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Poderia escrever tantas coisas para falar sobre o que foi, para mim, essa Flip. Mas ela resolveu se contar em poema. *Co...
30/07/2026

Poderia escrever tantas coisas para falar sobre o que foi, para mim, essa Flip. Mas ela resolveu se contar em poema.

*

Como tocar o indizível?
Pescar esse peixe com as mãos
Devolvê-lo ao mar
Como tocar o indizível?
Essa fagulha que acossa o corpo
Não deixa calar
Como tocar o indizível?
Do exato momento em que é preciso parar de brigar com o corpo
Deixá-lo cair
Como tocar o indizível?
Viajar sozinha
Nunca estar só
Como tocar o indizível?
O momento de parar
Como tocar o indizível?
Ainda imersa
Imensa
Como tocar o indizível?
Tirar as roupas dos cabides
Colocá-las em outro lugar
Como tocar o indizível?
Dobrá-las como se dobram as palavras
Como tocar o indizível?
Achar a palavra para dizer das mulheres que carregam o vento do mundo nos dentes
Como tocar o indizível?
Do som da vida que insiste lá fora
Como tocar o indizível?
Dessa marca que agora carrego no joelho esquerdo
Como tocar o indizível?
Do que foi intenso
Como tocar o indizível?
Disso que não sei parar
Como tocar o indizível?
Que vi.vendo

Como tocar o indizível

E, por fim, que também é começo. Lisboa, essa cidade que chamei de minha e que me soa estranhamente familiar. Suas ruas,...
09/07/2026

E, por fim, que também é começo. Lisboa, essa cidade que chamei de minha e que me soa estranhamente familiar. Suas ruas, vielas, paisagens e festas.

Foi em um lugar novo, desconhecido, que fiz o primeiro lançamento do livro em Portugal. Curioso pensar que lancei a palavra no desconhecido. Porque é assim: palavra dita, palavra perdida. Assim como o livro, assim como as histórias que estão lá.

A Marina que viveu, a Marina que escreveu, e a Marina que lançou definitivamente não são as mesmas. Me perguntaram o que ser uma mulher migrante tinha a ver com o livro. Acho que ser mulher é ser um ser migrante; somos tantas no nosso eterno torna(r)-se(r). Ser migrante é trazer em si a mudança.

Lisboa presenciou uma mulher partir e uma mulher voltar: distintas, similares, nunca iguais. A mulher não existe; contamos-nos uma a uma, como já nos advertiu Lacan.

Já que terminei pelo começo-fim-começo, quero agradecer aos amigos que são esse eterno vai e vem, entre encontros e despedidas. Agradeço, em especial, à amiga que é também casa, Calra; à amiga Francis, que esteve ao meu lado nesse lançar. Agradeço às amigas Diana, Maria e Mariana por darem voz aos poemas. E à Livraria Snob, que abriu seu lugar tão familiar para que amigos tão queridos pudessem estar comigo neste lançamento — que nunca tem fim. Afinal, o real é aquilo que não cessa de não se inscrever.

Escrevo estes textos do avião, voltando para o Brasil, sobrevoando algum lugar do oceano. E, por falar em oceano, quais são as histórias por trás das histórias das mulheres que conhecemos?

Espero que aproveitem o mergulho.

*

Ao rever essas fotos percebo o quão importante é ser migrante e ter coragem de fazer esse(s) lançamento(s) rumo ao desconhecido.

Já que comecei em retrospectiva, resolvi seguir assim.Ao decidir voltar a Portugal, em 2026, resolvi fazê-lo na época da...
02/07/2026

Já que comecei em retrospectiva, resolvi seguir assim.

Ao decidir voltar a Portugal, em 2026, resolvi fazê-lo na época da Feira do Livro de Lisboa.
Eu, que tantas vezes, durante o mestrado, escutei que não sabia escrever em português correto (?!?), resolvi voltar com um livro. Meu corpo livre, meu corpo livro.

A palavra mata a coisa e, de certa forma, esse é também meu testemunho disso. Escutar meu nome sendo anunciado nos alto-falantes da feira, no parque em que fui tantas vezes para escrever.

Nome, livro, livre.

Agradeço ao wladimir vaz mourão , editor do braço português da Editora Urutau , pelos registros e por dizer: "Escutou? Falaram o seu nome agora."

Agradeço à minha amiga querida Annie que esteve ao meu lado em tantos momentos e escritas.

E agradeço à minha analista, por toda escuta, silêncios e pontuações. Esse atravessar e testemunho não seriam possíveis sem o seu ofício e meu trabalho.

Eu, que venho de uma avó que não sabia assinar o próprio nome, tive o meu anunciado em uma feira literária.

A palavra mata a coisa, coração.

Resolvi começar pelo fim, que é também começo.Em 2016, quando me mudei para Portugal, cheguei a Braga sem saber o que vi...
22/06/2026

Resolvi começar pelo fim, que é também começo.

Em 2016, quando me mudei para Portugal, cheguei a Braga sem saber o que viria. Foram tantas descobertas. Estar no jardim da Centésima Página me acalmava, era como estar em um lugar conhecido. Salas com estantes cheias de livros sempre tiveram esse efeito em mim.

Foi ali, naquele jardim, que senti o chão tremer pela primeira vez. Eu tremia havia muito tempo. Só depois fui saber a palavra para aquela coisa que senti: era terremoto, ou sismo, como dizem por lá. Eu, quando cismo com uma coisa, também faço a terra tremer.

Cismei que faria esse mesmo trajeto dez anos depois. Calhou de voltar com um livro, agora não era apenas eu que era lançada ao mundo.

Um livro meu. Tantas histórias. Nenhuma delas é mais minha. A palavra mata a coisa. Mas é com ela também que a gente joga, que a gente cria.

Agradeço aos amigos e desconhecidos que estiveram lá comigo neste momento tão especial. Agradeço à amiga Marina, que me ajudou nesse(s) caminho(s), obrigada por estar ao meu lado. Agradeço à amiga Liliane pelas fotos lindas e pelo olhar que encontra luz. Agradeço à amiga Stela por dar voz ao poema. Agradeço à livraria Centésima Página por abrir esse mesmo jardim, agora, para a também escritora.

Lançar é também dar nome.
Que bom é nome.ar.

A última semana foi intensa: dois lançamentos, uma sessão de autógrafos, um congresso de psicanálise e duas cidades dife...
11/06/2026

A última semana foi intensa: dois lançamentos, uma sessão de autógrafos, um congresso de psicanálise e duas cidades diferentes.

Depois volto, com mais calma, para colocar em palavras algo do que foi vivido.

Por ora, f**a o registro.

O ano era 2016. Um dia lindo de sol, céu azul daqueles em que não se avista nenhuma nuvem. O termômetro marcava 1°C, com...
05/06/2026

O ano era 2016. Um dia lindo de sol, céu azul daqueles em que não se avista nenhuma nuvem. O termômetro marcava 1°C, com sensação térmica de zero. Saí de casa para aproveitar o dia, já que eu tinha desenhado um sol no vidro da janela. Braga, quando chove, tem água para um mês inteiro.

Sentei-me no jardim da Centésima Página, pedi o meu chá e lembro-me de sentir o chão tremer e pensar: “Nossa, nunca tinha sentido o metro passar aqui”. Acontece que não há metro em Braga. Eu tinha acabado de passar pelo meu primeiro terremoto.

Escrever é fazer tremer. Lançar é o meu terremoto.

A alegria de poder convidar os amigos para o lançamento de A palavra mata a coisa, na livraria Centésima Página, um dos meus lugares preferidos em Braga, é como aquele sol da manhã.

Convido vocês para participarem comigo de mais este lançamento. Chegou a hora de voltar a Braga e desenhar mais um sol na janela.

Vem lançar comigo?

Dia 09/06, às 18h30, na livraria Centésima Página, em Braga.

Me lembro da primeira vez que sentei na grama do Parque Eduardo VII para escrever em meu diário. Era 2017, e eu tinha re...
28/05/2026

Me lembro da primeira vez que sentei na grama do Parque Eduardo VII para escrever em meu diário. Era 2017, e eu tinha recém me mudado para Lisboa.

A palavra sempre foi meu jeito de matar a coisa, e, na época, a escrita era a única saída.

Volto dez anos depois do ano em que me mudei para Portugal para reencontrar amigos e caminhos.
Volto para lançar "A palavra mata a coisa" e para participar de uma sessão de autógrafos na Feira do livro de Lisboa.

A Marina de anos atrás nem sonhava com esse desfecho de hoje. Lançar e autografar palavras pelo mundo.
Do íntimo ao público.

Vem me encontrar na sexta, dia 05/06, às 18h, no pavilhão H38, no stand da Editora Urutau.

Não há ponto de retorno após se lançar no mundo.

Voemos!
Palavra.

Depois de lançar na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, na Flip — Festa Literária Internacional de Paraty — e em Brasília...
25/05/2026

Depois de lançar na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, na Flip — Festa Literária Internacional de Paraty — e em Brasília, o desejo apontou outra vez para o outro lado do oceano. Neste além-mar que já foi casa, chego para me lançar, mais uma vez, na “terrinha”.

Não há ponto de retorno após se lançar no mundo — e na vida.

No dia 04/06, às 18h30, na Livraria Snob, em Lisboa, convido toda a gente para uma conversa sobre essas e outras histórias.

“A palavra mata a coisa” foi uma das formas que encontrei para retornar às minhas memórias, já que não temos acesso à coisa em si, como nos advertiu a psicanálise. Foi através da palavra que pude revisitar aquilo que se repetia e contar, de um outro lugar, as histórias por trás das histórias — e do que foi, para mim, ter nascido mulher.

Do útero ao oceano, estão tod@s convidad@s a navegar pelas águas das minhas memórias femininas, que, de tão íntimas, podem soar familiares.

8M*A palavra mata a coisa
08/03/2026

8M

*
A palavra mata a coisa

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