26/06/2026
Alguns meses nos atravessem de maneira diferente, e esse mês de junho para mim, foi um tempo de muitos encerramentos. De ciclos que se concluíram, de encontros que deixaram marcas, de aprendizados que permanecerão e da lembrança de que todo recomeço também nasce de uma despedida.
A vida é atravessada por ciclos. Alguns chegam de forma inesperada; outros, mesmo esperados, exigem de nós um trabalho silencioso de despedida.
Toda mudança carrega algo de perda. Encerrar uma etapa é também elaborar um luto, deixar para trás pessoas, rotinas, experiências e uma versão de si que já não existe da mesma forma.
Mas, ao mesmo tempo em que algo se encerra, permanece tudo aquilo que foi construído. O conhecimento adquirido, os encontros, os afetos, as transformações e as marcas que cada experiência deixa em quem a vive.
Aprender vai muito além da sala de aula. Está presente em cada curso que se encerra, em cada livro que amplia o olhar, em cada encontro com colegas que compartilham saberes, em cada pessoa que confia sua história à clínica e, sobretudo, na disposição de continuar sendo transformado por tudo isso.
Afinal, ninguém atravessa tantos encontros sem também ser atravessado por eles.
E há encontros que, justamente por cumprirem seu tempo, seguem outros caminhos. Nem tudo o que é importante permanece da mesma forma. Alguns vínculos se transformam, alguns ciclos encontram seu fim, mas aquilo que foi vivido continua existindo como parte da história de quem se encontrou.
A gratidão não elimina a saudade. E a saudade não impede o movimento.
Isso vale para os cursos que chegam ao fim, para o conhecimento que continua se renovando, para as mudanças que a vida nos apresenta e para os encontros que nos transformam. Em cada ciclo encerrado existe a oportunidade de integrar o que foi vivido, elaborar o que ficou para trás e abrir espaço para aquilo que ainda está por vir.
Aprender não é alcançar um ponto de chegada. É permanecer disponível para a transformação, reconhecendo que todo fim também pode ser o início de uma nova forma de existir.
Psicóloga Nágila Alves