19/01/2026
Uma ode ao tempo
Das coisas da vida, uma das que mais me encanta é o tempo, e ele também sempre esteve entre meus maiores desafios.
A rapidez do meu raciocínio e a facilidade escolar se revelaram ainda adolescente como altas habilidades/superdotação, e com isso diversas perguntas sobre o que fazer com ela e com seus impasses (eles existem e não são poucos!).
Também minha relação com o tempo é costurada numa memória que pouco esquece. Lembro de tanta coisa, de minúcias de anos e anos atrás. No começo da clínica, me preocupava de esquecer o que meus analisandos diziam (como se fosse necessário lembrar tudo), e minha supervisora na época disse “se você escutou, vai lembrar. Não se preocupe”. Sempre que precisei, me lembrei.
Acho que minha paixão pelas coisas antigas, como o toca-discos e a máquina fotográf**a de filme, também são tentativas de elaboração do tempo, dele mais devagar, na contramão da minha rapidez. De precisar ligar o aparelho, escolher o disco, por a agulha, ouvir uma por uma até chegar na que quero ouvir (e com isso aprender muitas novas), virar o disco quando acabar o lado A; pensar duas ou três vezes se vou tirar certa pose (só temos 36!!!), não saber como saiu o resultado, se divertir no processo, mandar revelar, esperar sair, ver quais queimaram e quais serão recordações materiais. E assim também procuro costurar outra relação com a memória. Não é preciso lembrar tudo.
E, se olharmos direitinho, temos aí noção de inconsciente, sintoma, tempo lógico, savoir-faire. Mas hoje f**arei por aqui!