26/11/2021
Vira e mexe alguma criança me pergunta se eu também vivi algo parecido com ela. Recentemente, uma, me disse: "você também já sentiu isso que eu tô sentindo?". Ela se referia ao medo de ir pra escola e deixar sua mãe em casa, separar-se. Sempre vou alinhavando as coisas de modo que só apareça ali o que de fato o sujeito, seja criança, adolescente ou adulto, quer dizer com isso. Mas, prontamente respondi que sim. Sim, também é inteiramente importante que uma criança saiba que nós adultos já fomos uma criança com suas dificuldades, medos e inseguranças. Que, por vezes, quando eu queria passar as férias na minha avó, aprontava uma boa dor na barriga (não era dor de barriga, diarréia, era uma dor dentro, talvez um vazio?)e, voltava pra casa com a minha mãe, mesmo desejando muito estar longe, era difícil e dolorido. Uma, duas ou três vezes de tentativas falhas. Só que a quarta vez chegou e foi adorável, fizemos muitas coisas juntas e eu amava a natureza daquele sítio, acordar com os barulhos das galinhas, tomar banho de caneca e ter as merendas que só uma vó nordestina sabe fazer. No fim, quando minha mãe veio me buscar, vi que eu sobrevivi e ela também, me trouxe presente pra me lembrar que também pensou em mim nesse tempo mas, respeitou minhas aventuras longe. Que bom, que bom! A dor na barriga não precisou mais aparecer. Afinal, tem muita coisa que só são possíveis sozinha, longe e tomando as devidas distâncias. Ah, pequena.... o mundo é tão grande viu?
Você já pode descobrir!
Nos vemos na semana que vem?
Com Carinho,
Cayla.