29/05/2026
Como nós podemos construir compromisso afetivo em um tempo em que temos liberdade para escolher nossos parceiros, mas não garantias de permanência nos vínculos conjugais?
Durante séculos, nós mulheres tivemos nossas vidas afetivas rigidamente estruturadas. Existia um roteiro: namorar, casar, formar uma família e ter filhos. O casamento era praticamente obrigatório e, muitas vezes, não havia espaço para escolha, autonomia ou para sair de uma relação infeliz.
Hoje conquistamos liberdade econômica, autonomia emocional e o direito de decidir se queremos casar, com quem queremos nos relacionar e como desejamos viver nossos afetos.
Mas, junto com essa liberdade, surgiram novos conflitos internos: a incerteza, a insegurança e o desamparo emocional.
As relações se tornaram mais fluidas. Os vínculos, mais negociáveis. E, embora isso permita relações mais autênticas, também nos confronta com a instabilidade e com a ausência de garantias.
Que paradoxo difícil: antes vivíamos relações mais previsíveis, ainda que limitantes; hoje vivemos relações mais livres, porém emocionalmente mais vulneráveis.
Talvez um dos maiores desafios das relações contemporâneas seja justamente este: aprender a construir vínculos profundos, confiáveis e significativos dentro da liberdade de escolher quem iremos amar.
Na prática da psicoterapia, percebo diariamente o quanto esse dilema atravessa a vida emocional de muitas mulheres.
Com amor e reflexão,
Michele Maimone
Psicóloga Clínica – CRP 08/07717-6