16/09/2026
Alguns diagnósticos não carregam apenas sintomas. Com o tempo, também acumulam histórias, imagens e medos que nem sempre correspondem à realidade. 🧠
Quando ouvimos a palavra “psicose”, ideias de imprevisibilidade, descontrole e violência podem surgir antes mesmo de conhecermos a pessoa. De tanto ser repetida, essa associação começa a parecer uma conclusão clínica. Mas não é. 🔍
A relação entre psicose e violência é complexa. Fatores como histórico prévio de violência e uso problemático de álcool ou outras substâncias têm peso importante na avaliação de risco. A presença de sintomas psicóticos, sozinha, não permite prever como alguém irá agir.
Situações concretas de risco precisam ser avaliadas com responsabilidade, considerando sintomas, história, contexto, acesso ao tratamento e rede de apoio.
Avaliar risco faz parte do cuidado. Presumir perigo a partir de um diagnóstico faz parte do estigma.
E há outra dimensão importante: pessoas com transtornos mentais graves também estão mais expostas a agressões, abusos, negligência e outras formas de violência. Quando enxergamos apenas uma possível ameaça, podemos deixar de reconhecer alguém que também precisa de proteção. 🫂
O estigma interfere nos vínculos, aumenta o isolamento e pode afastar uma pessoa justamente do cuidado de que precisa.
Quando você ouve a palavra “psicose”, qual imagem aparece primeiro? 💭
Este é o terceiro conteúdo da minissérie sobre as associações entre “surto”, psicose, esquizofrenia, violência e internação psiquiátrica.
📚 Referências:
Lagerberg T et al. The British Journal of Psychiatry. 2025.
Fazel S et al. PLoS Medicine. 2009.
Khalifeh H et al. International Review of Psychiatry. 2016.
🩺 Dra. Carolina Petrus | CRM 35386 • RQE 24747