26/01/2024
"rosto bonito, mas, corpo estranho"
"muito gorda"
"muito magra"
"já foi melhor. Está mais velha, largou mão"
“olha essa roupa, tá pedindo”
❌ O machismo, existente na sociedade há séculos, encontra na noção de que o corpo da mulher é público uma de suas manifestações mais evidentes e nocivas. Essa ideia destrói a autonomia feminina, exilando o corpo da mulher a um espaço coletivo, passível de inspeção, controle e até mesmo posse por parte da sociedade e dos indivíduos, principalmente homens.
🔎 Essa percepção distorcida do corpo feminino como algo disponível para o olhar e julgamento alheio perpetua a objetificação e a sexualização das mulheres em diversos âmbitos da vida social. Desde a mídia, que constantemente expõe corpos femininos de forma hipersexualizada para atender aos padrões de beleza impostos, até o cotidiano, onde mulheres são frequentemente assediadas e constrangidas em espaços públicos simplesmente por estarem ocupando esses locais.
🔏 A noção de que o corpo da mulher é público também se reflete em questões como legislação sobre direitos reprodutivos e vestimenta feminina. Leis que regulam o acesso a contraceptivos e ao ab**to muitas vezes são moldadas por visões machistas que consideram o corpo feminino como espaço de controle e intervenção do Estado ou de instituições religiosas. Da mesma forma, normas de vestuário impostas socialmente muitas vezes visam controlar e cercear a liberdade das mulheres, ditando o que é considerado "adequado" ou "provocante", baseando-se na noção de que o corpo feminino deve ser moldado para agradar o olhar masculino.
‼️ É fundamental desconstruir essa noção de que o corpo da mulher é público, reconhecendo e respeitando a autonomia e a individualidade feminina. Isso requer uma mudança cultural profunda, que envolve educação, desconstrução de estereótipos de gênero e a promoção de relações de equidade entre os gêneros. Somente assim poderemos construir uma sociedade onde o corpo feminino seja visto como pertencente unicamente à mulher, não sujeito ao controle ou julgamento externo, mas sim à sua própria vontade e dignidade.
Post por .marianamateus
CRP: 08/23290