23/10/2020
Estava a refletir sobre como esses 4 meses de pandemia vem colocando o nosso país em um grande abismo: social, físico e psicológico. Além do que nos possibilitou inúmeros questionamentos acerca do futuro, incerto para muitos. Fomos colocados diante do temor ao vírus, das tristezas decorrentes das perdas e grandes angústias advindas do isolamento social e da solidão. No entanto, não me refiro aqui apenas a tais dificuldades dos que se encontram em suas casas, mas dos profissionais da saúde e de tantos outros submetidos integralmente aos prejuízos físicos e psicológicos desta grande crise, especialmente aqueles que foram cerceados da proteção e aconchego dos seus entes queridos. Sem falar ainda do impacto econômico e nas mudanças laborais e de rotina. A pandemia veio para muito nos ensinar ou pelo menos nos fazer aprender a lidar com nosso 'ponto de equilíbrio' apesar das adversidades. Sobre abrigar nossas fragilidades, sem que precisemos necessariamente nos abrigar nelas. Falo assim pois por que não abrigá-las quando se faz necessário? Já que devemos também sermos nós mesmos em nossas próprias vulnerabilidades. E aqui me recordo de uma palestra de Brené Brown de título original: "The power of vulnerability" (O poder da vulnerabilidade) que traz neste tema o modo como lidamos com ela. Pois acolher a nossa vulnerabilidade é também uma forma de lidarmos com a nossa força interior, com nossos recursos internos de fragmentação e imperfeição. No TED Talk disposto no Youtube ela nos mostra com muito bom humor suas pesquisas sobre coragem e vulnerabilidade - opostos de um mesmo espectro. E como ela mesma coloca: sempre haverá coragem em ser imperfeito, incompleto e vulnerável e isso é algo que depende absolutamente de nós mesmos.
Fabianne Paiva
Psicóloga
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