15/10/2026
Meu posicionamento é à esquerda porque não acredito em uma psicologia que ignore as condições sociais que produzem sofrimento.
Wilhelm Reich nos ajuda a compreender que o autoritarismo não se sustenta apenas pela força: ele também encontra espaço na formação dos sujeitos, na repressão dos desejos, no medo da liberdade e na necessidade de pertencimento.
O fascismo não é somente um projeto de poder; é também um fenômeno que atravessa relações, afetos e modos de existir.
Freud, em O Mal-Estar na Civilização, nos confronta com os conflitos entre o indivíduo e a vida em sociedade.
Mas que sociedade estamos construindo quando a desigualdade é naturalizada, a exploração é tratada como mérito e a exclusão é convertida em culpa individual?
Como psicólogo corporal reichiano e especialista em Psicossomática, compreendo o corpo como parte de uma história que não começa nem termina no indivíduo.
O sofrimento tem uma dimensão singular, mas também é atravessado pelas relações, pelo trabalho, pela precariedade, pela violência e pelo acesso — ou pela falta de acesso — aos direitos fundamentais.
Não existe saúde mental sem políticas públicas, inclusão social e condições dignas de existência.
Ser de esquerda, para mim, é recusar a naturalização do sofrimento e questionar as estruturas que o produzem, reproduzem e legitimam.
Porque uma sociedade que exige adaptação à injustiça, mas chama de doença o sofrimento de quem não consegue suportá-la, precisa ser questionada.
E porque o corpo que a gente escuta não grita sozinho: ele também expressa o mundo em que vive.