thaislimmapsi

thaislimmapsi Psicóloga Humanista - CRP 06/162598

Tenha paciência com um enlutado.As vezes não temos forças para nada. Isso mesmo, forças para nada. Já, às vezes, queremo...
09/11/2021

Tenha paciência com um enlutado.

As vezes não temos forças para nada. Isso mesmo, forças para nada.
Já, às vezes, queremos falar com pessoas que deem conta de nos ouvir contar as histórias mais bonitas e engraçadas daqueles que já se foram e que tanto amamos, ou até mesmo recordar o triste trajeto do temido fim. Por ser um tabu, muitas vezes quem nos acolhe não entende isso, e quer simplesmente nos fazer sorrir… mas nós queremos só chorar.

É preciso aprender a dar conta de nos acolher chorando.

Por favor, respeite nossa dor.

O enlutado f**a um tanto intolerante (tem coisa que não importa mais, sabe?), pois a morte torna-se um finalmente um fenômeno real, mesmo que saibamos a inerência dele à vida humana. A gente repensa tudo... Tudo mesmo, desde a dieta da segunda-feira, até aquele planejamento mirabolante do nosso futuro.
Entendemos finalmente que não há controle sobre nada. O amanhã é realmente uma ilusão…Doce, talvez.
Mas, uma ilusão.

A gente começa se relacionar com o hoje de forma diferente, de forma mais presente. Aproveitamos cada detalhe, pois amanhã, tudo aquilo pode simplesmente tornar-se uma memória saudosa que não poderá mais se repetir.

E as vezes não... As vezes a perda ainda está sendo processada de forma muito delicada, em que será necessário um misto de tempo, espaço, presença e silencio.
Costumo chamar de silencio presente.

Chegou a hora de nos relacionarmos diferente com o luto e com a morte. Explorar tais temas de forma mais esmiuçada e ampla, abordando melhor as vicissitudes que demandam, tanto para quem acolhe, quanto para quem vivencia a experiencia na pele, pois, quando a gente para olhar mais de perto, transitamos pelos os dois espaços à depender de como a vida nos guia até a hora da nossa morte…

Thais Lima - Psicóloga - 06/162598

Precisei de um tempo... talvez precise da vida inteira. Entretanto, a vida segue ocupando os espaços tanto quanto minha ...
24/06/2021

Precisei de um tempo... talvez precise da vida inteira. Entretanto, a vida segue ocupando os espaços tanto quanto minha dor, por isso tenho que seguir.
Alguns dias sinto como se o desafio do luto seja atravessar um rio que não vejo a margem do outro lado.
Cansa...
Planejo os dias para ritualizar algumas vivências saudosas, tais como os sábados. Sábado era meu dia favorito, pois estávamos de folga em casa fazendo várias coisas, e as vezes, fazendo nada demais. Os sábados agora são cansativos. Quando não me preparo para atravessar esse rio de lembranças, visito a dor.
A dor me coloca a pensar: o que eu poderia ter feito a mais que evitaria tudo isso?
Em seguida, eis um fôlego: você fez o melhor que pode!
E todos os dias tento encorajar a mim mesma com esse pensamento: eu fiz o melhor que pude por você, pai. E corajosa atravesso o rio, dia após dia.

Retorno aos atendimentos, e agradeço todas as mensagens de carinho, elas também me encorajam todos os dias.

Thais Lima Psicóloga- CRP 06/162598

No post anterior, falei algo sobre encontrar caminhos possíveis. Mas, quais seriam esses caminhos? Como encontrá-los? Qu...
14/04/2021

No post anterior, falei algo sobre encontrar caminhos possíveis. Mas, quais seriam esses caminhos? Como encontrá-los?

Quando nos colocamos à pensar nos parâmetros que vigoram nosso tempo – pressa, controle, técnica, objetividade, resultados... somos tomados pela angustia de nem sempre dar conta de tudo (e nem deveríamos, mas falaremos melhor sobre isso posteriormente, tá?). E às vezes “tudo” é: nosso plano para o futuro se confrontando com nossa vida real e possível, nosso dia a dia abarrotado de tarefas e marcado pelo tempo cronometrado (tempo de almoço, hora para dormir, hora para acordar), entre tantas angústias que nos acometem diariamente, sobretudo agora em tempos de pandemia.

A terapia enquanto processo nos faz descobrir quais são esses caminhos e quais recursos temos para executá-los - não como um fator técnico, e sim pela linha do sentido e signif**ado para o ser-no-mundo. Vou lhes dar um exemplo pessoal:

Dentre os cinco sentidos humanos, o que eu mais aprecio é o olfato: o aroma de uma boa comida recém-preparada (de preferência da minha mãe), o perfume de uma roupa limpa (ou daquela roupa usada apenas uma vez que fixa nosso perfume, sabe?), e, principalmente, o perfume da minha pele e dos meus cabelos. Em dias que a angústia me acomete, eu me encarrego de parar, respirar fundo, e tomar um bom banho. Hidrato meus cabelos – os penteio e seco, e aprecio a textura dele após esse cuidado. Eis o meu recurso possível. Ao menos o meu fôlego.

E você, já pensou sobre qual seu recurso possível?
Me conta?

Psicóloga Thais Lima.

Li no facebook de um amigo sobre estarmos vivendo a ambivalência de um momento delicado no mundo, em que as perdas causa...
10/04/2021

Li no facebook de um amigo sobre estarmos vivendo a ambivalência de um momento delicado no mundo, em que as perdas causam tristezas de tons profundos, e que as alegrias, as pequenas conquistas, por outro lado, também precisam ser comemoradas e compartilhadas a fim de nos transmitir esperança.

Hoje eu vim te pedir que respire fundo. Por mais que seja difícil, há caminhos. Como psicóloga e ser humano sigo buscando recursos, favorecê-los e torná-los possíveis para que tais caminhos possam se tornar reais dentro da psicoterapia.

Você é potência.

Você é vida.

Respire fundo, há de existir caminhos possíveis.

O atual momento pede cuidado, acolhimento e muita empatia! Destino algumas vagas para atendimentos com valor social! Ate...
16/03/2021

O atual momento pede cuidado, acolhimento e muita empatia!
Destino algumas vagas para atendimentos com valor social!
Atendimento exclusivo on-line... me chama e a gente conversa melhor ❤️
Psicóloga Thais Lima.

Por ser um processo singular, o luto também pode tornar-se um processo solitário. A cultura ocidental, por pouco fomenta...
15/03/2021

Por ser um processo singular, o luto também pode tornar-se um processo solitário. A cultura ocidental, por pouco fomentar uma educação para a morte, acaba acolhendo o enlutado com frases e atitudes tais como: "vai passar", "você precisa reagir", "você pode ter outro filho, não fique assim" ...

As diversas emoções sentidas advindas das nossas esferas multidimensionais, muitas vezes dificulta a compreensão e aceitação que decorrem da perda, e por isso saliento: o luto precisa de colo, o luto precisa de abrigo. Precisa de tempo, espaço e permissão para elaborar.

E a gente constrói presença no luto também no silencio: o cuidado pode perpassar a dimensão da linguagem e se fazer presente passando um café para o enlutado, levando o cachorro dele para passear, fazendo as compras com ele/ por ele...

Fazer silencio presente também é uma forma legitima de cuidado.
Psicóloga Thais Lima.

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