15/08/2026
A Assunção não é uma história bonita sobre Maria. É uma declaração sobre o destino do corpo humano.
No livro do Apocalipse, João vê um sinal grandioso no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. A imagem é ao mesmo tempo cósmica e materna, porque ela está grávida e em dores de parto. A visão aponta para Maria, mas ultrapassa Maria: ela é o sinal de Israel que gera o Messias e, ao mesmo tempo, a figura da Igreja que gera os filhos de Deus no meio da tribulação do mundo. O céu aberto no início da visão não é cenário. É a afirmação de que o que acontece na terra tem uma dimensão que os olhos comuns não alcançam.
Paulo, na carta aos Coríntios, coloca a Assunção dentro da lógica maior da ressurreição. Cristo ressuscitou como primícias dos que morreram. Depois virão os que são de Cristo, cada um na sua ordem. A morte não é a última palavra sobre o corpo humano porque o Filho de Deus assumiu um corpo, morreu nele e ressuscitou nele. Maria, que carregou esse corpo no próprio ventre, antecipa na própria carne o destino que espera todos os que pertencem a Cristo.
No Evangelho, Isabel recebe Maria com uma exclamação que soa como teologia antes de ser devoção: "Como é que a mãe do meu Senhor vem ter comigo?" E Maria responde com o Magnif**at, um cântico que começa na experiência pessoal e se abre para a história inteira. Deus olhou para a humildade da sua serva, fez grandes coisas nela, dispersou os soberbos, depôs os poderosos dos tronos e exaltou os humildes. O que acontece com Maria não é privilégio isolado. É o padrão de como Deus age no mundo.
A Assunção diz que o corpo importa para Deus. Que a matéria tem destino. Que o que foi assumido pelo Verbo não foi abandonado depois da cruz.
Antes da Missa de domingo, vale contemplar: o que a glorif**ação do corpo de Maria diz sobre o cuidado de Deus com tudo o que é humano, inclusive em você?