Marcio Rocha

Marcio Rocha Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Marcio Rocha, Serviço de saúde mental, Edifício Tower Office Center Rua Monsenhor Gonzalez nº 618/Sala 105, Manhuaçu.

Graduado em Psicologia, com especialização em Dependência Química na Universidade Federal de São João Del-Rei, UFSJ, Márcio também é Mestre em Psicanálise pela Universidad de Léon, UNILEON, Espanha.

29/05/2026

A coragem de ser quem se é

No filme Minha Querida Senhorita, conhecemos Adela, uma mulher que passou a vida inteira tentando caber nas regras de uma sociedade rígida, até que uma revelação médica vira seu mundo de cabeça para baixo.

O filme traz um diálogo que é um verdadeiro soco no estômago sobre a nossa necessidade de adequação. Em certo momento, Adela constata: “O que todo mundo considera normal são as desculpas que os covardes dão para viver sem surpresas.”

Essa ruptura com o “normal” dialoga perfeitamente com o livro Despatologizar o sujeito trans, do psicanalista Fabián Fajnwaks. Apoiado em Lacan, ele nos lembra que a identidade não deve ser reduzida à biologia. O ser sexuado se autoriza por si mesmo, longe das amarras de um mundo que tenta tratar a diversidade como doença.

Isso f**a cristalizado na belíssima cena do espelho no filme, que nos deixa a mensagem mais forte de todas: não é o corpo que torna alguém mulher, mas o que as entranhas gritam!

A jornada de Adela e a leitura de Fajnwaks nos mostram que a verdadeira transgressão não é ser quem se é, mas sim a covardia de uma sociedade que cria leis para não ter que lidar com a liberdade alheia.

21/05/2026 -   37 – O dia no consultórioA neurose tenta responder aquilo que talvez não tenha resposta.E, muitas vezes, ...
22/05/2026

21/05/2026 - 37 – O dia no consultório

A neurose tenta responder aquilo que talvez não tenha resposta.

E, muitas vezes, o sintoma nasce exatamente dessa tentativa de evitar a falta.
Freud acreditava, inicialmente, que ao interpretar o sintoma — ao transformá-lo em palavra — o corpo poderia se liberar do sofrimento.

Como se o sintoma fosse uma metáfora do inconsciente esperando para ser decifrada.
Mas a clínica mostrou seus limites.
Alguns sujeitos pioravam justamente quando se aproximavam da cura (reação terapêutica negativa).

Diante da possibilidade de um término, algo insistia.
Como se nem tudo no sujeito quisesse abrir mão do sofrimento.
Foi aí que Freud encontrou um ponto fundamental:
nem tudo se resolve pelo sentido.

Lacan radicaliza essa questão ao mostrar que existe um excesso que escapa à linguagem.

Há sintomas que não desaparecem apenas porque foram compreendidos.
Há marcas que atravessam o corpo, modos de gozo, angústias e repetições que a interpretação, sozinha, não elimina.
Talvez por isso sofrimentos tão presentes hoje — como a fobia social, o medo do olhar do outro, a dificuldade de existir publicamente — revelem algo dessa nova clínica:
não apenas a clínica da falta, mas também a clínica do excesso.

Em análise, nem sempre encontramos respostas prontas.
Mas podemos aprender a sustentar nossas perguntas sem adoecer nelas.
Porque amadurecer psiquicamente talvez não seja eliminar toda falta —
mas deixar de exigir de si respostas impossíveis.

15/05/2026

“‘Não é aquilo que falta que eu vou perder. É no que a alma exalta que eu escolho viver.’

Na Psicanálise, a gente aprende que a vida nunca será completa.
Sempre vai existir falta, frustração, dor.

Mas o sofrimento aumenta quando a pessoa acredita que só poderá viver quando tudo estiver resolvido.

A análise ajuda justamente nisso:
a construir sentido,
a compreender as próprias dores,
e a perceber que é possível existir com mais verdade, mesmo sem ter tudo.

Porque, no fim…
saúde emocional não é ter uma vida perfeita.
É conseguir sustentar quem você é.”

Hoje vivemos mais um importante momento do Curso Nós na Rede, promovido pela Fiocruz, em Caratinga/MG. O encontro foi ma...
14/05/2026

Hoje vivemos mais um importante momento do Curso Nós na Rede, promovido pela Fiocruz, em Caratinga/MG.

O encontro foi marcado por muita troca de experiências, escuta, reflexão coletiva e construção dos “Mapas Falantes”, uma atividade que nos permitiu olhar para os territórios, suas redes de cuidado, potências, desafios e histórias.

Entre diálogos, memórias e vivências, fortalecemos a compreensão de que o cuidado em saúde mental se constrói de forma coletiva, no território e em rede.

Seguimos aprendendo, compartilhando saberes e reafirmando a importância da atenção psicossocial, da inclusão e do cuidado humanizado.

08/05/2026 -   36 – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”Cuidar do meu jardim no apartamento me...
08/05/2026

08/05/2026 - 36 – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

Cuidar do meu jardim no apartamento me lembra isso todos os dias. As plantas respondem ao cuidado com beleza, crescimento e silêncio cheio de gratidão. É um vínculo simples, mas verdadeiro — basta presença, paciência e afeto.

Pena que com as pessoas nem sempre é assim. Nem todo laço floresce do mesmo jeito.
Ainda assim, sigo escolhendo cultivar o que vale a pena — na terra, na vida e no coração.

01/05/2026 -   35 – 1º de Maio, Dia do Trabalhador, à luz da Psicanálise  O Dia do Trabalhador costuma evocar lutas hist...
01/05/2026

01/05/2026 - 35 – 1º de Maio, Dia do Trabalhador, à luz da Psicanálise

O Dia do Trabalhador costuma evocar lutas históricas e direitos conquistados, mas a psicanálise amplia esse olhar ao revelar o mal-estar subjetivo que atravessa o trabalho na vida contemporânea.

Em O Mal-Estar na Civilização (1930), Freud argumenta que a cultura exige a renúncia das pulsões — sobretudo agressividade e sexualidade — como condição de convivência. O trabalho surge aí como eixo organizador, proteção contra o desamparo e forma de pertencimento. Ao mesmo tempo, transforma-se em fonte de culpa, exigência e sofrimento, alimentado pelo superego cultural que demanda produtividade incessante.

Na sociedade do cansaço descrita por Byung-Chul Han, a coerção já não vem de fora: o próprio sujeito se converte em fiscal de si mesmo, acreditando precisar “dar conta de tudo”. O resultado é um cenário de burnout, ansiedade e exaustão, em que as fronteiras entre vida e trabalho se apagam e o descanso passa a ser visto como inadequação.

Lacan também ajuda a pensar esse impasse ao aproximar o mais-de-gozar da mais-valia marxista. Se Marx descreve o excedente econômico apropriado pelo capital, Lacan mostra o sujeito contemporâneo capturado por um circuito de desejo infinito: sempre buscando “mais”, sempre reencontrando a falta. É o motor subjetivo que sustenta o discurso do capitalista e mantém o trabalhador preso à lógica da performance.

Por isso, neste 1º de maio, a psicanálise lembra que dignidade no trabalho não é só salário, carga horária ou contrato — é também saúde psíquica, direito ao ócio, ao limite, ao desejo e à vida que não se reduz à produtividade.

Lacan

29/04/2026

O que fazemos com nossos restos? Vergonha, honra e singularidade

No vídeo, falo sobre a ideia de Miller de que nossa “salvação” não vem dos ideais, mas dos restos — aquilo que tentamos esconder, o que nos causa vergonha, o que não cabe na imagem perfeita de nós mesmos.

A psicanálise mostra que é justamente esse pedaço rejeitado que carrega nossa singularidade. Vergonha e honra aparecem aí:
a vergonha tenta apagar o resto;
a honra é conseguir sustentá‑lo sem recuar de si.

É aprendendo a lidar com esses “dejetos” que algo realmente novo pode nascer na vida de cada sujeito.

22/04/2026 -   34 – Entre o desejo próprio e o ideal do outroO desejo nem sempre aponta para aquilo que realmente nos fa...
22/04/2026

22/04/2026 - 34 – Entre o desejo próprio e o ideal do outro

O desejo nem sempre aponta para aquilo que realmente nos faz bem. Muitas vezes, ele se confunde com imagens de felicidade, sucesso e plenitude que vemos no outro — especialmente nas redes sociais — e passamos a desejar o que não é nosso.

A psicanálise nos lembra que o sujeito não é totalmente transparente para si mesmo: desejamos a partir de faltas, idealizações e fantasias que nem sempre reconhecemos.

Por isso, é importante distinguir o desejo próprio do ideal do outro. Nem tudo o que parece felicidade no outro corresponde ao que precisamos para nós. Quando nos deixamos capturar por essas aparências, corremos o risco de nos afastar da nossa singularidade e virar reféns de desejos que não nos pertencem.

A psicanálise, nesse sentido, não oferece respostas prontas. Ela abre espaço para que cada sujeito possa escutar a si mesmo, compreender sua história e encontrar o que, de fato, lhe diz respeito.

20/04/2026

O luto nos lembra que a dor da perda não desaparece de imediato, mas pode se transformar em memória, presença e cuidado. Inspirado nas reflexões de Christian Dunker e Ana Cláudia Quintana Arantes, este vídeo fala sobre finitude, acolhimento e a importância de aprender a viver com mais sentido.
Pensar a morte não nos afasta da vida — ao contrário, pode nos ensinar a viver com mais verdade, mais coragem e mais presença. Em tempos em que tantas perdas nos atravessam, falar de luto é também falar de humanidade, vínculo e amor que permanece.

17/02/2026 - Foco na “Verdade da Máscara” e nos Corpos Muitos posts nos lembra que o Carnaval é resistência e elaboração...
18/02/2026

17/02/2026 - Foco na “Verdade da Máscara” e nos Corpos

Muitos posts nos lembra que o Carnaval é resistência e elaboração de sentidos. E, vivendo o Carnaval de 2026 nas ruas de Belo Horizonte, o que vi foi a Psicanálise acontecendo a céu aberto.

Dizem que no Carnaval usamos máscaras para esconder quem somos. Minha escuta (e meu olhar) captaram o oposto: a fantasia hoje não esconde, ela marca o sujeito. Ela escancara a verdade que o cotidiano reprime.

Vi a dissolução das fronteiras rígidas entre o masculino e o feminino. A vaidade, antes território do “Outro” feminino, migrou. Corpos masculinos esculpidos, narcísicos, criados não para o olhar da mulher, mas para o olhar do semelhante — homens ‘competindo’ corpos para homens. Uma liberdade que circulava fluida, onde a diversidade era a regra, não a exceção.

E o que dizer da Lei? A Polícia Militar pedindo “com licença” e agradecendo ao passar entre os foliões me fez pensar na função da autoridade quando ela opera a favor do laço social, e não contra ele.

O Carnaval é uma política escancarada do desejo. É a prova de que a alegria, como diria Freud sobre o chiste, é uma economia de repressão que libera energia vital. Viva a folia, viva a liberdade de ser!

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