12/05/2026
A ansiedade tem um jeito muito convincente de parecer previsão: Ela cria uma cena, aproxima essa cena do corpo e, em poucos instantes, você começa a reagir como se aquilo já estivesse acontecendo. A mente tenta antecipar riscos, ensaiar respostas e encontrar alguma garantia de que nada sairá do controle.
Por um tempo, isso pode parecer prudência. Pensar mais dá sensação de preparo. Revisar mentalmente parece evitar erro. Buscar certeza parece diminuir o desconforto.
Mas existe um ponto delicado nesse ciclo: quando a pessoa responde à ansiedade com checagem, ensaio mental, busca de garantia ou tentativa de prever tudo, o alívio costuma vir rápido. E esse alívio também ensina ao cérebro que a incerteza era perigosa e que controlar foi necessário para f**ar bem.
Na TCC, olhamos para a relação entre pensamento, emoção, corpo e comportamento. Quando a mente imagina uma ameaça, o corpo entra em alerta, a urgência aumenta e a pessoa tenta fazer algo para recuperar segurança.
Na ACT, também observamos a fusão cognitiva: o momento em que um pensamento f**a tão colado à experiência que passa a funcionar como verdade, aviso ou ordem.
A mente diz “e se?”, e o corpo responde como se o futuro já tivesse chegado.
Quando isso acontecer, duas perguntas podem te ajudar a abrir espaço:
1. Isso é um fato acontecendo agora ou uma previsão ansiosa tentando reduzir incerteza?
2. Minha próxima resposta resolve algo real ou apenas fortalece o ciclo de controle?
Essas perguntas não eliminam a ansiedade. Mas, elas ajudam você a perceber se está diante de uma ação útil ou se está prestes a alimentar o mesmo caminho que mantém a mente presa em cenários futuros.
A sua mente consegue criar um futuro inteiro.
Mas ele não precisa virar o lugar onde a sua vida acontece.
Se esse padrão tem afetado seu descanso, suas decisões ou sua rotina, a psicoterapia pode ajudar a compreender e construir melhores estratégias para lidar com a ansiedade 🤎
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Keliane Pedroso
Psicóloga CRP | 04/47583
Especialista em TCC & Psicopatologia
Pós-graduanda em Psicoterapias Baseadas em Evidências: Terapias Cognitivo-Comportamentais