13/11/2018
Se você interessou pelo assunto, segue abaixo um texto mais explicativo sobre este tema...
Discursar sobre os relacionamentos conjugais é algo bastante instigante e desafiador, posto que cada casal caminha em direções diferentes para construção de sua união. Neste sentido, o maior entrave é de se falar da construção deste processo justamente pelo fato de que cada pessoa já vem para relação com uma vivência familiar e de campo, então trazem em sua bagagem recursos empregados na resolução de impasses vividos, situações mal resolvidas, claro que distintas.
Seguindo esse raciocínio, quando se unem, se deparam com a necessidade de criar um enredo para suas vidas. Quando conseguem seguir nesse processo, estão enfim criando o seu próprio campo vivencial, ou seja, o “nós” da relação, a fronteira da conjugalidade, desenvolvendo sua própria linguagem, funcionando em um novo estilo, acompanhando um ao outro. Com isso, em um estante surge um indivíduo com suas questões pessoais, únicas e em outro instante, aparecem o par com questões comuns da relação.
Quando o casal vive na repetição de recursos hora utilizados em momentos passados, f**a geralmente fadado a interromper a relação pelo fato do contato não está acontecendo de forma sadia, e mediante a esses eventos, a relação pode se estagnar e não favorecer para o crescimento das pessoas ali presentes e de seus respectivos relacionamentos. Vale ressaltar, que algumas dessas repetições são saudáveis para integrar a nova relação, mas quando a pessoa f**a presa a estas repetições, estabelece uma amarra que não lhe permite uma abertura para criar e vivenciar o novo. Dentro desse contexto de frustrações e insatisfações é que transcorre as diversas questões da vida a dois, e uma das saídas encontradas para tamponar esta dor é a infidelidade conjugal.
Exatamente neste contexto que a Psicologia da Gestalt-terapia pode entrar em cena, já que ela acredita no potencial humano, ou seja, que cada sujeito tem suas potencialidades e consequentemente age criativamente no meio que está inserido (campo indivíduo/meio), modif**a-o e dele obtém os recursos para transformar-se. Quando então, nós, psicólogos da Gestalt recebemos em nosso consultório casais que estão dispostos a compartilhar suas intimidades, entramos em ação primeiramente na acolhida a estas pessoas “machucadas”, observamos como acontece o processo dessa relação naquele dado momento e posteriormente começamos a intervir nesse sistema para que haja a transformação do mesmo, como também, de cada pessoa ali presente.
Destaco assim, que mesmo com a semelhança dos psicoterapeutas dessa abordagem em “beber da mesma fonte” (compartilhar dos conceitos, valores e premissas da Gestalt-terapia), há de se levar em conta, que cada terapeuta tem sua história de vida, suas percepções e sensibilidades que o tornam singular. Sendo assim, a condução da terapia depende em fundamental do terapeuta escolhido para traçar as transformações com o casal.
Há uma aposta da relação a dois por via da fidelidade, sendo assim discutimos sobre os preceitos do ajustamento criativo como instrumento terapêutico, tendo em vista as pessoas que passam pelo processo de traição conjugal, possam ajustar-se criativamente, tomando consciência da experiencia atual, ultrapassando fronteiras e quebrando antigos padrões em direção a novidade. Para que isso o ocorra, o terapeuta da Gestalt vai de encontro a promoção da forma que os pares lidam com seus sentimentos e emoções como forma de enfrentamento das situações adversas, como a traição com seu devido sofrimento psíquico e possibilitando que cada um, tomando consciência da sua experiência atual, seja protagonista da mudança e transformação tanto pessoal, como da relação.
Nessa direção, os estudos e trabalhos pesquisados (da autora) apontam para possibilidade de superação dessa experiência traumática, no papel de coadjuvante para proporcionar aos membros do casal, um amadurecimento, aprendizados, renovações, ao se permitirem o seu desabrochar tanto para si, como para a relação e como para mundo.
Então, acredito que como psicólogos, teríamos que manejar cada momento da sessão para que esses pares percebam entre si que seu processo pessoal (“eu”) e o processo conjugal (“nós”) são interdependentes e acima de tudo, são suscetíveis às mudanças, ou seja, as dificuldades e as mudanças/aprendizagens vivenciadas em um, irá refletir em ambos, mas, se há abertura do sujeito, acontece a mudança, e com isso o desenvolvimento pessoal e do casal possibilitando reinventar a vida conjugal.
Fonte: PINHEIRO; Liliana Goulart Gomes. A (IN) FIDELIDADE NA VIDA CONJUGAL NA PERSPECTIVA GESTÁLTICA. 2018, 40-f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização)- Faculdade UnYLeYa, Belo Horizonte, 2018.