Claudia Gibellato - Psicologia

Claudia Gibellato - Psicologia Textos com abordagens de fácil compreensão e que podem auxliar a pessoa a reconhecer a sua dor. Levar a Psicologia de forma simples e tornar mais acessível

26/06/2026

Quando um atleta de alto rendimento fala sobre depressão, ele nos lembra de uma verdade que muitas vezes esquecemos: sofrimento emocional não escolhe profissão, sucesso ou reconhecimento.

Recentemente, Richarlison revelou que viveu um dos períodos mais difíceis da sua vida após a Copa do Mundo de 2022. Em meio à eliminação, problemas familiares, questões profissionais e dores físicas, ele descreveu a sensação de estar em um "poço sem fundo". Em determinado momento, relatou que pensou em jogar o carro contra uma parede.

Esse relato nos faz refletir sobre algo importante: nem sempre quem parece forte está bem.

Vivemos em uma sociedade que ensina muitas pessoas a esconderem a dor. Homens aprendem que precisam ser fortes o tempo todo. Atletas aprendem que precisam suportar a pressão. Pessoas bem-sucedidas sentem que não podem demonstrar fragilidade.

Mas o sofrimento psíquico não desaparece porque é ignorado.

A depressão muitas vezes não surge por um único acontecimento. Ela pode aparecer quando diferentes perdas, frustrações, cobranças, dores emocionais e sentimentos acumulados ultrapassam a capacidade que a pessoa possui de lidar com tudo aquilo.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. Reconhecer o próprio sofrimento exige coragem.

O relato de Richarlison também ajuda a combater um dos maiores preconceitos em relação à saúde mental: a ideia de que quem tem dinheiro, fama ou sucesso não sofre. Sofre. E, muitas vezes, sofre em silêncio.

Buscar apoio psicológico, aceitar ajuda e permitir-se ser cuidado podem ser passos fundamentais no processo de recuperação.

Porque ninguém deveria enfrentar suas batalhas internas sozinho.

autoconhecimento terapia

19/06/2026

Você acha que escolhe tudo de forma racional? Talvez não.

Antes mesmo de você perceber, seu cérebro já está interpretando pessoas, ambientes, expressões e cores. Grande parte das decisões que tomamos passa primeiro pelo emocional e só depois recebe uma explicação lógica.

É por isso que a forma como nos apresentamos ao mundo importa tanto. As cores que usamos, a maneira como nos vestimos, nossa postura e até a nossa expressão comunicam mensagens antes que qualquer palavra seja dita.

Não é apenas sobre estética. É sobre percepção. As grandes marcas entendem isso há décadas. Elas sabem que a emoção costuma chegar antes da razão. Sabem que confiança, segurança, energia e credibilidade podem ser transmitidas visualmente antes mesmo que alguém conheça um produto.

Mas essa reflexão vai além do marketing. Na vida também carregamos "cores emocionais". Muitas vezes acreditamos que estamos escolhendo livremente nossos comportamentos, quando, na verdade, estamos repetindo padrões construídos ao longo da nossa história.

Assim como uma imagem comunica antes da fala, nossas feridas também comunicam antes da consciência perceber.

Por isso, autoconhecimento é tão importante. Nem tudo o que fazemos nasce de uma escolha consciente. Muitas vezes nasce de experiências, emoções e memórias que continuam influenciando a forma como enxergamos o mundo.

Conhecer a si mesmo é aprender a diferenciar o que é escolha do que é repetição. E essa talvez seja uma das maiores formas de liberdade que existem.

29/05/2026

Muitas vezes, a raiva não nasce do ódio. Nasce da dor.

Algumas pessoas transformam a rejeição em rancor porque essa é a única forma que encontram de não sentir o abandono com tanta intensidade. O cérebro cria defesas emocionais para sobreviver ao que foi difícil demais suportar.

Às vezes, é mais fácil sentir raiva do que entrar em contato com a tristeza de não ter se sentido amado, escolhido ou protegido. E isso também acontece nas relações familiares.

Tem filhos que constroem uma admiração excessiva por um dos pais enquanto alimentam ressentimento pelo outro, não porque a história seja simples, mas porque emocionalmente precisaram organizar a dor de alguma forma para continuar existindo dentro daquele vínculo.

O problema é que, quando a dor não é compreendida, ela continua influenciando relações, escolhas e emoções na vida adulta.

A raiva pode parecer força. Mas, muitas vezes, ela é só uma proteção construída em volta de uma ferida antiga.

27/05/2026

Na construção da nossa identidade a criança começa sua busca intensa por pertencimento, aceitação, vamos tentando entender o próprio valor e procurando espaços onde nos sentimos visto e aceito.

E é justamente por isso que as palavras têm tanto peso.

Muitas vezes, frases ditas no impulso, críticas constantes, comparações ou rótulos acabam sendo internalizados de forma profunda. O individuo começa a transformar aquilo que escuta em verdade sobre si mesmo. E, sem perceber, pensamentos como “não sou suficiente”, “ninguém me entende” ou “eu sempre decepciono” passam a fazer parte da forma como ele se enxerga.

Aquilo que pensamos influencia diretamente nossas emoções e comportamentos. Ou seja: a maneira como uma pessoa interpreta o que vive pode impactar sua autoestima, suas relações e até a forma como ele vai lidar consigo mesmo no futuro.

Por isso, corrigir não deveria significar ferir. Orientar também é cuidar da forma como se fala, do tom usado, do espaço emocional que o ser humano recebe para existir sem sentir que precisa ser perfeito o tempo todo.

Porque enquanto descobrimos quem somos, muitas vezes ele acreditamos no que dizem a nosso respeito.

Às vezes a dor deixa de ser apenas uma experiência… e passa a ser a forma como a pessoa aprende a existir.Tem gente que ...
25/05/2026

Às vezes a dor deixa de ser apenas uma experiência… e passa a ser a forma como a pessoa aprende a existir.

Tem gente que passou tanto tempo tentando sobreviver emocionalmente, lidando com abandono, rejeição, medo ou falta de acolhimento, que aquilo começa a se misturar com a própria identidade. A dor vira rotina. Vira linguagem. Vira modo de se relacionar.

E então, mesmo quando algo machuca, ir embora parece impossível. Porque abandonar aquele lugar, aquela relação ou aquele padrão não dá a sensação de perder só uma situação… dá a sensação de perder parte de si mesmo.

Por isso mudar dói tanto. Porque não se trata apenas de deixar um comportamento para trás. Muitas vezes, é enfrentar o vazio de descobrir quem você é sem os mecanismos que te fizeram sobreviver até aqui.

Mas existe uma diferença importante entre aquilo que te protegeu um dia e aquilo que hoje te aprisiona. Nem toda dor merece continuar sendo casa.

22/05/2026

Esse vídeo é um convite para uma reflexão que vai muito além do que aparece na superfície.

Aqui não vemos apenas uma mãe sofrendo pelas escolhas da filha. O sofrimento dessa mãe é real, mas talvez a questão mais importante não esteja no que a filha escolheu, e sim no que existe por trás do olhar dessa mãe.

Muitas vezes, enxergamos a vida através das nossas próprias dores, medos, crenças e limitações. O que ela vê pode estar atravessado por ideias construídas ao longo da vida, por aquilo que aprendeu sobre certo e errado, pelo medo do julgamento, pela necessidade de aprovação e até por histórias que nunca foram elaboradas.

E enquanto isso, do outro lado, pode existir uma filha carregando uma dor silenciosa: a de fazer boas escolhas para si, mas ainda assim sentir que nunca é suficiente.

Como espectadores, talvez o exercício mais importante seja olhar sem julgamento. Porque isso abre espaço para perguntas maiores: quantas escolhas nossas foram realmente nossas? Quantas vezes deixamos de viver algo por medo do que diriam? Quantas vezes chamamos de amor algo que, na verdade, nos limitava, nos diminuía ou nos fazia abandonar partes de nós mesmos?

Existe algo muito doloroso nas relações familiares: a tentativa constante de caber no mundo do outro. E, às vezes, nessa tentativa, a pessoa vai se apagando aos poucos.

Nem sempre o amor nos mantém em lugares saudáveis. E amadurecer também é reconhecer que amar alguém nunca deveria exigir que deixássemos de existir para sermos aceitos.

20/05/2026

Você já percebeu como algumas pessoas estão sempre disponíveis? Escutam, acolhem, ajudam, percebem quando alguém não está bem e dificilmente dizem “não”. Mas, por trás dessa força que todo mundo enxerga, às vezes existe alguém profundamente cansado.

Em muitos casos, o cuidado excessivo não nasce apenas da generosidade. Surge também de necessidades emocionais antigas. Algumas pessoas aprenderam, ainda cedo, que precisavam ser úteis, fortes ou estar sempre presentes para receber amor, aprovação ou sentir que pertenciam.

E, sem perceber, passam a oferecer aos outros exatamente aquilo que desejariam receber.

Mas existe uma dor silenciosa em ocupar o lugar de quem sustenta todos ao redor: a sensação de nunca poder desmoronar, nunca precisar, nunca pedir.

Só que pedir cuidado não é fraqueza. Não é peso. Não é egoísmo.

Todo ser humano precisa, em algum momento, descansar em alguém. Precisa ter espaço para baixar a guarda, mostrar suas fragilidades, mudar de humor, cansar, chorar ou simplesmente existir sem precisar ser forte o tempo todo.

Quem passa a vida cuidando dos outros também merece sentir o que é ser acolhido.

O tempo passa de qualquer forma. Ele não espera que a gente esteja pronto, não pausa enquanto organizamos as dores e tam...
18/05/2026

O tempo passa de qualquer forma. Ele não espera que a gente esteja pronto, não pausa enquanto organizamos as dores e também não desacelera quando estamos tentando entender a própria vida.

Mas existe algo que faz diferença: a forma como atravessamos esse tempo.

Muita gente acredita que apenas o passar dos anos cura tudo. Mas o tempo sozinho não transforma dores que continuam sendo repetidas. Ele apenas faz a pessoa carregar por mais tempo aquilo que nunca foi olhado.

Mudam os cenários, mudam as pessoas, mudam as fases… mas quando a dor permanece sem compreensão, os ciclos tendem a se repetir.

Curar não é apagar a história. É permitir que ela deixe de decidir o rumo da sua vida.

Porque o tempo passa para todos.

A questão é: você está atravessando a vida repetindo feridas antigas ou criando espaço para novas histórias?

Nem sempre o corpo adoece apenas por causa de um vírus, de um cansaço físico ou de uma alteração biológica. Às vezes, el...
15/05/2026

Nem sempre o corpo adoece apenas por causa de um vírus, de um cansaço físico ou de uma alteração biológica. Às vezes, ele adoece porque está carregando emoções que ficaram tempo demais sem espaço.

Depois de situações muito difíceis, perdas, conflitos, sobrecargas ou dores emocionais intensas, é comum o corpo começar a responder. Como se ele dissesse, da única forma possível, aquilo que a mente tentou suportar em silêncio.

Tem gente que passa tanto tempo sendo forte, segurando tudo, funcionando no automático, que esquece que emoções também precisam ser sentidas. Mas o corpo não esquece.

O que não sai pela fala, muitas vezes sai pelo sintoma. Pelo esgotamento. Pela queda de energia. Pela tensão constante.

Isso não significa que “é coisa da sua cabeça”. Significa apenas que corpo e emoção caminham juntos.

E talvez adoecer, em alguns momentos, seja o limite que o corpo encontra para pedir cuidado.

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