02/10/2026
Existe um pacto silencioso e muito perigoso que muitas pessoas fazem em nome do amor: o acordo de amputar pedaços de si mesmas para caber no espaço que o outro disponibiliza.
Acreditamos, de forma equivocada, que amar exige sacrifício absoluto, silenciamento de opiniões e a anulação dos próprios projetos. Se o parceiro se incomoda com o seu brilho, com a sua independência ou com a sua voz, o movimento automático de quem tem medo de perder o vínculo é encolher-se até virar nada.
Na prática clínica, vejo o estrago que isso gera. Relações que exigem diminuição não são parcerias; são cativeiros emocionais disfarçados de afeto.
O amor maduro, sustentado pela Gestalt-Terapia e pela Visão Sistêmica, opera no caminho inverso: ele expande. Dois adultos inteiros caminham lado a lado justamente porque há espaço para que ambos sejam potências, sem que a luz de um represente a ameaça à existência do outro.
Se para ser amada você precisa deixar de ser quem é, você não está em uma relação; está em um processo lento de anulação.
Até quando você vai aceitar caber em caixas apertadas só para não correr o risco de ficar sozinha?
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Ana Paula de Oliveira
Psicóloga Clínica | CRP 04/35166