12/10/2026
Se eu pudesse encontrar a criança que fui, a primeira coisa que diria seria: você não imagina a vida que temos pela frente!
Lembro dos seus sonhos, da sua curiosidade e daquela vontade de descobrir o mundo. Você queria ser astronauta ou cientista!
Pois saiba, meu pequeno, que nós vivemos e conseguimos muito!
Você vai crescer, estudar muito e se tornar médico. Vai descobrir que cuidar das pessoas é mais do que tratar doenças: é ouvir histórias, aliviar sofrimentos e devolver esperanças.
Vai conhecer lugares, pessoas extraordinárias e aprender coisas que hoje parecem ficção científica. E descobrirá que quanto mais sabemos, mais temos a aprender.
Mas tenho uma notícia ainda melhor!
Você será pai de duas meninas maravilhosas, Rebecca e Sophia. Conhecerá um amor que nenhum livro consegue explicar. E sentirá um orgulho delas que hoje nem consegue imaginar. E descobrirá que isto é a única coisa que importa de verdade.
Mas preciso lhe contar: nem tudo será fácil.
Você vai errar, confiar em pessoas erradas, tomar decisões das quais se arrependerá. Conhecerá conquistas e decepções. Precisará recomeçar algumas vezes e até questionará suas escolhas. E chorará. Muito.
E sabe o que eu diria nesses momentos?
Não tenha medo de errar. Tenha mais medo de deixar de tentar.
Apesar de tantos anos estudando o corpo humano, descobrirá que compreender a própria vida é uma ciência muito mais complicada!
Mas quero lhe agradecer.
Obrigado pela curiosidade, pela imaginação e, principalmente, pelos sonhos que você nunca abandonou.
Hoje percebo que ainda carrego muito daquele menino dentro de mim.
Ainda sonho, faço planos, quero aprender, ensinar, viajar, amar e descobrir coisas novas.
E continuo acreditando que há muito pela frente!
Se pudesse, lhe daria um abraço demorado. Não para protegê-lo das dificuldades, mas para dizer que valeu a pena chegar até aqui.
E que nossa história ainda não terminou!
Porque, se existe algo que a vida me ensinou, é que envelhecer é inevitável, mas deixar de sonhar é uma escolha.
Lembre-se “life is not fair”.
Com carinho e gratidão,
Amau, quase 60 anos depois.