12/08/2026
Trabalhar muitas horas aumenta automaticamente o risco ocupacional?
As evidências mostram que jornadas prolongadas podem favorecer fadiga, reduzir o desempenho cognitivo e aumentar a probabilidade de erros, acidentes e alguns desfechos negativos para a saúde. Mas isso não significa que a existência de horas extras, por si só, seja suficiente para demonstrar um nexo causal.
O NIOSH destaca que fatores como duração da jornada, trabalho em turnos, recuperação insuficiente, pausas inadequadas, intensidade da atividade e organização do trabalho devem ser analisados em conjunto.
Na prática pericial, esse é um ponto fundamental.
Existe uma diferença importante entre reconhecer que determinado fator aumenta o risco em uma população e afirmar que ele explica um caso individual.
É justamente essa análise criteriosa que diferencia uma avaliação técnica de uma conclusão baseada apenas em associação.
Ao avaliar um trabalhador, vale perguntar:
- Como era a organização da jornada?
- Existiam pausas efetivas?
- Havia tempo suficiente para recuperação?
- A atividade exigia elevada carga física ou cognitiva?
- Existem outros fatores capazes de explicar o quadro?
Responder a essas perguntas torna a avaliação muito mais consistente do que simplesmente contabilizar horas trabalhadas.
A Medicina do Trabalho e a Perícia Médica exigem análise contextualizada, não conclusões automáticas.
Na sua prática profissional, qual fator costuma ser mais negligenciado nas avaliações envolvendo fadiga ocupacional: duração da jornada, pausas, recuperação ou organização do trabalho?