21/05/2026
"Depois da morte de minha mulher, em 1955, senti a obrigação interior de tornar-me tal como sou. Na linguagem da casa de Bollingen: descobri de repente que a parte central da construção, até então muito baixa e presa entre as duas torres, me representava, ou mais precisamente, representava meu próprio eu. Elevei-a, então, acrescentando-lhe mais um andar. Antes, não teria ousado fazê-lo; teria considerado isso uma afirmação presunçosa de mim mesmo. Tal fato traduzia, realmente, a superioridade do 'ego', adquirida com a idade, ou a da consciência. Assim, um ano após a morte da minha mulher, o conjunto estava completo. A construção da primeira torre começara em 1923, dois meses após a morte de minha mãe. Essas datas são cheias de sentido porque - como veremos - a torre está ligada aos mortos."
Jung - Memórias, Sonhos, Reflexões - pág. 197
7 edição.