Psicóloga Michelle Bacini

Psicóloga Michelle Bacini Psicoterapia de Orientação Psicanalítica

Hoje, no Dia das Mães, gostaria de compartilhar com vocês alguns trechos do capítulo do livro do qual participei e que t...
10/05/2026

Hoje, no Dia das Mães, gostaria de compartilhar com vocês alguns trechos do capítulo do livro do qual participei e que trata sobre o maternar:
“Há de se considerar que a maternidade, nos dias de hoje — mesmo após tantas mudanças sociais e históricas com relação ao papel e ao lugar da mulher na sociedade —, ainda está associada predominantemente a emoções boas, ao amor e a algo que guarda semelhança com o sagrado. Sobre isso, Badinter (1985), ao falar do suposto instinto materno, comenta que o tema permanece associado ao sagrado e que ‘continua difícil questionar o amor materno, e a mãe permanece, em nosso inconsciente coletivo, identif**ada a Maria, símbolo do indefectível amor oblativo’ (p. 10).”

Mas quais são as implicações disso na mente de uma mãe? Como se sente a mulher que não vive somente essa plenitude do sagrado? Que não experimenta a mágica instantânea resumida na frase “nasce um bebê, nasce uma mãe”? Se o bebê demora um tempo para perceber que nasceu, e a mãe? Será que não existe um tempo diferenciado e subjetivo para que cada mulher se dê conta de seu novo lugar e função?

Identifiquei-me com a fala de uma mãe de primeira viagem, citada no livro de Ferrari (2023): “Eu não fazia ideia de que tudo ia mudar. Não imaginava que eu ia deixar alguém para trás, que era eu mesma”. A experiência inaugural da maternidade nos coloca diante do paradoxo do encontro e da separação: “O parto vem de nascimento, mas é uma partida também. Vem alguém, eu pari alguém, mas eu também parti”.

Esses trechos condensam questões importantes sobre o maternar: a culpa pesada que muitas mulheres carregam por sentirem emoções contraditórias e o conflito identitário gerado pela inclusão da função materna em suas vidas.

Já vivi e vivo essas questões na pele; também já acompanhei, na clínica, muitas mulheres atravessadas por esses dilemas. Posso dizer que reconhecer e integrar todos os afetos — mesmo aqueles sentidos como uma heresia inconfessável — é parte fundamental do trabalho de construção do maternar: essa dança relacional, singular e tão humana.

Feliz Dia das Mães! Um salve às maternidades possíveis.
Abraço carinhoso,
❤️

Certa vez li algo que dizia mais ou menos assim: “o que faz de uma refeição um verdadeiro banquete não são os pratos nem...
27/04/2026

Certa vez li algo que dizia mais ou menos assim: “o que faz de uma refeição um verdadeiro banquete não são os pratos nem a bebida, mas aqueles que nos acompanham à mesa”. Essa frase fez muito sentido com aquilo que vivo em minhas relações familiares e de amizade, pois realmente faz toda a diferença as companhias que temos nos bons e maus momentos da vida.

Lidamos com a relação de dependência do outro desde os primórdios. Enquanto bebês, precisamos do outro para sobreviver, mas, à medida que vamos crescendo, caminhamos rumo à independência. Ainda assim, ela é relativa, pois somos seres de relação e nos desenvolvemos a partir delas.

Ao longo da vida, transitamos entre várias relações, mas hoje quero falar sobre as amizades, esses vínculos que escolhemos criar, sustentar e manter ao longo do tempo. É muito bom ter com quem celebrar as conquistas e também contar com amparo nos momentos difíceis.

Neste ano de 2026, faz 22 anos que me formei em Psicologia. Recentemente, me reuni com algumas amigas da faculdade e rememoramos o início da profissão, com tanto desejo e, ao mesmo tempo, tanto medo de começar a trabalhar.

Começar a atender na clínica gerou muita turbulência emocional, mas estar acompanhada de minhas amigas fez toda a diferença. Quando saímos da faculdade, mal havíamos colado grau e já estávamos nos organizando para montar nosso espaço. Parte dele era compartilhada, dividíamos a sala de atendimento infantil. Entretanto, compartilhávamos muito mais do que a sala: também os medos e os sonhos. Essa amizade que nasceu na faculdade, no bloco 27 da UEM, felizmente se estendeu para a vida.

Ao longo dos anos, esse quarteto de amigas que escolheu iniciar juntas a profissão foi se transformando. Tomamos caminhos distintos, conquistamos espaços individuais, mas, felizmente, mantivemos nosso vínculo, que perdura até hoje.

Hoje, quero agradecer a vocês, Angélica, Marisa e Mayra, pela companhia nesse início de profissão e também pelo privilégio da amizade ao longo desses anos. Vocês fizeram e fazem toda a diferença em minha vida. Obrigada por tanto. Amo vocês! ❤️💙💛💜
Com carinho da amiga Mi

OU ISTO OU AQUILO – CECÍLIA MEIRELES Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a l...
17/04/2026

OU ISTO OU AQUILO – CECÍLIA MEIRELES

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não f**a no chão,
Quem f**a no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares

Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Esse poema fala sobre escolhas e sobre o quanto é difícil escolher, pois cada escolha implica, necessariamente, uma perda. O processo de aceitar as perdas vai na contramão do desejo onipotente de ter tudo e não perder nada; mas, se pensarmos mais profundamente, são os furos na ilusão da onipotência e da completude que criam novos desejos, e são esses que impulsionam a vida para as transformações e para um vir a ser que, por não ser definitivo, nos impulsiona a ampliações infinitas.

Em contrapartida, no que se refere ao campo do sentir, muitas vezes não se trata de escolher entre isto ou aquilo — ou amor, ou ódio, ou medo, ou segurança. Nesse campo, sentimos tudo junto, mas tentamos separar, isolar os sentimentos para, talvez, tentar controlá-los.

Aquele que é amado também pode ser odiado e, nesse sentido, estamos falando sobre a necessidade de integração dos aspectos contraditórios. Às vezes, não é sobre isto OU aquilo, é isto E aquilo. Poder integrar esses aspectos contraditórios em si mesmo e na relação com o outro exige um grande trabalho interno.

Aquilo que sentimos como estranho em nós e no outro pode ser somente outra face de um aspecto conhecido. Uma parte não define o todo, mas, lamentavelmente, às vezes nos esquecemos disso e lidamos de maneira parcial com a nossa realidade interna e/ou externa, o que fatalmente empobrece as experiências, em vez de promover ampliações.

❤️🌻


As pessoas que buscam um processo de análise e se dispõem a olhar para seu mundo interno geralmente continuam sendo atra...
31/03/2026

As pessoas que buscam um processo de análise e se dispõem a olhar para seu mundo interno geralmente continuam sendo atravessadas por dados da realidade externa, fatos que incidem sobre seu psiquismo e sobre a maneira como sentem e interpretam suas próprias realidades. A partir do momento em que se inaugura esse espaço de escuta de si, na companhia de um outro, muitas ampliações podem ocorrer.

As transformações num processo analítico são, em geral, de via dupla, pois o que acontece ENTRE analista e paciente impacta ambos. Ao analista implicado com seu ofício cabe um trabalho de bastidor, muitas vezes desconhecido pelo paciente; para sustentar uma prática clínica ética e responsável, é fundamental que o profissional invista continuamente em estudos, supervisão e análise pessoal.

Entretanto, estudar, supervisionar e analisar-se não imuniza o analista dos atravessamentos da vida que podem, por vezes, desorganizá-lo e tirar-lhe o chão. O analista também vive perdas, possui suas dores emocionais e passa por lutos, lutas e percalços. É importante lembrar que paciente e analista são feitos da mesma matéria: a humanidade.

Dispor-se a entrar em contato com a própria vulnerabilidade durante um processo analítico é, paradoxalmente, o que mais pode fortalecer o sujeito diante de si mesmo. É justamente na experiência do encontro dessas humanidades, por vezes marcadas por dores semelhantes, que os processos de transformação podem ocorrer.

Bion dizia que, em uma sala de análise, encontram-se duas pessoas angustiadas; espera-se que o analista esteja um pouco menos, para que possa continuar pensando mesmo sob forte bombardeio de emoções turbulentas. A questão que se impõe na clínica é que o bombardeio pode vir de ambos os lados; por isso, a análise pessoal do analista faz-se tão necessária.

Para ser companhia do outro nas trincheiras das dores internas, é imprescindível ter vivido a experiência de atravessar as próprias dores acompanhado por alguém.

Faz sentido para você que me acompanha por aqui?

Comemorando a conclusão da entrega do segundo relatório da formação da  da amiga querida  🎉🎉🎉_Adorei nosso encontro no ....
14/03/2026

Comemorando a conclusão da entrega do segundo relatório da formação da da amiga querida 🎉🎉🎉
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Adorei nosso encontro no .iguaria muitas histórias, emoções e risos compartilhados com pessoas muito especiais ❤️❤️❤️
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Parabéns pelo belo percurso, você é uma pessoa e uma psicanalista admirável e inspiradora❤️ muito obrigada por tanto❤️

E por aí, como estão as conversas?Que a semana seja recheada de bons versos! Com carinho  ❤️🥰❤️🥰❤️🥰❤️🥰
04/03/2026

E por aí, como estão as conversas?
Que a semana seja recheada de bons versos!
Com carinho

❤️🥰❤️🥰❤️🥰❤️🥰

As notícias sobre a exploração sexual de crianças nesses últimos dias foram muito indigestas. “Um piloto de avião é pres...
11/02/2026

As notícias sobre a exploração sexual de crianças nesses últimos dias foram muito indigestas. “Um piloto de avião é preso acusado de manter uma rede de abuso sexual de menores. Avó e mãe são presas acusadas de aliciar netas e filhas. O caso Epstein (acusado de comandar um esquema de tráfico sexual de menores) volta ao centro das atenções após a liberação de novos documentos.”
Não consigo mensurar minha indignação e repugnância diante dessas notícias. O abuso sexual infantil, infelizmente, é uma temática antiga; nestes anos de trabalho clínico, posso dizer que é um tema recorrente e que nenhuma teoria dá conta de dar forma à dor vivida por quem foi vítima de uma experiência como essa.
As ressonâncias pela vida são profundas, porém, quando há possibilidade de cuidar dessas questões em um processo analítico, novos caminhos para a dor represada e solitária podem ser construídos. É na nova relação, que testemunha os sentimentos suprimidos, que isso pode acontecer. “Como as marcas da agressão sofrida são indeléveis, é sobre a repetição do tempo de testemunho que atuamos clinicamente, possibilitando ao analisando, por meio do resgate da confiança perdida, a oportunidade de encontrar um destinatário capaz de escutar sua dor e atestar seu desalento” (p. 73).
O silenciamento das vítimas me parece ser a principal forma de manutenção da violência. Nem sempre há uma ameaça direta, mas a própria situação abusiva — onde não há entendimento possível — provoca medo, vergonha e culpa, o que pode impedir que as denúncias aconteçam.
Por isso, este texto vai na contramão do silenciamento; esta escrita endossa as denúncias. Precisamos falar sobre as questões espinhosas da realidade. Precisamos cuidar das crianças, e o cuidado começa com limites bem estabelecidos: limites da realidade e do próprio corpo. Cuidado é monitorar e limitar o uso da internet, é f**ar atento às mudanças de comportamento, é ensinar, através das vivências, que o que a criança sente, pensa e expressa tem valor; é não silenciar a expressão da alteridade. Não silencie, procure ajuda, denuncie. Sempre há tempo de sair da ilha do sofrimento solitário e lancinante.

03/02/2026

Dos stories para o feed. Nesse vídeo falo um pouco sobre a volta as aulas, incentivo os pais a conversarem com seus filhos sobre a importância do respeito e empatia no ambiente escolar.

Comento sobre os efeitos prejudiciais do bullying ao longo do desenvolvimento da criança e dos adolescentes e também sobre as consequências nocivas deste na idade adulta.

Lembrando que as grandes violências começam com pequenas violências, nós enquanto adultos, temos a responsabilidade de criar esse espaço para refletir sobre o respeito ao próximo e a alteridade.

Que seja um bom ano escolar 📚📚📚
Boa semana! ❤️

31/12/2025

Para embalar este poema adaptado de Carlos Drummond de Andrade, escolhi algumas imagens que foram feitas neste ano de 2025. Elas não f**aram necessariamente em uma ordem que corresponda à fala, mas compilam vários momentos de encantamento vividos ao longo deste ano.

Gosto muito desse poema, pois ele ressalta a importância do novo em nossa vida. Abrir-se ao novo necessariamente implica tolerar perdas, e esse é um trabalho difícil: integrar perdas e ganhos. Afinal, o mesmo novo que nos encanta também nos assusta e pode nos deixar com medo, agarrados ao conhecido, por mais difícil que ele seja.

Que possamos, em 2026, dar espaço para o novo, desbravar e explorar novas facetas de nossa vida! Que estejamos abertos às ampliações e transformações.

Aproveito para agradecer aos meus pacientes pela oportunidade de acompanhar seus desbravamentos internos; vocês me ensinam muito, o crescimento é sempre compartilhado. Também agradeço imensamente às colegas de profissão que apostaram nas supervisões individuais e em grupo que coordenei neste ano. Aprendo muito com vocês.

“Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
Para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas, a começar pelo seu interior.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre”
Carlos Drummond de Andrade

Que 2026 seja realmente um ano repleto de novo. Abraço carinhoso,
✨✨✨

Endereço

Maringá, PR
87030050

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