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Dra Carolina Petrus Serviço médico especializado em saúde mental e qualidade de vida

Alguns diagnósticos não carregam apenas sintomas. Com o tempo, também acumulam histórias, imagens e medos que nem sempre...
16/09/2026

Alguns diagnósticos não carregam apenas sintomas. Com o tempo, também acumulam histórias, imagens e medos que nem sempre correspondem à realidade. 🧠

Quando ouvimos a palavra “psicose”, ideias de imprevisibilidade, descontrole e violência podem surgir antes mesmo de conhecermos a pessoa. De tanto ser repetida, essa associação começa a parecer uma conclusão clínica. Mas não é. 🔍

A relação entre psicose e violência é complexa. Fatores como histórico prévio de violência e uso problemático de álcool ou outras substâncias têm peso importante na avaliação de risco. A presença de sintomas psicóticos, sozinha, não permite prever como alguém irá agir.

Situações concretas de risco precisam ser avaliadas com responsabilidade, considerando sintomas, história, contexto, acesso ao tratamento e rede de apoio.

Avaliar risco faz parte do cuidado. Presumir perigo a partir de um diagnóstico faz parte do estigma.

E há outra dimensão importante: pessoas com transtornos mentais graves também estão mais expostas a agressões, abusos, negligência e outras formas de violência. Quando enxergamos apenas uma possível ameaça, podemos deixar de reconhecer alguém que também precisa de proteção. 🫂

O estigma interfere nos vínculos, aumenta o isolamento e pode afastar uma pessoa justamente do cuidado de que precisa.

Quando você ouve a palavra “psicose”, qual imagem aparece primeiro? 💭

Este é o terceiro conteúdo da minissérie sobre as associações entre “surto”, psicose, esquizofrenia, violência e internação psiquiátrica.

📚 Referências:
Lagerberg T et al. The British Journal of Psychiatry. 2025.
Fazel S et al. PLoS Medicine. 2009.
Khalifeh H et al. International Review of Psychiatry. 2016.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

Quando alguém começa a agir de uma maneira muito diferente, quem está por perto tenta encontrar uma explicação rapidamen...
03/09/2026

Quando alguém começa a agir de uma maneira muito diferente, quem está por perto tenta encontrar uma explicação rapidamente. É compreensível. O que assusta também desperta a necessidade de dar um nome. 🧠

Mas a intensidade de um comportamento não revela, sozinha, o que está acontecendo.

Em um episódio psicótico, a principal alteração está na forma como a pessoa percebe, interpreta ou organiza a realidade. Delírios, alucinações e desorganização do pensamento podem estar presentes, mas nem sempre aparecem da mesma maneira ou com a mesma intensidade. 🧩

Confusão, agitação, isolamento ou uma mudança brusca de comportamento também podem surgir em experiências muito diferentes. Olhar uma cena de fora, portanto, não é suficiente para concluir que alguém está em psicose. 👀

Na prática clínica, essa diferenciação exige uma investigação ampla: quando os sintomas começaram, quanto tempo duram, o que mudou no sono e no humor, quais medicamentos ou substâncias podem estar envolvidos e se há alguma condição clínica ou neurológica que precise ser considerada. 🔎

Não se trata apenas de encontrar um nome para aquela experiência. Uma avaliação cuidadosa orienta a conduta, evita diagnósticos precipitados e permite que cada pessoa receba o cuidado de que realmente precisa. 🤝

Antes de perguntarmos “qual transtorno essa pessoa tem?”, talvez exista uma pergunta mais importante:

O que pode estar acontecendo com ela? 💭

Este é o segundo conteúdo da minissérie sobre as associações que ainda fazemos entre “surto”, psicose, esquizofrenia, violência e internação psiquiátrica.

📚 Referências:
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 2022.
Lieberman JA, First MB. Psychotic Disorders. The New England Journal of Medicine. 2018.
Owen MJ, Sawa A, Mortensen PB. Schizophrenia. The Lancet. 2016.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

Uma palavra nunca é apenas uma palavra quando muda a forma como enxergamos alguém. 🧠Diante de uma mudança brusca de comp...
29/08/2026

Uma palavra nunca é apenas uma palavra quando muda a forma como enxergamos alguém. 🧠

Diante de uma mudança brusca de comportamento, é natural buscar uma explicação rápida. O problema começa quando essa pressa se transforma em certeza e passamos a interpretar sofrimento como perigo, desorganização como falta de caráter ou um episódio isolado como diagnóstico definitivo.

Na prática clínica, compreender o que está acontecendo exige uma avaliação ampla: histórico do paciente, início e duração dos sintomas, alterações de humor, medicamentos, uso de substâncias e possíveis condições clínicas ou neurológicas.

Essa investigação não serve apenas para definir um diagnóstico. Ela orienta o cuidado adequado e evita que uma pessoa seja reduzida ao momento mais difícil que está vivendo.

Este é o primeiro conteúdo de uma minissérie sobre as associações que ainda fazemos entre “surto”, psicose, esquizofrenia e violência. Nos próximos posts, vamos desmontar cada uma delas com informação e evidência científica. 🔍

📚 Referências:
Lieberman JA, First MB. Psychotic Disorders. The New England Journal of Medicine. 2018.
Owen MJ, Sawa A, Mortensen PB. Schizophrenia. The Lancet. 2016.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 2022.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

✨ Você já percebeu como a palavra “surto” pode mudar a maneira como enxergamos uma pessoa?

A internação involuntária acontece quando uma pessoa precisa de tratamento, mas não consegue reconhecer a própria condiç...
22/08/2026

A internação involuntária acontece quando uma pessoa precisa de tratamento, mas não consegue reconhecer a própria condição ou consentir com o cuidado naquele momento.

É uma medida delicada, que deve ser indicada por um médico e conduzida com técnica, sensibilidade e respeito. Durante todo o processo, a comunicação precisa ser clara e honesta, evitando confrontos, julgamentos ou promessas falsas.

Quando há agitação intensa ou risco imediato, a contenção física pode ser necessária, mas deve ser utilizada somente como último recurso e realizada por uma equipe capacitada, com supervisão e monitoramento constantes.

A internação involuntária não deve ser entendida como punição. É uma medida temporária de cuidado e proteção, que precisa preservar, acima de tudo, a segurança e a dignidade do paciente. 💜

📚 Referências:
Brasil. Lei nº 10.216/2001.
Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 746/2024.
Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Protocolo de Manejo da Agitação Psicomotora Aguda.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

✨ O que você acredita que não pode faltar em uma abordagem verdadeiramente humanizada?

Nem toda autoridade construída nas redes sociais é acompanhada por formação reconhecida e práticas baseadas em evidência...
11/08/2026

Nem toda autoridade construída nas redes sociais é acompanhada por formação reconhecida e práticas baseadas em evidências. 🛑

Quando a saúde é apresentada por meio de resultados garantidos, protocolos universais e soluções para problemas muito diferentes, é importante olhar além da promessa. 🔎 Verifique o CRM e o RQE do profissional, pergunte sobre riscos e evidências e procure uma segunda opinião sempre que necessário. Na medicina, informação, ética e responsabilidade precisam vir antes do marketing. ✨

📚 Referências:
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Hormônios implantáveis manipulados: proibição e alerta de segurança. 2024.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Soroterapia: promessas na internet não substituem evidências científicas. 2026.

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✨ O que costuma fazer você confiar em uma orientação médica encontrada nas redes sociais?

Amar também é cuidar. Mas o que acontece quando todo esse cuidado se volta para o outro e deixa pouco espaço para si? 💭O...
04/08/2026

Amar também é cuidar. Mas o que acontece quando todo esse cuidado se volta para o outro e deixa pouco espaço para si? 💭

O termo “amor patológico” tem sido utilizado na literatura científica para descrever um padrão repetitivo e difícil de controlar de cuidado e atenção direcionados ao parceiro. Nesse processo, a pessoa pode negligenciar a própria saúde, o trabalho, os vínculos sociais e outras necessidades importantes, mesmo percebendo que a relação provoca sofrimento. 🧠

Não se trata simplesmente de “amar demais”. O sinal de alerta está na perda de autonomia, na dificuldade de interromper esse comportamento e na permanência em relações insatisfatórias ou prejudiciais.

Também é importante diferenciar esse padrão do ciúme patológico. Enquanto o ciúme costuma estar mais relacionado à posse e ao controle, o amor patológico se manifesta principalmente pela entrega compulsiva e pelo apagamento de si em função do outro. 🔎

O amor patológico não é reconhecido como um diagnóstico independente pelo DSM-5-TR ou pela CID-11. Ainda assim, compreender esses comportamentos pode ajudar a identificar quando um vínculo deixa de ser um espaço de troca e passa a comprometer a saúde emocional.

Amar alguém não deveria significar desaparecer dentro da relação. 🤍

📚 Referências:

Sophia EC, Tavares H, Berti MP, et al. Pathological Love: Impulsivity, Personality, and Romantic Relationship. CNS Spectrums. 2009;14(5):268-274.

Stravogiannis ALDC, Kim HS, Sophia EC, et al. Pathological Jealousy and Pathological Love: Apples to Apples or Apples to Oranges? Psychiatry Research. 2018;259:562-570.

Sánchez-Fernández M, Almeda N, Borda-Mas M. Problematic Love Behaviors and Correlated Factors: A Systematic Review With Subgroup Meta-Analysis Including Gender/Sex Moderation. Archives of Sexual Behavior. 2026;55(3):1069-1089.

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✨ Em que momento o cuidado com o outro começa a ocupar o espaço do cuidado consigo?

Essa foto do Luca, curioso diante de um telefone analógico, me fez pensar sobre como as crianças de hoje constroem sua r...
23/07/2026

Essa foto do Luca, curioso diante de um telefone analógico, me fez pensar sobre como as crianças de hoje constroem sua relação com um mundo cada vez mais digital. ☎️💭

Quando falamos sobre telas na infância, não devemos observar apenas o tempo de uso. O tipo de conteúdo, a idade da criança, a presença de um adulto e o momento da rotina também fazem diferença. Além disso, é importante perceber o que pode estar perdendo espaço: o sono, o movimento, as conversas, as relações presenciais e as descobertas que acontecem quando a criança explora o ambiente ao seu redor.

A tecnologia faz parte da infância contemporânea e não precisa ser tratada como inimiga. O cuidado está em garantir que ela não se torne a única forma de brincar, aprender, se acalmar ou se relacionar com o mundo. 🧩🌿

Arraste para o lado e entenda por que as experiências fora das telas também são importantes para o desenvolvimento infantil. 💜

📚 Referências:

World Health Organization. Guidelines on Physical Activity, Sedentary Behaviour and Sleep for Children Under 5 Years of Age. Geneva: World Health Organization; 2019.

Mallawaarachchi S, Burley J, Mavilidi M, et al. Early Childhood Screen Use Contexts and Cognitive and Psychosocial Outcomes: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Pediatrics. 2024;178(10):1017-1026.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

✨ Como as telas e as experiências fora delas têm convivido na rotina das crianças da sua família?

Recentemente, conversamos sobre como o acolhimento, o pertencimento e os vínculos seguros podem proteger a saúde mental ...
15/07/2026

Recentemente, conversamos sobre como o acolhimento, o pertencimento e os vínculos seguros podem proteger a saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+. Para muitas famílias, porém, reconhecer a importância desse cuidado é apenas o primeiro passo. 💜

Durante um congresso em Porto Alegre, conheci o livro E agora, o que eu faço? Um guia para compreender e ajudar filhas/os/es LGBTQIAPN+. A obra reúne profissionais de diferentes áreas e aborda temas como sexualidade, identidade de gênero, relações familiares e desafios ligados à escola, religião, violência, preconceito e tabus. 📚

O livro me impactou por tratar com sensibilidade de uma dúvida muito real: como acolher quando ainda não se sabe exatamente o que dizer ou fazer? Nem sempre a falta de respostas significa falta de amor. Mas o amor também precisa se transformar em escuta, informação, respeito e disposição para aprender.

Acolher não é ter todas as respostas prontas. É não transformar dúvidas em silêncio, afastamento ou rejeição. É construir um ambiente no qual crianças e adolescentes saibam que não precisam esconder quem são para continuar sendo amados. ✨

Quando esse cuidado começa dentro de casa, pode fortalecer a autoestima, os vínculos e a saúde mental ao longo de toda a vida.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

O que você considera essencial para construir um ambiente verdadeiramente seguro e acolhedor?

💜 Existem heranças que não aparecem em um álbum de família.Elas vivem nas formas como aprendemos a lidar com o medo, com...
05/07/2026

💜 Existem heranças que não aparecem em um álbum de família.

Elas vivem nas formas como aprendemos a lidar com o medo, com o afeto, com os desafios e até com o silêncio. Algumas fortalecem. Outras podem ser ressignificadas.

As fotos deste carrossel foram feitas no último Dia das Mães e, para mim, ganharam um significado ainda mais especial ao falar sobre este tema. Elas representam três gerações de uma mesma família e nos lembram que, entre tudo o que atravessa o tempo, o cuidado talvez seja o legado mais importante que podemos construir.

Sem culpa. Sem determinismo. Com ciência, acolhimento e a certeza de que compreender nossa história também abre espaço para escrever novos capítulos.

➡️ Arraste para o lado e entenda como a saúde mental pode atravessar gerações e, principalmente, por que o cuidado continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de prevenção.

💬 Depois me conte: qual legado emocional você gostaria de deixar para quem vem depois de você?

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 | RQE 24747

SaúdeEmocional

🏳️‍🌈 Junho é marcado mundialmente como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, um período de reflexão sobre direitos, visibilidade e ...
28/06/2026

🏳️‍🌈 Junho é marcado mundialmente como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, um período de reflexão sobre direitos, visibilidade e inclusão. Em São Paulo, a Parada do Orgulho LGBTQIA+ reúne milhões de pessoas e reforça a importância de discutir temas que vão além da celebração: entre eles, a saúde mental.

Diversos estudos mostram que pessoas LGBTQIA+ apresentam taxas mais elevadas de ansiedade, depressão, sofrimento psíquico e comportamento suicida quando comparadas à população geral.

Mas existe um ponto fundamental nessa discussão: a orientação sexual e a identidade de gênero não são a causa desses desfechos.

O que a literatura científica demonstra é que fatores como preconceito, discriminação, violência, rejeição familiar, bullying, exclusão social e medo constante de julgamento contribuem significativamente para o adoecimento psíquico dessa população.

Esse fenômeno é conhecido como estresse de minoria, conceito amplamente estudado na psicologia e na psiquiatria. Segundo essa teoria, viver sob exposição frequente ao estigma social produz uma carga adicional de sofrimento emocional que pode impactar diretamente a saúde mental.

Por outro lado, fatores como acolhimento familiar, apoio social, pertencimento, representatividade e ambientes seguros estão associados a melhores indicadores de saúde mental e qualidade de vida.

Falar sobre saúde mental também é falar sobre respeito, inclusão e a possibilidade de existir sem medo.

📚 Referência:
Meyer IH. Prejudice, Social Stress, and Mental Health in Le***an, Gay, and Bisexual Populations: Conceptual Issues and Research Evidence. Psychological Bulletin. 2003;129(5):674-697.

🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747

✨ Você acredita que a sociedade tem avançado na construção de ambientes mais seguros e acolhedores para a população LGBTQIA+?

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