08/08/2026
Depressão é sempre foi carregada de fake News sobre no campo da saúde mental.
Se existe um mito que muitos acreditam ser verdade é de que a depressão tem como causa algo orgânico ou biológico. Na época de Freud, ela era vista como uma doença moral. As pessoas estavam mentindo, fingindo, ou, quando muito, tinham algum de problema no corpo que não podia ser verificado naquela época. Mas teorias não faltavam. Hoje, acredita-se em diversas causas mas que a ciência verdadeira nunca confirmou empiricamente.
Pensar a depressão como uma patologia apenas, como se uma mesma coisa fosse igual para todos os deprimidos é um equívoco. Freud em 1926 já tinha afirmado isso quando localiza que a depressão é um conjunto de sinais que pode indicar uma inibição ou um processo patológico sendo mais próximo de um sintoma.
Tratar a depressão como sintoma e não como doença é um baita avanço. Sim, pois não temos ideia - a princípio - de sua causa. O que sabemos é que há um processo de adoecimento em curso.
O problema é que não se pode tratar da mesma maneira uma depressão que é uma inibição e uma depressão que é um sintoma. Aqui Lacan nos ajuda com o nó borromeano nos mostrando que para cada caso temos intervenções distintas com efeitos distintos.
Quando a depressão se apresenta como sintoma precisamos pensar sempre em uma depressão que, assim como qualquer sintoma, é uma formação muito singular para dar conta de algo que é da ordem do insuportável. Sim, o sintoma vem como maneira de se defender de alguma coisa ainda pior para o Eu. Mas os psicoterapeutas geralmente não compreendem isso. Eles não conhecem a diferença radical do Eu na teoria de Freud e daquilo que a gente comumente chama de Eu.
Causas e possibilidades de intervenções distintas, chamar tudo de depressão concorre para o insucesso do tratamento.
É justamente isso que vamos trabalhar a partir do próximo encontro no seminário sobre: Inibição, Sintoma e Angústia na clínica contemporânea.