23/09/2026
Ansiedade pode afetar a memória e a concentração?
Sim. E compreender esse mecanismo ajuda a diferenciar “falha de memória” de uma dificuldade momentânea de atenção e processamento de informações.
Quando estamos ansiosos, o cérebro direciona parte dos seus recursos para a detecção e monitoramento de possíveis ameaças. A preocupação constante pode competir com os recursos cognitivos necessários para manter a atenção, manipular informações e registrar novas memórias.
Na prática, isso pode aparecer como:
• dificuldade para manter o foco em uma tarefa;
• esquecer algo que acabou de ouvir;
• precisar reler várias vezes o mesmo conteúdo;
• dificuldade para encontrar uma palavra;
• sensação de “mente vazia” durante uma conversa ou prova;
• maior dificuldade para organizar pensamentos e tomar decisões.
Do ponto de vista da neurociência, a ansiedade envolve circuitos relacionados à resposta emocional e à atenção, enquanto funções como memória de trabalho, controle atencional e planejamento dependem fortemente de redes do córtex pré-frontal. Quando a preocupação ocupa muitos recursos cognitivos, o desempenho nessas funções pode ser prejudicado.
Isso não significa, necessariamente, que a ansiedade esteja “apagando” memórias ou causando uma lesão cerebral. Muitas vezes, o que a pessoa interpreta como “minha memória está ruim” começa, na verdade, por uma dificuldade de atenção e codificação da informação.
Além disso, ansiedade persistente, estresse e alterações do sono podem potencializar essas dificuldades.
Por isso, diante de queixas frequentes de memória e concentração, é importante considerar o contexto clínico e investigar diferentes fatores — ansiedade, sono, humor, estresse, TDAH, medicamentos e outras condições podem produzir sintomas semelhantes.
Cuidar da saúde mental também é cuidar das funções cognitivas.