Fernanda Rossi - Psicóloga

Fernanda Rossi - Psicóloga Nesta página você encontra compreensões sobre o desenvolvimento emocional, do nascimento a vida adulta. Projeto: Do ninho ao voo.

Sou psicóloga clínica de orientação Psicanalítica desde 2004. Mestre em Psicologia da Saúde pela UMESP
Docente no curso Pós Graduação em Psicoterapia Psicanalítica Contemporânea (EPPM).

03/07/2026

Nós temos uma história e essa organiza maneiras como nos relacionamos conosco mesmos e com as pessoas a nossa volta.

Conforme nós nos conhecemos melhor, temos a possibilidade de modif**ar esses relacionamentos, algo em geral composto de enfrentamentos que podem ser valiosos, mas que mexem com nossas emoções e as de quem está a nossa volta.

Contudo, as mudanças, quando estão a favor de maior saúde emocional, elas se baseiam em um respeito à sua história, a tudo aquilo que foi vivido e pode hoje não mais ser repetido, que foi experimentado e hoje pode ser diferente. Por isso que digo que não é mágoa, e sim história.

Emoções como culpa, medo e dúvidas podem vir à tona neste processo. Assim como pressões para manter o que era. É natural sentir, é natural ser pressionado. Mudar assusta, mas quando se baseia em uma maior percepção de si, os novos movimentos são em direção à saúde, por isso são tão necessários.

Como tem sido por aí?

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo: o amadurecimento depende do cuidado

Antes da internet existiam os pitacos sobre a maternidade, ora vindos da sogra, da cunhada, da amiga, da vizinha. Na era...
01/06/2026

Antes da internet existiam os pitacos sobre a maternidade, ora vindos da sogra, da cunhada, da amiga, da vizinha. Na era da internet os pitacos ganharam sustância e estão mais intensos, colocando a mãe entre deveres com os filhos e dívida consigo mesmo. A conta não fecha, a culpa só cresce e a angústia só aumenta, pois f**amos entre a ideia da maternidade real que prega o direito da mãe sentir o que sente, inclusive esgotamento, e a maternidade que o filho precisa, e ao que parece ele precisa de muito, caso contrário terminará traumatizado.

Por tudo isso e porque como mãe me sinto muito mal cada vez que vejo esses conteúdos, quero trazer aqui alguns materiais para amenizar esses opostos. E o 1º, é essa brincadeira da imagem, com o intuito de te lembrar que a busca pela perfeição, você já sabe disso, é uma baita besteira. Mas talvez você não saiba o porquê e aqui está o pulo do gato:

Um filho naturalmente ama a mãe que o cuida, a criança devolve amor quando é amada. E se essa mãe que ele ama, tem falhas, inadequações e tantos outros acertos a criança cresce se identif**ando com as duas partes. Ele vê o bom e a falha e aprende que é possível amar a essa mãe inteira, como ela é.

Logo, ele aprende que também é possível se amar como ele é. Alguém com qualidades e defeitos. Ou seja, a mãe que se aceita ajuda o filho a se aceitar também.

Amar uma mãe real ensina a ele que seus atos, nem sempre instagramáveis, são parte da vida, e não algo a ser evitado ou escondido. E isso não é compactuar com os erros, mas olhá-los com cumplicidade.

Há coisas que são possíveis de melhorar. Outras são nossos limites. Outras ainda são o nosso jeito de ser. E há aquelas que são simplesmente do nosso momento (a idade, as circunstâncias, o ambiente em que estamos…)

Uma mãe suficientemente boa acertará em um tanto e errará em outro. Será ótima em algumas circunstâncias. Em outras, terá muito a aprender. E em outras ainda, errará feio, e tudo isso só faz dela quem ela é. O filho não se importa com seus limites, ele nos ama mesmo que esses existam, assim como nós os amamos como são. Que delícia aprender com você que ele também pode ser de verdade.

Fernanda Rossi - Psicóloga

29/05/2026

Você conhece pessoas que vivem de forma extraordinária?

Elas são admiráveis, não são?! E inspiradoras! Quando as vejo sempre me pergunto: como elas conseguem?

Tenho pensado ainda mais nisso desde que assisti A Extraordinária Vida de Ibelin. Ao longo do documentário lembrei muito dos estudos de Donald Winnicott, um grande desenvolvedor da psicanálise, que chamava de capacidade criativa essa capacidade de lidar com a vida para além dos obstáculos.

Segundo esse autor essa habilidade se desenvolve através de um bom início emocional, ou seja, de um encontro afetuoso e consonante de cuidado no início da vida. E a boa notícia é que isso também pode ser construído mais tarde, num novo e bom encontro.

É disso que a análise trata. Da possibilidade de receber uma nova qualidade de encontro, cuidado que repara, cicatriza e nos expande.

Salva esse post pra lembrar: vidas extraordinárias são possíveis não só de admirar, mas de viver. E me conta nos comentários, você conhece pessoas que vivem uma vida extraordinária?

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo: o amadurecimento depende do cuidado

27/05/2026

Você já olhou pra trás e pensou: “Poxa, eu era feliz e não me dava conta?”

Isso é tão humano!
A gente vive num movimento constante de querer mais, ir além, melhorar… E nesse caminho, sem perceber, podemos nos perder do que realmente nos faz bem.

Li um livro infantil esses dias que fala exatamente disso. Se chama Lolo Barnabé, da Eva Funerari. Um livro pequenininho, todo ilustrado e muito divertido. Mas riquíssimo na reflexão que nos leva.

A história é sobre um homem que queria dar o melhor pra família. E na busca por isso, ele foi acumulando, inventando, fazendo mais e mais, até se encontrar só com cansaço e pouco tempo pra desfrutar do que tinha.
Você já se encontrou assim também?

A reflexão que esse livro traz, sobre como a gente lida com os obstáculos, com as faltas, com a corrida por mais, vale tanto pra nós quanto pra trabalhar com as crianças também.

Porque lidar com a falta, perceber o bom do que já temos, não perder de vista o que nos é realmente precioso, pode ser um dos maiores desafios da vida. Mas que quando exercitados com frequência pode nos proteger de diversas enrascadas.

É sempre importante lembrar que felicidade envolve suportar algumas faltas (não do básico e necessários, essas faltas são adoecedoras), mas de perceber as possibilidades que temos apesar do que não há.

Conhece esse livro? E você, foi tocado por essa reflexão? Percebeu algo que tem de bom na sua vida que talvez não estivesse enxergando?
Me conta aqui 💛

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo: o amadurecimento depende do cuidado

Todo filho que recebeu sabe bem quão maravilhoso é.Toda mãe que entregou sabe bem quão maravilhoso é. Todo encontro que ...
09/05/2026

Todo filho que recebeu sabe bem quão maravilhoso é.

Toda mãe que entregou sabe bem quão maravilhoso é.

Todo encontro que inicia no colo encontra na vida ressonâncias que crescem, protegem e dão frutos.

Obrigada mãe, todos os dias você está impregnada em mim e eu entranhada em você!
Que hora ter esse lugar!!!

Te amo! Feliz dia das mães.

08/05/2026

Imagine um longo trem com diversos vagões e que cada vagão seja composto de uma diferente emoção. Na maternidade suficientemente boa há a capacidade de transitar entre essas emoções junto ao filho que ora lhe provoca a estar entre um destes vagões, ora a encontra em um deles. Em conjunto com isto, há nessa mãe suficiente uma habilidade de fazer escuta das necessidades demonstradas pelo filho (seja pelos gestos ou falas), se identif**ar com elas e ofertar atos de cuidado consonantes ao que o filho demonstra.

Nunca essa adaptação será total e constantemente acertiva, mas o que faz dela suficiente é que os encontros aconteçam com mais frequência que o contrário. Que a mãe consiga ir além de seus vagões na busca do encontro daquele que dela necessita.

Ser essa mãe não tem nada de simples ou fácil, exige que ela também tenha recebido ou, no mínimo, consiga ter recursos para fazer diferente, além de um contexto atual que lhe oferte um tanto de condições para estar consoante e disponível ao filho.

Ser mãe é sempre complexo e desafiador, sem romantismo, podemos afirmar que a maternidade é das funções mais difíceis que alguém tem a desempenhar.

Contudo, as mães que fazem mal existem e estas, como demonstra Silvia Lobo “Não conseguem ser mães com interesse e cuidado, não entendem o que lhes é pedido, por mais que a biologia as configure, por mais que o meio as apoie, por mais que filhas e filhos as ajudem, por mais que se aflijam por isso. Algumas se constrangem frente a essa impossibilidade, outras não.” (P.142). O incômodo pode levar a busca de ir além e reconstruir (ou desenvolver) uma nova e potente relação. O mal está nos vagões que não podem ser transitados, mas que a relação se fixe em um único lugar: da indisponibilidade de aprender a ser mãe enquanto exerce a maternidade.

Os efeitos dessa falta pesam sobre o filho e pode levar muitos e muitos anos para se dar conta de que não foi responsável pelo recebeu. Isso porque falta a essa mãe perceber seus próprios conflitos emocionais e esse desconhecimento impede que ela ajude o filho a se diferenciar dela.

Fernanda Rossi - Psicóloga

Mas tenta Se esforça Se cobra Se engole Desloca Desanda Derrama            (Onde não queria)CongelaContinua Corre Cansa ...
04/05/2026

Mas tenta
Se esforça
Se cobra
Se engole

Desloca
Desanda
Derrama
(Onde não queria)

Congela
Continua
Corre
Cansa
Cai
Levanta

Recomeça
Reorganiza
Reenergiza

Se exige
Se briga
Se afasta
Se perde

de si
da dor
da origem

Faz do labirinto a casa
Faz do que engole o guia
Faz da venda a visão

Faz como para sair disso?

Encara
Entrega
Entra

No choro
No reconhecimento
Na vulnerabilidade
Na profundidade
No desamparo

É ali, dali
Que vem a saída

O alívio
O recomeço
O reencontro

Ainda é tempo.
Ainda há quem se importe.

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo

Antes de ser mãe achava que amor era tudo igual, afinal o verbo é o mesmo. Descobri que não, é outro amor porque acessa ...
02/05/2026

Antes de ser mãe achava que amor era tudo igual, afinal o verbo é o mesmo.
Descobri que não, é outro amor porque acessa lugares que ainda não tinha vivido.

É um amor profundo, intenso, que toma corpo, mente e espírito, um amor que perdura, e de nada depende, só f**a, está e cresce.

Aliás, como algo tão grande ainda cresce?

O cuidar é cansativo.
O educar exigente.
Ensinar alguém a ser gente não teria como ser diferente.

Mas o amor, ah o amor!
Esse não se abala, não depende do que vem, do que há ou não houve, esse existe, criou raiz e dali se alimenta.

Do encanto do encontro.
Do olhar carinhoso
Do abraço de urso
Das memórias

Amar um filho é amar de um novo jeito.

É amar antes
Antes dele chegar
Antes dele saber
Antes dele corresponder.

É amar por amar.
E descobrir que todo amor pode ser, agora sim, leve assim.

Obrigada minha filha por ter inaugurado esse amor em mim.

Mamãe

29/04/2026

Quanto tempo dura o luto?
Quanto tempo é preciso para que a dor seja elaborada?
Para que a vida novamente ganhe sentido?

Para algo tão profundo não tem tempo adequado. Quem dera as emoções coubessem na contagem do relógio! Não cabem.

E é isso que de forma sensível e extremamente divertida o livro Maior que o céu, de Virginie Grimaldi, demonstra tão bem.

Como você tem visto e vivido esse tema?
Me conta aqui 👇

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo: o amadurecimento depende do cuidado

26/03/2026

Adolescentes afirmam muitas coisas sobre si mesmos, algumas vem ao encontro de descobertas ou constatações que fazem sentido a quem ele é e até ali demonstrou ser. Outras afirmações surpreendem, causam estranheza e até mesmo confusão.

Antes de comprar como verdade o que eles afirmam com tanta ênfase, cabe refletir quanto há ali uma pessoa sedenta por ser ouvida, mas que pela imaturidade não sabe pedir.

Adolescentes convivem diariamente com 3 grandes is: imaturidade, impulsividade e incertezas. As afirmações definitivas que eles gritam ao mundo escondem muito da angústia que esses 3 is provocam.

Eles nos convocam a briga, que quando acontece faz com as emoções verdadeiras se percam, a briga vira pelo poder e não pela possibilidade de pensar sobre as angústias. Você pode surpreender seu filho ao convida-lo a conversar. Pode ser que ele não diga nada, nem te dê (num primeiro momento) abertura. Mas só de você não entrar no ringue, ele também f**a convidado a se desarmar.

É dessa leveza que surge espaço para o pensar.

Fernanda Rossi - Psicóloga
Do ninho ao voo: o amadurecimento depende do cuidado

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