02/04/2026
Há algumas semanas, um paciente trouxe essa reflexão extremamente pertinente. Terapia não existe para ensinar ninguém a parecer “menos autista”, apesar desses conceitos se confundirem no senso comum. O objetivo da terapia é ajudar a pessoa a conhecer mais sobre si e, a partir daí, construir estratégias que façam sentido para as necessidades dela.
Funcionalidade é diferente de padronização! A identificação de dificuldades individuais que acarretam determinados sofrimentos, é parte essencial do processo de aceitação de si e construção de um repertório de habilidades adaptativas que contribuam para uma vida mais funcional em diversas áreas.
Só que na intervenção com pessoas autistas, esse discurso pode facilmente ser confundido com o que chamamos de “masking”. Às vezes a estereotipia não se torna uma queixa por acarretar prejuízo ao indivíduo em si, mas pela reação de estranhamento que o outro tem.
E é sobre isso que estou falando. Se a pessoa compreende que para ser aceita socialmente precisa esconder todos os traços autísticos, entra em um ciclo de exaustão intensa, que no fim das contas se torna menos sofrido manter-se em exclusão.
Então nesse dia 02 de Abril, conhecido como o dia mundial da conscientização do Autismo, eu quero falar sobre o básico: a aceitação dele, especialmente pelo olhar social. Pessoas neurodivergentes não precisam fazer terapia para “curar” nada, elas fazem terapia pelo mesmo motivo que qualquer outra pessoa neurotípica pode fazer: conhecer seu funcionamento e buscar estratégias para um repertório adaptativo. 💙