Clécio Carlos Gomes

Clécio Carlos Gomes Psicólogo especializado em Psicopatologia, Neurociências, Neuropsicologia e Musicoterapia.

Psicologia Clínica, especializada em psicopatologia com foco no comportamento e nas reações emocionais ligadas à obesidade. Atua também nos demais transtorno emocionais relacionados à Psicopatologia.

26/05/2026

Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
🎯 TEA, TDAH e AH/SD não são rótulos, são explicações.
📌 Se identificou Salva esse vídeo.

26/05/2026

FONTE: G1, 2026. Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
🎯 TEA, TDAH e AH/SD não são rótulos, são explicações.
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26/05/2026

O autismo não acontece apenas no comportamento. Ele também atravessa o corpo.
Durante muito tempo, o autismo foi compreendido apenas como uma condição “social” ou “comportamental”.
Mas hoje sabemos que muitos autistas apresentam alterações neuroendócrinas, metabólicas, gastrointestinais e inflamatórias que impactam diretamente a qualidade de vida.
E isso muda completamente a forma como entendemos: fadiga, irritabilidade, shutdowns, dor, sono, alimentação, energia, regulação emocional e burnout.
Muitos autistas convivem com: alterações do cortisol e do sistema de estresse, resistência à insulina, distúrbios gastrointestinais, alterações de melatonina e sono, disfunções autonômicas, alterações inflamatórias e imunológicas, problemas tireoidianos, fadiga crônica e dores persistentes.
E o mais grave: frequentemente esses sintomas são interpretados apenas como “ansiedade”, “preguiça”, “drama” ou “frescura”. Mas um sistema nervoso constantemente hiperativado também altera o corpo. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável pela resposta ao estresse, frequentemente apresenta funcionamento atípico em pessoas autistas. Isso pode gerar alterações no cortisol, maior dificuldade de recuperação fisiológica, hipervigilância e desgaste crônico.
Além disso, estudos recentes vêm mostrando relações importantes entre autismo, microbiota intestinal, inflamação, metabolismo e resistência à insulina. Não significa que todo autista terá essas condições. Mas significa que o sofrimento físico no autismo é muito mais frequente, e muito menos percebido, do que a sociedade imagina.
Às vezes o autista não está “difícil”. Ele está: inflamado, exausto, com dor, privado de sono, ou tentando sobreviver a uma sobrecarga fisiológica contínua. E quando o corpo adoece, as características do autismo também costumam se intensificar: maior rigidez, piora sensorial, irritabilidade, shutdowns, dificuldade social, fadiga extrema, perda funcional.

REFERÊNCIAS:
MAKRIS, Georgios et al. Stress System Activation in Children and Adolescents With Autism Spectrum Disorder. Frontiers.

25/05/2026

Existe uma diferença brutal entre o autista que tem acesso a suporte… e o autista que precisa sobreviver sem ele.
Porque o burnout autista nem sempre acontece em silêncio e descanso. Muitas vezes ele acontece: no ônibus lotado, no trabalho barulhento, na fila, na exaustão, na tentativa desesperada de continuar funcionando porque não existe alternativa financeira.
Muita gente imagina que o autista em sofrimento vai parar.
Mas o autista sem acesso ao diagnóstico, terapia, medicação, adaptações ou rede de apoio aprende algo perigoso:
Continuar mesmo sem energia.
Continuar em sobrecarga sensorial.
Continuar com dor.
Continuar mascarando.
Continuar trabalhando em estado de colapso interno.
E isso muda completamente a forma como o sofrimento aparece. Nem sempre ele vai parecer “doente”. Às vezes ele só parece:
irritado, frio, cansado, desorganizado, isolado e sem esperança.
O problema é que a sociedade costuma reconhecer sofrimento apenas quando ele interrompe produtividade.
Mas muitos autistas pobres não têm o direito de parar. Então o corpo começa a cobrar de outras formas: fadiga extrema, dores crônicas,
problemas gastrointestinais, insônia, shutdowns silenciosos, perda de habilidades, desesperança constante.
E ainda assim continuam ouvindo: “Você precisa se esforçar mais.”
O mais cruel do diagnóstico tardio sem acesso ao cuidado não é apenas a falta de tratamento. É passar a vida inteira acreditando que necessidades neurológicas eram falhas morais.
E ninguém deveria precisar adoecer para merecer compreensão.
Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
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25/05/2026

Muita gente ainda acredita que masking no autismo é algo predominantemente feminino. Mas homens autistas também mascaram.
A diferença é que, muitas vezes, o masking masculino passa despercebido porque ele se esconde atrás da funcionalidade.
Enquanto muitas mulheres aprendem a mascarar para pertencer socialmente, muitos homens aprendem a mascarar para não parecer inadequados.
Então eles silenciam. Transformam ansiedade em racionalidade.
Sobrecarga em irritação. Confusão emocional em isolamento.
Dor em produtividade. Muitos não aprendem a parecer sociáveis.
Aprendem a parecer úteis. E a sociedade costuma elogiar isso.
O homem autista que trabalha demais, controla tudo, evita vulnerabilidade, se fecha emocionalmente e vive cansado… frequentemente não é visto como alguém em sofrimento.
É visto como “forte”.
“Reservado”.
“Frio”.
“Muito lógico”.
Mas por trás dessa máscara pode existir um sistema nervoso exausto tentando sobreviver sem ser exposto.
O problema é que ninguém percebe o custo emocional de viver décadas interpretando um personagem funcional.
E quando esse homem finalmente desmonta a máscara, muitos dizem:
“Você mudou.”
Talvez ele só tenha parado de desaparecer dentro dela.
Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
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A inércia autista não é preguiça.A pessoa sabe o que precisa fazer. Quer fazer. Tenta fazer.Mas existe uma desconexão do...
24/05/2026

A inércia autista não é preguiça.
A pessoa sabe o que precisa fazer. Quer fazer. Tenta fazer.
Mas existe uma desconexão dolorosa entre intenção e ação.
E talvez uma das partes mais difíceis seja: ver o próprio cérebro travando… enquanto o mundo interpreta isso como:
“falta de esforço”,
“desinteresse”,
“comodismo”,
“preguiça”.
Muitos autistas vivem uma sensação de paralisação interna que não é escolha.
O cérebro pode entrar em:
sobrecarga,
exaustão executiva,
hiperfoco rígido,
dificuldade extrema de transição,
colapso motivacional e funcional.
E quanto mais cobrança existe… mais o sistema nervoso pode travar.
Porque o problema não é ausência de vontade.
Muitas vezes é um cérebro exausto tentando sair de um estado neurológico que ele não consegue reorganizar sozinho.
O mais doloroso é que muitos autistas crescem ouvindo que precisam: “querer mais”, “se esforçar mais”, “parar de preguiça”.
Quando, na verdade, já estão gastando energia demais apenas tentando continuar funcionando. Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
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Muita gente ainda acha que seletividade alimentar no autismo é “frescura”, “mania” ou falta de limite.Mas, para muitos a...
24/05/2026

Muita gente ainda acha que seletividade alimentar no autismo é “frescura”, “mania” ou falta de limite.
Mas, para muitos autistas, certas texturas, cheiros, temperaturas e consistências podem gerar verdadeiro sofrimento neurológico e sensorial.
Não é simples “não gostar”.
O cérebro pode perceber determinados alimentos como:
invasivos,
intoleráveis,
repulsivos,
dolorosos sensorialmente.
E isso pode provocar:
náusea,
engasgo,
ânsia,
desregulação emocional,
sobrecarga,
rejeição alimentar intensa.
Com o passar do tempo, muitos autistas acabam vivendo uma alimentação extremamente restrita.
E os prejuízos podem ser profundos:
déficits nutricionais,
fadiga,
piora cognitiva,
baixa energia,
alterações gastrointestinais,
piora da regulação emocional,
aumento da irritabilidade,
maior sensibilidade sensorial,
dificuldade de concentração.
Além disso, existe um sofrimento social que quase ninguém percebe.
Muitos autistas:
evitam restaurantes,
sentem vergonha de comer perto de outras pessoas,
escondem dificuldades alimentares,
escutam críticas constantes,
são infantilizados ou ridicularizados.
E isso produz algo muito doloroso: culpa.
Como se a pessoa estivesse escolhendo sofrer.
Mas seletividade alimentar no autismo frequentemente não é escolha. É um encontro difícil entre sensorialidade, sistema nervoso, textura, previsibilidade e sobrevivência neurológica.
Talvez uma das partes mais cansativas seja: ter que explicar continuamente que não é falta de vontade… quando o cérebro simplesmente não consegue processar certos alimentos da mesma forma que outras pessoas. Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
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