13/12/2025
A narrativa de que a direita sofreu uma “derrota” com a revogação da magnitsky pelos EUA desaba quando se olha de perto os termos do acordo. A negociação envolve pontos extremamente sensíveis: a concessão de terras raras brasileiras para exploração norte-americana, o fim da censura nas redes sociais, o cancelamento de impostos contra as big techs, a colaboração ampliada do Brasil no combate ao crime organizado e o término da cooperação brasileira com a China no setor de satélites.
Se tais termos forem cumpridos, o presente de Trump à direita brasileira é gigantesco: o fim das restrições e da censura nas redes sociais, devolvendo ao povo — especialmente à base conservadora — a sua principal arma para fazer campanha no próximo ano. O fim dos impostos sobre as Big Techs dá mais dinheiro aos influencers que são de maioria absoluta de direita. Quanto à cooperação mais dura contra o crime organizado, esta afeta diretamente um dos pilares de financiamento político que, segundo acusações recorrentes, beneficia candidaturas de esquerda vinculadas a estruturas do narcotráfico. Ou seja: menos dinheiro para facções, menos estrutura para a esquerda e mais liberdade para derrotarmos os queridinhos da imprensa tradicional nas redes sociais.
Mas e se o acordo não for cumprido? Aí melhor ainda. Isso porque Trump tem histórico de dobrar sanções contra quem descumpre acordos com ele. Ou seja, o Brasil enfrentaria pressões ainda maiores, criando desgaste político imediato e abrindo mais espaço para a oposição conservadora explorar o tema antes mesmo do início oficial das campanhas.
Em qualquer cenário, o campo conservador sai fortalecido. Ou conquista liberdade total nas redes, maior lucro com monetização e o enfraquecimento de candidaturas financiadas por facções, ou conquista um clima de crise internacional perfeito para capitalizar politicamente.
E, enquanto isso, Nicolás Maduro — cúmplice do regime brasileiro — enfrenta o risco de queda. Ninguém sabe exatamente quais informações internas sobre o governo brasileiro podem chegar às mãos dos EUA se o regime venezuelano desmoronar.
Derrota? Difícil enxergar onde.
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