13/09/2026
Eu uso inteligência artificial praticamente todos os dias. E essa trend eu não vou fazer.
Não porque eu tenha medo de IA. Muito pelo contrário.
Na trend dos anos 80, entreguei o meu rosto à inteligência artificial. Era a minha imagem. A escolha era minha.
Mas quando vi a trend de enviar uma foto do filho para descobrir “como ele será daqui a 15 anos”, pensei:
até onde vai o meu direito de decidir sobre uma imagem que não é minha?
E não falo isso do lugar de uma mãe que nunca expôs.
Eu já expus muito meus filhos. Compartilhei rostos, momentos e partes da nossa rotina.
Com o tempo, e principalmente com o avanço da IA, comecei a rever meus próprios limites.E existe motivo para refletirmos sobre isso.
Em 2026, o UNICEF alertou para a manipulação de imagens reais de crianças por IA. Em estudo UNICEF/ECPAT/INTERPOL realizado em 11 países, pelo menos 1,2 milhão de crianças relataram ter tido suas imagens manipuladas em deepfakes sexualmente explícitos no período de um ano.
No Brasil, a ANPD também publicou um estudo sobre deepfakes e seus desafios para privacidade, proteção de dados e segurança digital.
Isso não signif**a que enviar uma foto para uma IA fará com que algo ruim aconteça. Nem que todas as ferramentas tratem imagens da mesma maneira.
Mas signif**a que a tecnologia mudou. E algumas das minhas escolhas também.
Hoje prefiro que meus filhos apareçam de costas, de lado, ao fundo ou sem que seus rostos sejam o conteúdo.
Não julgo quem escolhe diferente.
Eu apenas mudei os meus limites.
E, para mim, existe ainda uma pergunta muito simples:
A IA não sabe como meu filho será daqui a 15 anos. Ela cria uma possibilidade visual.
Então vale entregar uma imagem real dele para receber uma imagem fictícia do futuro?
Para mim, não. Meu perfil é meu. A imagem deles, não.
Eu continuo usando IA. Muito.
Talvez justamente por isso tenha aprendido que usar tecnologia também é saber onde colocar limites.
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Não para assustá-la. Para fazê-la pensar. 🤍