14/09/2026
Quando não é possível curar, ainda existe muito a ser feito.
Uma reportagem do Metrópoles mostrou a importância da enfermagem nos cuidados paliativos e ajudou a desfazer um dos maiores equívocos sobre essa área: cuidados paliativos não significam desistir do paciente e não precisam começar apenas nos últimos dias de vida.
Eles podem ser iniciados desde o diagnóstico de uma doença grave e caminhar junto com outros tratamentos. O objetivo é prevenir e aliviar o sofrimento, controlar sintomas e preservar, tanto quanto possível, conforto, autonomia e qualidade de vida.
Nesse processo, a enfermagem ocupa um lugar fundamental. É quem acompanha de perto as mudanças do paciente, avalia dor, falta de ar, fadiga, náuseas e ansiedade, administra os cuidados e percebe necessidades que, muitas vezes, não aparecem em nenhum exame.
E há uma parte desse trabalho que nenhuma tecnologia consegue substituir: a presença.
A reportagem lembrou de gestos aparentemente simples: segurar uma mão, diminuir o barulho do quarto, ajustar a temperatura da água, colocar uma música querida, ouvir um medo durante um curativo. Em momentos de fragilidade, esses detalhes podem representar um enorme conforto.
O cuidado paliativo também envolve orientar a família, respeitar os desejos do paciente e ajudá-lo a participar das decisões sobre o próprio tratamento. E exige olhar para quem cuida: profissionais que convivem diariamente com sofrimento, vínculos, despedidas e luto também precisam de suporte.
💜 Talvez essa seja uma das maiores lições dos cuidados paliativos: quando as possibilidades de cura diminuem, as possibilidades de cuidado não acabam.
Ainda podemos aliviar, escutar, respeitar, acolher e permanecer ao lado.