Maitri Instituto de Psicologia

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Apesar da fragilidade que há em ser humano(a) e o cuidado que isso requer, uma frase do filme O Fabuloso destino de Amel...
27/07/2026

Apesar da fragilidade que há em ser humano(a) e o cuidado que isso requer, uma frase do filme O Fabuloso destino de Amelie Pouilan, dita pelo pintor Raymond Dufayel nos lembra “Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida”.

Nicholas Taleb defende que como humanos somos “antifrágil”.
Sem defender propriamente sua teoria trago um ponto que achei interessante: algumas coisas, como taças de vinho são frágeis, se não as protegermos elas podem quebrar, não suportam nenhuma intempérie, se caem da mesa, quebram. Outras coisas, no entanto, são capazes de atravessarem uma, duas, três quedas… Estas seriam antifrágeis, e para o Taleb as pessoas o são.

A antifragilidade seria a propriedade que nos permitiria funcionar em um mundo imprevisível.

“árvores criadas numa estufa protegida às vezes não suportam o próprio peso e caem antes de atingir a maturidade” (Haidt, 2024, p.89)

Um exemplo de sistema antifrágil é nosso sistema imunológico, que exige como que exposição para se desenvolver. Logo, se não é eliminando tudo que é externo que aprimoramos nosso sistema imunológico, será que seria uma boa ideia eliminarmos todos os “gatilhos” da vida e evitarmos tudo que é externo e de nos afetar com alguma emoção julgada como negativa?

Essa não é uma publicação sobre não necessitarmos de cuidado e limites ou sobre termos que “aprender” com o que foi péssimo ou com o que tem como responsáveis terceiras pessoas.
É muito mais um convite e uma lembrança de que podemos também nos arriscar a viver e a nos frustrar, a nos decepcionar e por que não, então, a nos refazer.

Privar-se de determinados desconfortos e riscos pode nos impedir de “desenvolver algumas habilidades, autocontrole, tolerância a frustração e autogerenciamento emocional” (Haidt, 2024) ou dizendo de um outro jeito: pode nos privar de experienciar a vida, sua delícias, dores e possibilidades.

Ingrid Rocha
CRP 17/3564

Referências:
HAIDT, J. A geração ansiosa. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
Le fabuleux destin d’Amélie Poulain. JEUNET, J.-P. 2001.
TALEB, N. N. Anti-frágil: Coisas que se beneficiam com o caos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.

A autossabotagem costuma ser vista como um comportamento contraditório: a pessoa que sabe o que precisa fazer e faz o co...
20/07/2026

A autossabotagem costuma ser vista como um comportamento contraditório: a pessoa que sabe o que precisa fazer e faz o contrário. Porém, para entendermos melhor a complexidade que envolve o que chamamos de autossabotagem, precisamos ir além da compreensão de que o ser humano é movido apenas pela busca de prazer e fuga da dor. Há algo que insiste em repetir padrões que levam ao sofrimento e isso pode se configurar como uma tentativa inconsciente de elaborar um conflito que ainda não pôde ser simbolizado.

Repetimos porque ainda não conseguimos compreender o que nos atravessa. Repetimos nas escolhas de parceiros, na relação com o trabalho, no consumo, mesmo estando consciente que aquilo está causando algum dano.

Porém, em um contexto em que a sociedade diz: “você precisa enriquecer, e se não enriqueceu é porque não tentou o suficiente”; “é possível dar conta de várias coisas ao mesmo tempo, você que não gerencia bem as horas do seu dia”; “só quem se arrisca pode viver o extraordinário”; e tantas outras frases que vimos por aí, o que chamam de autossabotagem passa a ter um pano de fundo coletivo. Podemos nos ver presos a padrões de repetição que nos foi imposto como um imperativo social.

Esse discurso nos faz acreditar que todo sofrimento é resultado de uma falha individual, quando muitas das nossas dificuldades também são produzidas pelas exigências do mundo em que vivemos. Assim, um problema social acaba sendo tratado como uma incapacidade pessoal.

Diante disso, podemos substituir a pergunta de como parar de se sabotar, para começar a perguntar o quê sabotar. Sabotar a convocação à performance permanente, desafiar o sistema, desconstruir a crença de que somos os únicos responsáveis pelo nosso fracasso. Reconhecer que algumas dores são sintomas do mundo, e não falhas pessoais, nos ajuda a construir novas formas de existir, menos baseadas na culpa e mais abertas à resposta criativa, em vez da repetição submissa.

Brisa Fernandes
CRP 17/3404

Referência: O Eu em Crise (Material de apoio - Casa do Saber). Lucas Veiga.

Você já pensou em escrever como se sente? Já fez isso em algum momento?A  breve revisão de Figueiras e Marcelino (2008) ...
07/07/2026

Você já pensou em escrever como se sente? Já fez isso em algum momento?

A breve revisão de Figueiras e Marcelino (2008) menciona que escrever sobre as experiências vividas podem trazer benefícios a quem escreve. Escrever pode ser uma maneira de expressar sentimentos e, ao narrá-los, construir sentido e se apropriar da própria experiência.

As autoras mencionam que escrever pode ser uma forma de processar experiências traumáticas e difíceis, ajudando quem escreve a reorganizar e assimilar suas experiências.

Para Smith & Pennebaker (2001) este processo integra aspectos cognitivos e emocionais, sugerindo que a expressão das emoções através da escrita pode oportunizar a capacidade de insight, a autorreflexão e a organização de sua própria percepção sobre os eventos.

Escrever pode ser um meio de criar um espaço próprio e seguro para emoções e experiências, inclusive as que muitas vezes podem ser constrangedoras, difíceis e reprimidas.

É válido destacar que escrever não é uma fórmula mágica ou apenas prazerosa de elaboração de nossas experiências. Entrar em contato com experiências traumáticas e difíceis é desafiador e pode gerar desconfortos até mesmo na escrita. Se encontrar com a própria existência e história, ou determinados momentos dela, coloca-nos diante desse desafio tremendo que pode ser revistar experiências complicadas e quem sabe com um tempo poder sustentá-las de outros lugares.

Em geral, escrever aparece na revisão das autoras em seu potencial positivo. Porém, reforçam: a escrita terapêutica não substitui a ajuda especializada, ou o tratamento necessário em diferentes contextos clínicos.

Ingrid Rocha
CRP 17/3564

Referência:
FIGUEIRAS, M. J.; MARCELINO, D. Escrita terapêutica em contexto de saúde:Uma breve revisão. Análise Psicológica, 2008. v. 2, n. XXVI, p. 327–334.

Essa pergunta já chegou até mim diversas vezes na clínica, e foi justamente ela que me inspirou a escrever este texto: e...
30/06/2026

Essa pergunta já chegou até mim diversas vezes na clínica, e foi justamente ela que me inspirou a escrever este texto: em que momento a ansiedade se tornou uma vilã que precisa ser eliminada a qualquer custo?

Não quero romantizar o sofrimento de quem convive com sintomas intensos de ansiedade. Sei o quanto ela pode ser incapacitante. Mas também percebo que, muitas vezes, estamos tão focados em fazê-la desaparecer que deixamos de perguntar: qual é o sentido desse incômodo? O que ele está tentando comunicar?

Para Jung, a psique possui uma capacidade natural de autorregulação, e os sintomas fazem parte desse processo. Diferente da ideia de cura como simples desaparecimento do sintoma, a psicologia analítica propõe que a transformação acontece quando compreendemos o significado simbólico daquilo que sentimos.

Nesse sentido, o sintoma deixa de ser apenas um inimigo a ser combatido e pode se tornar um importante mensageiro, apontando para aspectos de nós mesmos que foram ignorados, reprimidos ou negligenciados.

A ansiedade, por si só, é uma emoção natural. Ela prepara nosso organismo para lidar com desafios, mudanças e situações de ameaça. Para Jung, ela merece atenção quando se manifesta como um exagero patológico dessa função.

E quando isso acontece, o que fazemos? Muitas vezes tentamos fugir da ansiedade preenchendo nossos dias com distrações, sem escutar o que ela tenta nos dizer. Quanto mais evitamos o desconforto, mais alimentamos o ciclo que o mantém vivo, e, em alguns casos, ele encontra outras formas de se expressar, inclusive no corpo.

Romper esse ciclo exige algo difícil, mas necessário: encarar o sintoma. Isso não significa desejar sua presença, mas desenvolver a capacidade de escutá-lo. Essa escuta nem sempre é confortável, mas, quando acolhemos a mensagem contida no sintoma em vez de apenas lutar contra ele, algo começa a se transformar. Aos poucos, nos aproximamos daquilo que ele parece pedir: um encontro mais profundo com quem realmente somos.

Brisa Fernandes
CRP 17/3404

Ingrid Rocha é doutora em psicologia e psicóloga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atua ...
18/06/2026

Ingrid Rocha é doutora em psicologia e psicóloga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atua na clínica psicológica há quase 10 anos. Em sua trajetória acadêmica dedica-se ao luto, aos cuidados paliativos, aos profissionais de saúde e ao cuidado de quem cuida, tendo seus estudos e atuação marcados pelo interesse no cuidado e na humanização das práticas de saúde. Foi membro entre 2013-2024 do Laboratório de Estudos em Tanatologia e Humanização das Práticas de Saúde (LETHS/UFRN), sendo associada entre 2020-2022 da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). No início de seu percurso clínico pós-graduou-se em Psicologia Clínica Transpessoal pela Associação Norte-Riograndense de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal (ANPPT) e atualmente está em formação em Avaliação Psicológica a fim de acompanhar e refletir sobre questões relevantes ao nosso tempo.

Para agendamento de sessões, consulte o link na bio 🌿

🌿 O Maitri Instituto de Psicologia iniciou suas atividades em 2017 buscando a partir de suas práticas se construir como ...
17/06/2026

🌿 O Maitri Instituto de Psicologia iniciou suas atividades em 2017 buscando a partir de suas práticas se construir como referência em cuidado integral e saúde mental na cidade de Natal-RN.

Atualmente o instituto é coordenado pelas psicólogas Brisa Fernandes e Ingrid Rocha.

O Maitri tem em seu cerne o compromisso com o cuidado de quem chega até nós, prezando pelo desenvolvimento, acompanhamento e orientação de pessoas, grupos e organizações a partir da escuta, acolhimento e práticas eticamente fundamentadas.
Desde então, oferecemos variados serviços de psicologia, voltados para a construção de autonomia e bem-estar:

• Psicoterapia presencial e on-line
• Plantão Psicológico
• Oficinas
• Palestras
• Workshops
• Sublocação de horários e turnos para psicólogos
• Cine-Maitri: diálogo e cinema
• Terapia Sonora - Sound Healing

Entre em contato conosco clicando no link na bio 🌻

Brisa Fernandes é psicóloga graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN - 2016) e atua há quase 10 a...
15/06/2026

Brisa Fernandes é psicóloga graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN - 2016) e atua há quase 10 anos na clínica, dedicando-se ao atendimento de adultos na abordagem da Psicologia Analítica (Junguiana). É pós-graduada em Psicologia Clínica Transpessoal pela Associação Norte-Riograndense de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal (ANPPT) e em Psicologia Junguiana pelo Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP-SP). Além da prática clínica, atuou por 9 anos na política pública de Assistência Social como psicóloga da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMTAS). Possui certificação internacional em Terapia Sonora pelo curso Sound Healing & Vibrational Consciousness®️ e atualmente está em formação em Avaliação Psicológica pela Faculdade Líbano.

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Para agendamento de sessões, consulte o contato na bio 🌿

Enquanto estivermos apegados ao tomar conta do outro, estaremos privados do poder de confiar em nós e nele.Quando honram...
21/01/2026

Enquanto estivermos apegados ao tomar conta do outro, estaremos privados do poder de confiar em nós e nele.

Quando honramos a nossa existência no que fazemos, o cuidado com o outro é uma escolha que não deixa conta em aberto no final.

Essas reflexões são inspiradas no livro “Conversas Corajosas” de Elisama Santos, que deixamos como indicação de leitura 📚

(Estamos com agenda aberta para psicoterapia presencial e on-line, link para contato na dm ou na bio ✨🌿)

Hoje finalizamos o nosso grupo de leitura com o livro Sociedade do Cansaço de Byun-Chul Han. Foram duas manhãs de muita ...
08/11/2025

Hoje finalizamos o nosso grupo de leitura com o livro Sociedade do Cansaço de Byun-Chul Han. Foram duas manhãs de muita troca, insights e reflexões ✨🌼

Muito obrigada e em breve tem mais! 📚

Olá pessoal! ☀️Nosso encontro em parceria com  foi adiado e agora acontecerá nos dias 01 e 08 de novembro às 9h30!Nesses...
27/10/2025

Olá pessoal! ☀️

Nosso encontro em parceria com foi adiado e agora acontecerá nos dias 01 e 08 de novembro às 9h30!

Nesses dias daremos início ao grupo de leitura do livro “Sociedade do Cansaço” do filósofo e escritor Byung-Chul Han. Nesse grupo a proposta é colocar nossos cansaços na mesa e com auxílio da leitura e do encontro, pensar em maneiras de subverter/reverter essa lógica do cansaço que muito nos aprisiona e adoece.

Você que nunca leu ou que já leu e se interessa pelo tema, vai ser muito bem vindx nesse debate.

Nos vemos lá! 📚

Lembrando: os encontros serão presenciais e temos 6 vagas disponíveis, garanta a sua clicando no link na bio.

Endereço

Avenida Amintas Barros/CTC Tower/Torre B/Sala 2306
Natal, RN
59062-250

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 22:00
Terça-feira 08:00 - 22:00
Quarta-feira 08:00 - 22:00
Quinta-feira 08:00 - 22:00
Sexta-feira 08:00 - 22:00
Sábado 08:00 - 12:00

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