29/05/2026
A coragem de ser quem se é
No filme Minha Querida Senhorita, conhecemos Adela, uma mulher que passou a vida inteira tentando caber nas regras de uma sociedade rígida, até que uma revelação médica vira seu mundo de cabeça para baixo.
O filme traz um diálogo que é um verdadeiro soco no estômago sobre a nossa necessidade de adequação. Em certo momento, Adela constata: “O que todo mundo considera normal são as desculpas que os covardes dão para viver sem surpresas.”
Essa ruptura com o “normal” dialoga perfeitamente com o livro Despatologizar o sujeito trans, do psicanalista Fabián Fajnwaks. Apoiado em Lacan, ele nos lembra que a identidade não deve ser reduzida à biologia. O ser sexuado se autoriza por si mesmo, longe das amarras de um mundo que tenta tratar a diversidade como doença.
Isso f**a cristalizado na belíssima cena do espelho no filme, que nos deixa a mensagem mais forte de todas: não é o corpo que torna alguém mulher, mas o que as entranhas gritam!
A jornada de Adela e a leitura de Fajnwaks nos mostram que a verdadeira transgressão não é ser quem se é, mas sim a covardia de uma sociedade que cria leis para não ter que lidar com a liberdade alheia.