nos propõe uma mudança de lugar, deixar de ver o cliente como alguém a ser “tratado” e passar a encontrá-lo como a...
16/04/2026

A ACT nos propõe uma mudança de lugar, deixar de ver o cliente como alguém a ser “tratado” e passar a encontrá-lo como alguém inteiro em experiência, assim como você.

👉 Esse reconhecimento muda a postura, a escuta e o próprio processo terapêutico.

A ACT floresce nesse espaço: onde há abertura suficiente para que dois humanos estejam ali, de verdade.

Muita gente chega na ACT procurando técnicas, exercícios, protocolos, mas ao estudar a abordagem mais a fundo você perce...
08/04/2026

Muita gente chega na ACT procurando técnicas, exercícios, protocolos, mas ao estudar a abordagem mais a fundo você percebe que a ACT não está tanto no que o terapeuta faz, mas em como ele se posiciona na relação terapêutica.

A ACT exige presença, flexibilidade, abertura para a experiência e compromisso com valores, e isso não se constrói apenas estudando, mas das vivências. Por isso, é fundamental que o terapeuta desenvolva essas habilidades na própria vida, na forma como lida com seus pensamentos, suas emoções, seus limites e escolhas.

Porque, na prática, a ACT não se sustenta só na teoria, mas claro que a teoria também é fundamental.

Aqui no feed já dei algumas dicas de conteúdo para quem se interessa pela ACT, se quiserem posso trazer mais sugestões. O que acham?

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