23/03/2026
Se pedirmos a um cartunista que faça uma representação nossa, ele não começa pelo todo. Ele observa os contornos: o formato do rosto, dos olhos, dos lábios, do nariz e até aquela pequena pinta que quase ninguém nota. E, de contorno em contorno, ele constrói uma imagem, uma forma do que vê.
Em uma análise, algo semelhante acontece.
Ao analisando é feito um convite: falar livremente. Com isso ele vai construir, aos poucos, uma narrativa. Dar bordas e contornos àquilo que angustia. Nem sempre as palavras fazem sentido imediato, há repetições, trocas, silêncios e sentimentos difíceis de nomear.
Mas há um trabalho acontecendo no percurso.
Algo vai se construído: uma representação do que se diz de si. Os contornos começam a ganhar forma, os detalhes antes despercebidos passam a pedir atenção e pouco a pouco, uma imagem vai emergindo.
A imagem de si, não uma inédita, mas uma reconhecida a partir de contornos que sempre estiveram ali.