Jung em palavras

Jung em palavras Página dedicada ao pensamento de C. G. Jung e à psicologia analítica em geral. Perfil criado e gerenciado por Eliane Moraes - Psicóloga Clínica.
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"Depois da morte de minha mulher, em 1955, senti a obrigação interior de tornar-me tal como sou. Na linguagem da casa de...
21/05/2026

"Depois da morte de minha mulher, em 1955, senti a obrigação interior de tornar-me tal como sou. Na linguagem da casa de Bollingen: descobri de repente que a parte central da construção, até então muito baixa e presa entre as duas torres, me representava, ou mais precisamente, representava meu próprio eu. Elevei-a, então, acrescentando-lhe mais um andar. Antes, não teria ousado fazê-lo; teria considerado isso uma afirmação presunçosa de mim mesmo. Tal fato traduzia, realmente, a superioridade do 'ego', adquirida com a idade, ou a da consciência. Assim, um ano após a morte da minha mulher, o conjunto estava completo. A construção da primeira torre começara em 1923, dois meses após a morte de minha mãe. Essas datas são cheias de sentido porque - como veremos - a torre está ligada aos mortos."

Jung - Memórias, Sonhos, Reflexões - pág. 197
7 edição.

"Numa carta endereçada a uma mulher que perdera um filho ainda novo, Jung disse o seguinte: "O que acontece após a morte...
18/05/2026

"Numa carta endereçada a uma mulher que perdera um filho ainda novo, Jung disse o seguinte:

"O que acontece após a morte é tão indiscutivelmente glorioso que nossa
imaginação e nossos sentimentos não bastam para formar uma concepção nem mesmo aproximada dessa experiência. Pouco antes de morrer, minha irmã tinha no rosto uma expressão tão inumanamente sublime que tive muito medo. Uma criança também entra nesse estado sublime, separando-se deste mundo e de seus múltiplos caminhos de individuação ainda mais rapidamente que os idosos. Tão rapidamente torna-se ela aquilo que você também é, que aparentemente ela desaparece. Mais cedo ou mais tarde todos os mortos se tornam aquilo que também somos. Mas nada sabemos sobre o modo de ser nessa realidade - e a respeito da terra, após a morte, o que ainda sabemos? A dissolução da nossa forma temporal na eternidade não acarreta perda alguma de sentido. Pelo contrá-
rio, o dedo então f**a sabendo que faz parte da mão."

Na frase "mais cedo ou mais tarde, todos os mortos se tornam aquilo que também somos", Jung alude ao mistério do Self, no qual todas as almas, de mortos e vivos, fundem-se numa unidade múltipla. Os sábios da Índia sempre disseram que o Atman pessoal (Self) faz parte do Atman cósmico."

Marie-Louise Von Franz - Os Sonhos e a Morte págs. 245/246.

Jung x Freud"Via de regra não é preciso levar os pacientes a que revivam suas reminiscências infantis; geralmente eles o...
11/05/2026

Jung x Freud

"Via de regra não é preciso levar os pacientes a que revivam suas reminiscências infantis; geralmente eles o fazem por si mesmos, pois é um mecanismo inevitável e, como eu disse, uma tentativa teleológica de crescer novamente. Se observar apenas o material que os pacientes produzem, verá que eles entrarão forçosamente em suas reminiscências, costumes e maneiras infantis e que projetarão especialmente as imagens dos pais. Se houver uma transferência, o senhor f**ará envolvido e integrado na atmosfera familiar do paciente. A insistência dos freudianos em fazer que as pessoas revivam o seu passado mostra simplesmente que na análise freudiana o paciente não chega naturalmente a reviver o passado, e isso porque tem resistência contra o analista. Quando deixamos que o inconsciente siga o seu caminho natural, então podemos estar certos de que virá à tona tudo o que o paciente precisa saber; também podemos estar certos de que tudo o que tiramos do paciente por insistência em bases teóricas não será integrado na personalidade do paciente, ao menos não como valor positivo, mas no máximo como resistência duradoura. Nunca lhe ocorreu que em minha análise pouco se fala de "resistência" e que este termo é o mais frequente na análise freudiana?"

Jung - Fragmento de carta ao Dr. John W. Perry em 08/02/1954.
Cartas Volume II pág. 319.

Jung dando uma aulinha básica de ética:"- Recorda-se agora, a esta distância de tempo, quais eram as características sig...
02/05/2026

Jung dando uma aulinha básica de ética:

"- Recorda-se agora, a esta distância de tempo, quais eram as características signif**ativas dos sonhos de Freud que mais lhe chamaram a atenção nessa época?

- Essa é uma pergunta bastante indiscreta.
Eu tenho...
você sabe que existe uma coisa chamada segredo profissional.

- Ele já morreu há muitos anos.

- Sim, mas essas considerações duram muito mais que a vida.
Prefiro não falar a esse respeito."

Jung em entrevista (Face a face)

C. G. Jung: Entrevistas e Encontros - página 378.

Jung convidando a neta para visitá-lo "A uma destinatária não identif**adaSuíça Küsnacht-Zurique, 20.07.1946Querida G,,A...
29/04/2026

Jung convidando a neta para visitá-lo

"A uma destinatária não identif**ada
Suíça

Küsnacht-Zurique, 20.07.1946

Querida G,,

Acho que você espera demais das pessoas, sem uma entrega suficiente de sua parte. Devemos estar "sob" os outros se quisermos que algo deles flua para nós. Já que você está de novo enterrada até as orelhas no tinteiro, eu a convido cavalheirescamente a comparecer festivamente à minha presença na próxima quarta-feira às 4 horas da tarde. Aqui não há pessoas superiores, mas principalmente lesmas que se encantam com a chuva.

Saudações cordiais de seu saudoso avô
C.G. Jung"

Jung - Cartas volume II pág. 40

Jung sobre o passado"Jung disse: 'Sim. Se não andamos sempre para a frente, o passado nos suga. O passado é como um enor...
23/04/2026

Jung sobre o passado

"Jung disse: 'Sim. Se não andamos sempre para a frente, o passado nos suga. O passado é como um enorme aspirador que nos suga o tempo todo. Se você não avança, você regride. Você precisa levar a tocha da nova luz sempre para a frente, historicamente, por assim dizer, e também em sua vida particular. Se você olha para trás com tristeza, ou mesmo com desdém, o passado torna a agarrá-la. O passado é um poder formidável'."

Diálogo de Jung com Marie-Louise von Franz citado no livro O Gato - um conto da redenção feminina pág.156.

"Nós geralmente experimentamos os pares-opostos fora de nós mesmos. Sustentamos certa posição, somos perfeitamente certo...
22/04/2026

"Nós geralmente experimentamos os pares-opostos fora de nós mesmos. Sustentamos certa posição, somos perfeitamente certos, e o outro é todo errado, e nós lutamos contra ele. Aí, depois de certo tempo percebemos, talvez através dos sonhos ou de certos pensamentos sábios instilados pelo analista, que é bem possível que o nosso oponente seja um símbolo de nós mesmos, vamos dizer, a nossa própria sombra, e que a razão pela qual o combatemos tão particularmente é que somos muito como ele... E depois percebemos que nós mesmos somos o nosso pior inimigo, que contemos exatamente aquilo que estamos combatendo lá fora, que somos ao mesmo tempo tanto uma coisa como a outra, então finalmente temos que reconhecer, se somos homens, que a última coisa que combatemos é uma mulher, e que a última coisa que uma mulher combate é um homem. O reconhecimento supremo é que um homem é também uma mulher, e uma mulher é também um homem. Então, o que podemos fazer? Agora já não é possível chutar o outro, só podemos chutar a nós mesmos e isso não é interessante. Estamos simplesmente pendurados."

Jung - Os seminários sobre as visões

Marie-Louise von Franz sobre a morte"À medida que Jung se aproximava do fim da sua vida na terra, as imagens de um "casa...
16/04/2026

Marie-Louise von Franz sobre a morte

"À medida que Jung se aproximava do fim da sua vida na terra, as imagens de um "casamento sagrado", que ele um dia, próximo da morte, vira, voltaram. Quando Miguel Serrano o visitou, em 05 de maio de 1959, eles tocaram na questão da 'coniunctio'. Jung, relata Serrano, parecia estar perdido num sonho, e disse:

"Era uma vez, em algum lugar, uma Pedra, um Cristal, uma Rainha, um Rei, um Palácio, um Amante e sua Amada; e isso foi há muito tempo, numa ilha em algum lugar do oceano, há cinco mil anos [...]. Eis o Amor, a Flor Mística da Alma. Eis o Centro, o Self [...]. Ninguém compreende o que quero dizer [...] só um poeta poderia começar a entender [...]".

A morte é a última grande união dos opostos do mundo interior, o sagrado casamento da ressurreição, que os chineses antigos denominavam "a união negra nas fontes amarelas". Segundo eles, o homem, na morte, divide-se em suas duas partes psíquicas: uma, negra, pertencente ao princípio do yin, a parte feminina, "p'o", que mergulha na terra; e outra, brilhante, "hun" pertencente ao princípio do yang, que sobe aos céus. As duas continuam a sua jornada, a parte feminina para a divindade feminina do oeste; a outra, para o leste, dirigindo-se à "cidade negra" ou à "fonte amarela". Como "Senhora do Oeste" e "Senhor do Leste", eles celebram a "união negra" e, dessa união, o morto sai como um novo ser, "imponderável e invisível", capaz de "elevar-se como o sol e navegar com as nuvens".

Marie-Louise von Franz - C.G. Jung - Seu Mito em Nossa Época - págs. 227/228.

Jung sobre "quando estiver diante de uma alma humana, seja apenas outra alma humana"."Muitas vezes as pessoas me procura...
12/04/2026

Jung sobre "quando estiver diante de uma alma humana, seja apenas outra alma humana".

"Muitas vezes as pessoas me procuram na esperança de que eu me manifeste como um mago da medicina. Depois se sentem frustradas, porque as trato como pessoas normais e me comporto como pessoa normal. Uma paciente que me procurou só via, no consultório de seu médico anterior, o "deus silencioso" atrás de seu sofá. Quando comecei a falar com ela, disse-me, atônita e quase apavorada: "Mas o senhor externa afetos, externa até mesmo suas opiniões!" É evidente que eu tenho afetos e os mostro também. Nada me parece mais importante do que isto: É necessário considerar cada pessoa realmente como pessoa e tratá-la, por conseguinte, segundo sua própria índole. É por isto que digo aos jovens terapeutas: Aprendam o que há de melhor, conheçam o que há de melhor, mas se esqueçam de tudo, quando se acharem diante do paciente. Não há bom cirurgião só pelo fato de ter aprendido de cor o seu manual. Estamos diante do perigo de que a realidade seja substituída, em nossos dias, pelas palavras. Isto nos leva àquela terrível ausência dos instintos no homem de hoje, principalmente no homem urbano. Falta-nos o contato com a natureza em seu estado puro, a natureza viva e palpitante. Só sabemos o que é um coelho ou uma vaca pelas revistas ilustradas, pelas enciclopédias, ou através da televisão, e depois pensamos que os conhecemos realmente; mais tarde, porém, f**amos espantados ao verif**ar que os estábulos "fedem" porque isto não estava nas enciclopédias. Ocorre algo de semelhante nos diagnósticos dos enfermos. Sabe-se que sua doença foi tratada pelo autor X, no capítulo 17, e pensa-se, a seguir, que o principal foi feito, enquanto o pobre doente, infelizmente, continua a sofrer."

Jung - Escritos diversos págs 135/136.

Jung sobre a prática da psicoterapia"A psique humana é extremamente ambígua. Diante de cada caso particular, é preciso i...
08/04/2026

Jung sobre a prática da psicoterapia

"A psique humana é extremamente ambígua. Diante de cada caso particular, é preciso indagar se este comportamento ou aquele traço de caráter é verdadeiro, ou simplesmente uma compensação do seu contrário. Devo confessar que tantas vezes me enganei nesse aspecto, que no caso concreto me abstenho de usar, na medida do possível, o que a teoria preconceitua a respeito da estrutura da neurose e do que o paciente pode e deve fazer, e deixo a pura experiência decidir quanto aos objetivos terapêuticos. Isto talvez possa parecer estranho, pois normalmente se supõe que o terapeuta tenha um objetivo. Em psicoterapia, considero até aconselhável que o médico não tenha objetivos demasiado precisos, pois dificilmente ele vai saber mais do que a própria natureza ou a vontade de viver do paciente. As grandes decisões da vida humana estão, em regra, muito mais sujeitas aos instintos e a outros misteriosos fatores inconscientes do que à vontade consciente, ao bom-senso, por mais bem intencionados que sejam. O sapato que serve num pé, aperta no outro, e não existe uma receita de vida válida para todo mundo. Cada qual tem sua forma de vida dentro de si, sua forma irracional, que não pode ser suplantada por outra qualquer."

Jung - A Prática da Psicoterapia § 81.

Jung sobre a ressurreição em termos psíquicos"Como seres psíquicos e não dependentes inteiramente do espaço e tempo, pod...
05/04/2026

Jung sobre a ressurreição em termos psíquicos

"Como seres psíquicos e não dependentes inteiramente do espaço e tempo, podemos entender facilmente a importância central da ideia da ressurreição: não estamos completamente sujeitos aos poderes da aniquilação porque nossa totalidade psíquica ultrapassa a barreira do espaço e tempo. Através da integração progressiva do inconsciente temos uma chance razoável de fazer experiências de natureza arquetípica que nos dão o sentimento de continuidade antes e depois de nossa existência. Quanto melhor entendermos o arquétipo, mais participaremos de sua vida e mais perceberemos sua eternidade e intemporalidade.
(...) Para os cristãos primitivos e para todos os primitivos, a ressurreição tinha de ser um acontecimento concreto e material, para ser visto com os olhos e tocado com as mãos, como se o espírito não tivesse existência própria. Mesmo hoje em dia as pessoas não conseguem perceber facilmente a realidade de um fato psíquico, a não ser que seja bem concreto ao mesmo tempo. A ressurreição como fato psíquico não é certamente concreta; é apenas uma experiência psíquica. É engraçado que os cristãos sejam ainda tão pagãos que só entendam a existência espiritual como um corpo e como um fato físico. Temo que nossas igrejas cristãs não possam manter por muito tempo esse anacronismo chocante se não quiserem enveredar por contradições intoleráveis. Como concessão a esta crítica, certos teólogos explicaram o corpo glorif**ado (sutil), devolvido aos mortos no dia do juízo (conforme ensina Paulo), como a "forma" individual autêntica, ou seja, uma ideia espiritual que caracteriza suficientemente o indivíduo para tornar supérfluo o corpo material. Foi a prova de uma vida após a morte e a esperança de escapar da condenação eterna que fez da ressurreição da carne o esteio da fé cristã. A única coisa que sabemos com certeza é o fato de que o espaço e o tempo são relativos para a psique."

Jung - A vida Simbólica 18/2 § 1572/1574

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