13/06/2026
Passei os últimos dias no hospital acompanhando meu marido em uma cirurgia.
E, curiosamente, quem mais aprendeu fui eu.
Na mala, coloquei livros, minha garrafa de água e um elástico de exercícios. Não porque imaginava que teria tempo livre, mas porque esses hábitos já fazem parte de quem eu sou.
Percebi que saúde não é aquilo que fazemos quando tudo está bem.
É justamente o que levamos conosco quando a vida muda os planos.
Fiz alguns minutos de exercício dentro do quarto. Estudei. Mantive minha hidratação. Dormi quando foi possível.
E, ao mesmo tempo, uma certeza só se fortalecia: não existe lugar melhor para se recuperar do que a própria casa.
Talvez seja por isso que faço tanta questão de operar meus pacientes pela manhã e trabalhar para que, sempre que possível e com segurança, eles tenham alta o mais cedo possível. E um pós-operatório tolerável.
Porque recuperar-se é muito mais do que cicatrizar uma ferida.
É voltar para a própria cama.
É sentir a luz do dia.
É caminhar pelos próprios corredores.
É comer a comida de casa.
É estar perto de quem se ama.
Como médica, vejo todos os dias o poder da tecnologia e dos tratamentos. Mas vejo também o quanto o movimento, o sono, a alimentação, a luz natural, o vínculo com a família e os pequenos hábitos cotidianos aceleram a recuperação e devolvem qualidade de vida.
No fim das contas, estilo de vida não é sobre viver uma rotina perfeita.
É construir uma saúde que viaje com você, inclusive para dentro de um hospital.
Porque a melhor hora para cuidar do corpo nunca é depois que algo acontece.
É antes.