20/04/2026
O luto não é espetáculo. Mas, muitas vezes, é assim que ele é tratado.
Diante da dor do outro, algumas pessoas se colocam no lugar de espectadores: observam, comentam, julgam...Como se existisse uma forma “certa” de sofrer, um tempo adequado, uma intensidade aceitável.
Usei no vídeo o exemplo recente envolvendo a perda do pai de Ana Paula do BBB, justamente para ilustrar isso, de como o sofrimento alheio rapidamente vira pauta de opinião.
Mas a verdade é simples e, ao mesmo tempo, difícil de sustentar: não existe régua para o luto.
Cada sujeito é atravessado pela perda a partir da sua própria história, dos seus vínculos, das suas faltas e dos seus signif**ados. O que para um é silêncio, para outro pode ser fala. O que para um é recolhimento, para outro pode ser movimento.
O luto não se mede.
O luto não se compara.
E, definitivamente, não nos cabe julgá-lo.
Talvez o que nos caiba, eticamente, seja apenas sustentar um lugar de respeito diante da dor que não é nossa.
“Cada um de nós deve encontrar seu próprio modo de realizar o trabalho do luto.”
— Sigmund Freud, Luto e Melancolia (1917)