06/09/2026
Hoje, mais uma mulher foi arrancada da vida pela violência. E quando uma mulher é assassinada por quem um dia deveria ter sido lugar de afeto, alguma coisa em todas nós também se rompe. Hoje, morre também um pedacinho nosso. Não importa sua idade, sua profissão, sua cor, sua raça, sua história, sua condição social ou o lugar onde vive. O feminicídio atravessa mulheres de todos os mundos. Mulheres negras, brancas, pardas, indígenas. Mulheres jovens e idosas. Mães, filhas, irmãs, amigas. Mulheres que trabalham dentro de casa, em hospitais, escolas, escritórios, comércios, campos e ruas. Mulheres que cuidam, sustentam, sonham, amam e tentam recomeçar. Cada uma delas carrega uma vida inteira, um nome, memórias, afetos, planos, pessoas que as esperam. Nenhuma dessas histórias deveria terminar pela violência. Hoje, nós, mulheres do Sagrado Feminino, não queremos falar apenas da morte, mas também daquilo que tantas vezes vem antes dela. Do medo que começa quase imperceptível. Da palavra que passa a ser medida. Da roupa que deixa de ser usada. Do encontro que é evitado. Da mensagem apagada. Do silêncio escolhido para impedir uma discussão. Da mulher que começa a duvidar de si, que tenta compreender o que já a machuca, que acredita em promessas de mudança, que sai e volta, que sente vergonha, que teme não ser acreditada, que pede ajuda de maneiras que nem sempre conseguimos reconhecer. Há violências que deixam marcas no corpo, e há outras que vão diminuindo uma mulher por dentro, tirando sua espontaneidade, sua segurança, sua liberdade e sua voz, até que sobreviver passe a ocupar o lugar de viver. É por isso que precisamos falar também das que conseguiram sair, das que ainda estão tentando, das que carregam marcas que ninguém vê, das que estão reaprendendo a confiar, a escolher, a dormir em paz, a existir sem medo. O Sagrado Feminino não pode ser apenas beleza, ritual, lua, ventre e ancestralidade. Ele também precisa ser proteção. Precisa ser uma mulher reconhecendo a dor da outra. É não julgar. É não perguntar por que ela ficou. É não diminuir uma ameaça. É não desacreditar uma denúncia. É saber que, muitas vezes, quando uma mulher finalmente consegue dizer “eu estou co