25/08/2026
Traços: o show da Amy Winehouse ❤️
Ainda que meu mundo gire em torno da música brasileira, como samba, choro e mpb, acredito que minha cantora favorita de todos os tempos seja inglesa: Amy Winehouse.
Eu a conheci num programa de tv, tinha uns dez ou onze anos. Minha família tem tradição sertaneja, caipira, então, para quem era acostumada com as modas de viola, Amy soou como grande diferença. Me encantou. Até hoje, não sei qual o impacto avassalador aquilo me causou, mas lembro de seus efeitos.
Minha história com a Amy é gigantesca - talvez até escreva outras coisas sobre isso -, mas quero me deter em dois pontos de, hoje, me parecem muito analíticos.
Herdei um celular do meu pai, dos modelos tijolões da época. Naquele tempo, quando os pais compravam celulares melhores, passavam os antigos para os filhos. Este celular do meu pai, modernoso, tinha fone de ouvido e gravador de voz. Nele, cabia exatamente duas músicas da Amy (naquela época, essa era uma das minhas unidades de tempo): You know I’m no good, que é minha música favorita desde sempre, e Rehab. Gravei da caixinha de som para o celular e escutava incansavelmente no longo caminho do bairro até o centro, onde eu estudava.
Um dia, uma amiga disse: “posso ouvir o que está no seu fone?” e, em seguida, me disse: “ai, não dá para entender nada!” Ali me dei conta que eu tinha uma rara ideia do que era a música original. Era um traço de memória, mas que bastava para me fazer companhia entre as chacoalhadas do busão.
Outro ponto foi que no memorável dia oito de janeiro de 2011 tive a absoluta sorte de ver a Amy ao vivo em Florianópolis, junto com a minha mãe. Eu tinha 14 anos! Sim, eu era uma adolescente que gostava de Amy Winehouse! A maior curiosidade que eu tenho desse dia é que, imaginariamente, não tenho quase lembrança alguma. Me lembro pouquíssimo da ocasião. Mas me lembro em detalhes de como me senti. Joguei um beijo para a Amy (eu estava bem de frente a ela, pertinho); ela pegou o beijo, guardou no coração e mandou um de volta. Amy me viu! Me lembro de sentir a emoção das milhares de vozes atrás de mim, quando Zalon diz “Ladies and Gentlemen! This is… Amy… Wiiineeehouse!!!”
continua nos comentários…