Psicóloga Camila Samogim

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Psicóloga Camila Samogim • Encorajando famílias dos desafios da parentalidade real
• Atendimento Infanto-juvenil e orientação de pais
• CRP 06/165558
• Golden Office, Jundiaí-SP

16/07/2026

Em Divertidamente 2, um dos conceitos mais importantes apresentados é o “Senso de Si”: a forma como Riley passa a enxergar quem ela é, e como isso molda seus comportamentos.

No começo, a Alegria tenta proteger Riley mantendo apenas lembranças e interpretações positivas sobre seus comportamentos. Mais tarde, quando a Ansiedade assume o controle, acontece o movimento oposto: cada erro ou dificuldade passam a ser colecionados como provas de que Riley “não é boa o suficiente”. Em ambos momentos, uma única emoção domina a narrativa e constrói uma visão rígida de quem ela é.

Na vida real, isso também acontece.

As crianças não nascem sabendo quem são. Elas começam construir essa autopercepção, pouco a pouco, pelas experiências que vivem e pelas histórias que escutam sobre si mesmas.

E a ciência do comportamento explica isso.

Na infância, o cérebro apresenta uma intensa neuroplasticidade, as conexões neurais estão em constante formação, reorganização e aprendizado. É um período em que a criança descobre o mundo e a si mesma. As vivências, reações e interações, especialmente com suas figuras de referência, tornam-se parte desse processo, funcionando como experiências que ajudam a construir a forma como ela interpreta a própria realidade, aumentando ou diminuindo a probabilidade de um comportamento se repetir novamente.

Quando tentamos proteger a criança de qualquer frustração ou contornamos todas as conversas sobre suas dificuldades para que ela nunca se sinta mal, limitamos uma aprendizagem importante: a de que é possível errar, sentir vergonha, raiva, medo ou tristeza e, ainda assim, continuar sendo digna de amor, respeito e pertencimento. E a partir desse vínculo, construir estratégias de resolução dos conflitos, incluindo correções e reparos.

Por outro lado, quando ela ouve rótulos que generalizam seus erros, ela não aprende apenas que determinado comportamento foi inadequado. Aos poucos, ela pode começar a organizar essas experiências como descrições de quem ela é, limitando suas ações à essa visão de si mesma.

Eu costumo dizer às crianças, que as emoções são como as ondas

Há algumas semanas, um paciente trouxe essa reflexão extremamente pertinente. Terapia não existe para ensinar ninguém a ...
02/04/2026

Há algumas semanas, um paciente trouxe essa reflexão extremamente pertinente. Terapia não existe para ensinar ninguém a parecer “menos autista”, apesar desses conceitos se confundirem no senso comum. O objetivo da terapia é ajudar a pessoa a conhecer mais sobre si e, a partir daí, construir estratégias que façam sentido para as necessidades dela.

Funcionalidade é diferente de padronização! A identificação de dificuldades individuais que acarretam determinados sofrimentos, é parte essencial do processo de aceitação de si e construção de um repertório de habilidades adaptativas que contribuam para uma vida mais funcional em diversas áreas.

Só que na intervenção com pessoas autistas, esse discurso pode facilmente ser confundido com o que chamamos de “masking”. Às vezes a estereotipia não se torna uma queixa por acarretar prejuízo ao indivíduo em si, mas pela reação de estranhamento que o outro tem.
E é sobre isso que estou falando. Se a pessoa compreende que para ser aceita socialmente precisa esconder todos os traços autísticos, entra em um ciclo de exaustão intensa, que no fim das contas se torna menos sofrido manter-se em exclusão.

Então nesse dia 02 de Abril, conhecido como o dia mundial da conscientização do Autismo, eu quero falar sobre o básico: a aceitação dele, especialmente pelo olhar social. Pessoas neurodivergentes não precisam fazer terapia para “curar” nada, elas fazem terapia pelo mesmo motivo que qualquer outra pessoa neurotípica pode fazer: conhecer seu funcionamento e buscar estratégias para um repertório adaptativo. 💙

Você já precisou mudar uma planta para um vaso maior quando suas raízes crescem? Assim é a vida. A maternidade e paterni...
18/02/2026

Você já precisou mudar uma planta para um vaso maior quando suas raízes crescem?

Assim é a vida. A maternidade e paternidade são repletas de descobertas e adaptações.
A criança que antes precisava de colo, agora precisa de uma escuta ativa. A criança que antes precisava de ajuda para se vestir, agora define o próprio estilo de roupa. A criança que antes amava os aparelhos de trabalho dos pais, agora escolhe uma profissão diferente.

E assim o espaço vai se abrindo, para nascer um ser que agora é pensante. Mas não um espaço vazio, e sim de presença, diálogo e afeto.

Ah, a criança de 10 anos! A criança de 10 anos que já não faz mais palhaçadas espontâneas, que não se expõe em caretas s...
15/01/2026

Ah, a criança de 10 anos!

A criança de 10 anos que já não faz mais palhaçadas espontâneas, que não se expõe em caretas só para gerar riso. De quem começa se esperar tarefas reais, e não apenas “ajudas fofinhas”. A criança de 10 anos que passa a construir opiniões sobre assuntos que, talvez, nem façam parte dos interesses ou expectativas dos adultos. Aquela que começa a manifestar vontades próprias, o que já não provoca a mesma graça de antes – como quando tinha 3 anos e queria escolher uma roupa que não combinava.

A presença da criança de 10 anos nos eventos familiares já começa a ser diferente, talvez menos ativa e mais silenciosa. E são nesses momentos que, sem querer, ela pode se sentir desinteressante para você, e você para ela.

A transição para adolescência, quando vista pela perspectiva unilateral das perdas, pode ser dolorosa e frustrante. Mas é importante relembrar que a vida nos desperta constantemente emoções múltiplas que coexistem em uma mesma experiência! Perder os traços da infância pode gerar tristeza, saudades, mas também pode inspirar alegria sobre uma fase de amadurecimento que se inicia. E, apesar de contraditórias, essas duas percepções não se anulam.

O tempo de qualidade não precisa acabar, ele pode ser diferente. O vínculo não se perde, ele se transforma.

Talvez a conexão já não aconteça mais em rir das caretas ou brincar junto por horas, mas em demonstrar interesse genuíno em aprender mais sobre os novos gostos. Em elogiar e encorajar as habilidades que estão sendo descobertas. Talvez a conexão esteja nos diálogos sobre assuntos profundos, na escuta acolhedora do desabafo e na validação desses conflitos como problemas reais – apesar de parecerem simples para nós, adultos.

Talvez a conexão aconteça mais silenciosa. Na curiosidade de aprender sobre essa transformação. Na aceitação dessa versão como verdadeiramente nova, e não somente como resquícios que ficaram de uma infância que aos poucos se encerra.

Posso te dizer que um dos comportamentos campeões dos que mais aparecem no atendimento infantil é a frustração de perder...
03/07/2025

Posso te dizer que um dos comportamentos campeões dos que mais aparecem no atendimento infantil é a frustração de perder! Basta contar os pontos e perceber que não venceu o jogo, e aquele acumulado de raiva e tristeza invadem a nossa sessão.

De fato, ninguém gosta de perder.

O ser humano é condicionado às competições, desde o tempo pré-histórico, e perceber que a dedicação destinada a determinado objetivo teve como resposta um resultado inferior ao que se esperava, é entrar em contato com a própria vulnerabilidade da imperfeição.

E como é difícil se perceber incapaz.

Incapaz de mudar o resultado do jogo.
Incapaz de cessar a chuva em um dia de praia.
Incapaz de extinguir as regras que eu não concordo.
Incapaz de alterar a opinião do outro.
Incapaz de controlar os problemas para que desapareçam.
Incapaz de trazer de volta alguém que se foi.

Perder nos leva para nosso lugar de seres vulneráveis, incapazes de controlar as contingências da vida.

Então hoje eu te digo: talvez a gente nunca aprenda a perder. Mas acolher nossas emoções e aceitar que ocuparemos lugares indesejados às vezes, será um grande passo rumo à resiliência!

*E eu não estou falando só sobre as crianças😉

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