Psicóloga Michele Maimone

Psicóloga Michele Maimone Michele Maimone - Psicóloga Clínica

29/05/2026

Como nós podemos construir compromisso afetivo em um tempo em que temos liberdade para escolher nossos parceiros, mas não garantias de permanência nos vínculos conjugais?

Durante séculos, nós mulheres tivemos nossas vidas afetivas rigidamente estruturadas. Existia um roteiro: namorar, casar, formar uma família e ter filhos. O casamento era praticamente obrigatório e, muitas vezes, não havia espaço para escolha, autonomia ou para sair de uma relação infeliz.

Hoje conquistamos liberdade econômica, autonomia emocional e o direito de decidir se queremos casar, com quem queremos nos relacionar e como desejamos viver nossos afetos.

Mas, junto com essa liberdade, surgiram novos conflitos internos: a incerteza, a insegurança e o desamparo emocional.

As relações se tornaram mais fluidas. Os vínculos, mais negociáveis. E, embora isso permita relações mais autênticas, também nos confronta com a instabilidade e com a ausência de garantias.

Que paradoxo difícil: antes vivíamos relações mais previsíveis, ainda que limitantes; hoje vivemos relações mais livres, porém emocionalmente mais vulneráveis.

Talvez um dos maiores desafios das relações contemporâneas seja justamente este: aprender a construir vínculos profundos, confiáveis e significativos dentro da liberdade de escolher quem iremos amar.

Na prática da psicoterapia, percebo diariamente o quanto esse dilema atravessa a vida emocional de muitas mulheres.

Com amor e reflexão,

Michele Maimone
Psicóloga Clínica – CRP 08/07717-6

08/05/2026

Neste Dia das Mães, como psicóloga clínica, eu gostaria de propor uma reflexão mais complexa — e, para muitas pessoas, infelizmente mais verdadeira — sobre a maternidade.

Existe um imaginário coletivo que coloca a mãe em um lugar quase sagrado, como se toda relação materna fosse inevitavelmente marcada por acolhimento, proteção e validação emocional. Embora essa construção tenha importância cultural, ela também pode silenciar experiências que não correspondem a esse ideal.

Na minha escuta clínica, encontro repetidamente mulheres que aprenderam, desde muito cedo, a se ajustar emocionalmente para preservar algum vínculo com suas mães. Mulheres que abafaram sua vitalidade, minimizaram conquistas e esconderam partes de si para evitar críticas, rejeições ou rivalidades difíceis de nomear.

Quando falo em narcisismo materno, não me refiro a um julgamento moral ou a um rótulo simplista ligado à vaidade. Refiro-me a uma dinâmica psíquica em que a mãe encontra dificuldade em reconhecer a filha como um sujeito separado, com identidade, desejos e trajetória próprios. A filha deixa de ser percebida em sua alteridade e passa a ocupar o lugar de extensão, projeção ou objeto de rivalidade.

Nesses contextos, a autonomia da filha — que em um desenvolvimento saudável deveria ser motivo de orgulho — pode ser vivida como ameaça. O brilho, o crescimento e a diferenciação passam a ser tensionados por críticas sutis, controle, desqualificações ou retraimento afetivo. Muitas vezes, de maneira silenciosa, mas profundamente impactante para a autoestima e para a construção da identidade.

O mito do amor materno, quando tomado de forma absoluta, impede que essas experiências sejam reconhecidas. Muitas filhas passam a acreditar que o sofrimento é falha delas, e não expressão de uma relação atravessada por limitações emocionais reais.

Nomear essa realidade não é um ataque à maternidade. É um movimento de consciência e legitimidade psíquica. Reconhecer uma mãe com funcionamento narcísico não exige negar sua história ou suas dores — mas também não exige que a filha continue se anulando para sustentar vínculos que comprometem sua vitalidade.

Neste Dia das Mães, eu convido você a se aproximar da sua experiência real, para além dos ideais. A reconhecer não apenas o que recebeu, mas também aquilo que faltou. E, sobretudo, a compreender que você não está sozinha.

Com compaixão genuína,
Michele Maimone
Psicóloga Clínica

08/05/2026

Parte do vídeo 7

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Parte do vídeo 5

08/05/2026

Parte do vídeo 4

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08/05/2026

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08/05/2026

Parte do vídeo 1

01/04/2026

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Michele Maimone
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