27/01/2026
Na psicanálise, quando a violência aparece de forma tão crua, ela aponta para uma falha de simbolização: o afeto não encontra palavras, o conflito não encontra representação e o corpo do outro vira o lugar do descarrego pulsional.
O cachorro ocupa ali um lugar específico: o do desamparo absoluto.
Sem linguagem, sem defesa, sem possibilidade de confronto. É justamente essa vulnerabilidade que o torna alvo.
Na adolescência, esse risco se intensifica. Por ser um momento de excesso pulsional, identidade em construção e poucos recursos simbólicos. Em grupo, a responsabilidade subjetiva muitas vezes se dilui. O grupo não interdita , ele incita e excita .
O que mais inquieta não é só o ato, mas a possível ausência de culpa. Quando o outro é reduzido a coisa, a crueldade se banaliza. O sofrimento deixa de convocar empatia, é difícil de ver!!
A violência contra o animal denuncia não apenas algo desses adolescentes, mas também a fragilidade dos dispositivos simbólicos da nossa cultura, cada vez menos capazes de conter o pior.
Talvez o choque que sentimos venha daí:
o cachorro simboliza aquilo que ninguém quer sustentar, a vida que depende do cuidado do outro. ( seja o cuidado com nossos adolescentes, crianças, idosos ou animais ).