16/07/2026
Em Divertidamente 2, um dos conceitos mais importantes apresentados é o “Senso de Si”: a forma como Riley passa a enxergar quem ela é, e como isso molda seus comportamentos.
No começo, a Alegria tenta proteger Riley mantendo apenas lembranças e interpretações positivas sobre seus comportamentos. Mais tarde, quando a Ansiedade assume o controle, acontece o movimento oposto: cada erro ou dificuldade passam a ser colecionados como provas de que Riley “não é boa o suficiente”. Em ambos momentos, uma única emoção domina a narrativa e constrói uma visão rígida de quem ela é.
Na vida real, isso também acontece.
As crianças não nascem sabendo quem são. Elas começam construir essa autopercepção, pouco a pouco, pelas experiências que vivem e pelas histórias que escutam sobre si mesmas.
E a ciência do comportamento explica isso.
Na infância, o cérebro apresenta uma intensa neuroplasticidade, as conexões neurais estão em constante formação, reorganização e aprendizado. É um período em que a criança descobre o mundo e a si mesma. As vivências, reações e interações, especialmente com suas figuras de referência, tornam-se parte desse processo, funcionando como experiências que ajudam a construir a forma como ela interpreta a própria realidade, aumentando ou diminuindo a probabilidade de um comportamento se repetir novamente.
Quando tentamos proteger a criança de qualquer frustração ou contornamos todas as conversas sobre suas dificuldades para que ela nunca se sinta mal, limitamos uma aprendizagem importante: a de que é possível errar, sentir vergonha, raiva, medo ou tristeza e, ainda assim, continuar sendo digna de amor, respeito e pertencimento. E a partir desse vínculo, construir estratégias de resolução dos conflitos, incluindo correções e reparos.
Por outro lado, quando ela ouve rótulos que generalizam seus erros, ela não aprende apenas que determinado comportamento foi inadequado. Aos poucos, ela pode começar a organizar essas experiências como descrições de quem ela é, limitando suas ações à essa visão de si mesma.
Eu costumo dizer às crianças, que as emoções são como as ondas