Dra. Geilne Queiroz

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Dra. Geilne Queiroz Página sobre psiquiatria e saúde mental. Dra Geilne Queiroz

07/09/2026

Todo sentimento chega. A raiva, a tristeza, o medo. Isso não se escolhe. O que se escolhe é o que fazer com ele depois.

Tem quem passe a vida lutando contra o que sente. Empurra, disfarça, se distrai. Mas o sentimento não vai embora porque foi combatido. Ele f**a. E o que f**a sem ser sentido costuma voltar de outro jeito: ansiedade, insônia, irritação, um cansaço que não passa.

Na prática clínica é o que mais vejo. A pessoa não adoece por sentir. Adoece por gastar toda a energia lutando contra o próprio sentir.

Sentir é o caminho contrário. Quando você deixa o sentimento existir, consegue entender o que ele veio dizer e elaborar aquilo por dentro. Aí ele passa.

Acolher não é gostar do que aconteceu. É reconhecer o efeito que aquilo deixou em você. O que passou não muda. O lugar que isso ocupa dentro de você, sim.

Conhece alguém que vive lutando contra o que sente?
Manda isso pra essa pessoa.

30/08/2026

“Tô tomando o remédio certinho. Por que não melhorei ainda?”

Essa é uma das perguntas que mais escuto. E quase sempre a resposta não é trocar o remédio.

Remédio é uma parte do tratamento, não o tratamento inteiro.

A maioria dos quadros psiquiátricos não tem uma causa só. É mais de uma coisa se somando. Tem o lado biológico, que a medicação alcança. Tem a psicoterapia. Tem o controle dos estressores do dia a dia. E tem os hábitos que sustentam o resto: sono, atividade física, alimentação. Não como regra de bem-estar, mas porque mexem em coisa concreta, na regulação do humor, na energia, até na resposta ao próprio remédio.

Por isso remédio sozinho costuma segurar o sintoma, mas não fecha a conta.

Um problema com várias causas pede uma resposta com várias frentes.

Se você conhece alguém que desanimou achando que “o remédio não tá fazendo efeito”, manda esse vídeo. Muitas vezes não é o remédio: é que faltou o resto do tratamento.

27/08/2026

Tem uma pergunta que eu escuto muito no consultório: “só o remédio não resolve?”

E a resposta honesta é: nem sempre.

O remédio tem o lugar dele, e é um lugar importante. Mas tem uma parte do sofrimento humano que não está num exame, não se ajusta com dose, e mesmo assim pesa a vida inteira de alguém. Essa parte tem quem cuide. E é o psicólogo.

No vídeo eu falo do porquê, e de como esses dois trabalhos caminham juntos, não separados.

Hoje é o dia deles. E se tem um profissional que fez diferença na sua história, essa é a deixa: envia esse vídeo pra ele.

Às vezes a gente esquece de dizer pra quem cuidou da gente o quanto aquilo importou.

Feliz Dia do Psicólogo. 💙

24/08/2026

Depressão é um quadro complexo e multifatorial. No tratamento, a gente consegue atuar em algumas frentes: com a medicação, no controle da neurotransmissão; com a psicoterapia, nas questões psicológicas envolvidas, e aqui existem várias abordagens, cada uma com sua forma de trabalhar. É isso que permite a remissão, ou seja, os sintomas cedendo quase por completo e a pessoa voltando a viver a vida dela.

Só que a gente atua em algumas frentes, não em todas. Os aspectos neurobiológicos subjacentes e os fatores externos que vêm agravar o quadro continuam fora do nosso controle, e isso explica em parte por que algumas pessoas têm recorrência.

Por isso eu falo em remissão e em acompanhamento. Uma recaída não quer dizer que o tratamento falhou, nem que você fez algo errado.

Envia pra aquela pessoa que você sabe que precisa ouvir isso.

19/08/2026

Tem gente que diz que o pior momento do dia é a hora de acordar. Antes de qualquer coisa ter acontecido.

O corpo funciona por um relógio interno, o ritmo circadiano. É ele que organiza sono, hormônios e também o humor ao longo do dia.

Na depressão esse relógio pode f**ar desregulado. O sono quebra, a pessoa acorda cedo demais e não volta a dormir. Ou seja, levanta já sem combustível.

O fim da tarde tem outra explicação. A pessoa passou o dia inteiro gastando energia para funcionar e parecer bem. Quando as demandas caem, o cansaço acumulado aparece de uma vez.

Manda pra quem precisa ouvir isso.

18/08/2026

Tem cansaço que não vem do tanto que a pessoa fez. Vem de ter passado o dia resolvendo demanda de outras pessoas.

Costuma começar cedo. A pessoa acorda, abre o WhatsApp, e já vai assumindo demanda dos outros, já vai f**ando dentro da agenda de outra pessoa. Quando vê o relógio, já é meio-dia.

Aí acha que não tem organização, que é preguiçosa. Às vezes é muito movimento e direção nenhuma.

E as suas coisas? O que você está deixando de fazer da sua vida porque disse sim para outra pessoa?

Porque não queria desapontar, não queria chatear, não queria criar inimizade.

Não é questão de ser egoísta e não ajudar ninguém. É questão de elencar prioridade. Você pode ajudar o outro mantendo a sua vida em ordem também.

E que o sim seja porque você queria mesmo ajudar, porque aquela pessoa precisava de você. Não para não desagradar.

Encaminha para aquela pessoa que não sabe dizer não.

13/08/2026

Passei anos estudando pra ouvir “ah, você é médica de doido”.

Não sou. Sou médica de gente que segura tudo por fora e desmorona por dentro. Gente que acha que é frescura, que é preguiça, que é só cansaço, quando na verdade é a mente pedindo cuidado.

E eu tenho orgulho do que faço. De estar do lado de quem carrega isso caladinho, muitas vezes há anos, achando que o problema era falta de força.

Não é. E dá pra viver diferente.

Se você se reconheceu, salva esse vídeo. Se lembrou de alguém, compartilha. Às vezes é o empurrãozinho que a pessoa precisava.

11/08/2026

O maior medo de quem usa medicação psiquiátrica é o medo de viciar.

E a parte que quase ninguém explica é que as medicações que realmente podem causar dependência têm nome: clonazepam, alprazolam, diazepam. São as tarja preta. Costumam ser de uso mais curto e, na maioria das vezes, entram junto com outra medicação, não sozinhas.

A tarja vermelha, que é a maior parte do que se usa, inclui os antidepressivos, como a fluoxetina. Exige receituário, mas não é o que a maioria imagina quando pensa em vício.

E tem uma coisa que raramente se comenta: mesmo quando existe potencial de dependência, o caminho nunca é parar sozinho. A retirada é gradual, feita com a pessoa estabilizada e acompanhada. Interromper de qualquer jeito costuma trazer mais desconforto do que continuar.

Compartilha com aquela pessoa que adia procurar ajuda por causa desse medo.

“Esse remédio não é pra mim.”Escuto isso quase toda semana. E quase sempre vem junto da mesma coisa: pouco tempo de uso....
08/08/2026

“Esse remédio não é pra mim.”

Escuto isso quase toda semana. E quase sempre vem junto da mesma coisa: pouco tempo de uso.

O que acontece é que a gente espera do remédio psiquiátrico o mesmo que espera de um analgésico. Tomou, passou. Só que não funciona assim. Esse tipo de medicação age aos poucos, e o corpo leva semanas pra se ajustar, não dias.

E tem outra parte que quase todo mundo esquece: o remédio é uma peça do tratamento, não o tratamento inteiro. Terapia, sono, atividade física. Tudo entra na conta.

Desistir na segunda semana é desistir antes de saber se ia dar certo.

Se você conhece alguém quase largando o tratamento cedo demais, compartilha esse post.

06/08/2026

“Não sinto tristeza. Sinto apatia. Falta de prazer nas coisas.”

Já ouvi isso de pacientes com depressão. Existe um sintoma chamado anedonia: a perda do interesse e do prazer pelas coisas que antes faziam bem. Não é preguiça. Não é frescura.

É a depressão afetando o humor. E quando o humor rebaixa, tudo é afetado: o sono, o apetite, a energia, a disposição. Por isso ela pode atingir a pessoa por inteiro, muitas vezes sem passar pela tristeza.

Se você se reconheceu, guarde isso: depressão é um quadro de saúde, e todo quadro de saúde tem tratamento.

Compartilhe com quem precisa ler isso hoje.

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