21/07/2026
O que fazer quando a escola reclama do seu filho??
Ele tem quase 7 anos, tem diagnóstico de TEA. Era aquela criança carinhosa, com pouca ou nenhuma rejeição, que fazia as atividades alegremente. De repente, algo muda. A escola te chama para relatar que seu filho ou sua filha começou a ser desafiante: bate na mesa, grita, joga os materiais no chão e se recusa a fazer a atividade.
Em primeiro lugar, respire e tenha calma. Isso é comum. A criança está passando por sobrecargas cognitivas. O que parece resistência é, na verdade, um pedido de socorro do sistema nervoso. Como se dissesse: “Não tenho processamento suficiente para isso agora.”
Frequentemente, crianças autistas têm desafios nas funções executivas , o conjunto de habilidades que usamos para planejar, inibir impulsos, alternar entre tarefas e manter a atenção. Quando a demanda ultrapassa a capacidade do cérebro de processar, o que se segue é recusa, ansiedade e comportamentos de evitação.
Isso é muito comum nessa faixa etária. É a idade em que a criança sai de um aprendizado mais lúdico e entra em um aprendizado mais concreto, com maiores cobranças acadêmicas. O cérebro está passando por uma reorganização intensa e no autismo, esse processo pode ser mais ruidoso e cansativo.
O que fazer, então?
1. Não encare como birra. É cansaço neurológico.
2. Peça à escola: redução da carga de tarefas, comandos mais curtos, mais pausas e mais mediação visual (mostre como se faz antes de pedir que faça sozinho).
3. Em casa, não interrogue sobre a escola ao chegar. Ofereça descanso sensorial (balanço, massagem, silêncio) e só depois, com calma, converse.
4. Valide o que ele sente: diga “Eu sei que está difícil. Vamos fazer um pouquinho e depois paramos.” Isso reduz a ansiedade e devolve a sensação de controle.
Seu filho não está contra você nem contra a escola. Ele está apenas dizendo, do jeito que consegue, que precisa de um novo jeito de aprender.