13/03/2026
Algumas pessoas carregam a sensação de não pertencer a lugar nenhum.
Elas estão nos grupos, nas famílias, nos trabalhos…
mas por dentro sentem como se estivessem sempre um pouco deslocadas.
Como se estivessem ali, mas não exatamente sendo quem são. Em muitos contextos, aprendemos, muitas vezes sem perceber, que algumas partes de nós parecem mais aceitáveis do que outras.
Então começamos a nos adaptar.
A mostrar o que parece mais seguro. A esconder o que poderia não ser compreendido.
Com o tempo surge uma sensação estranha. Como se estivéssemos vivendo uma versão editada de nós mesmos.
E junto com isso pode aparecer um medo silencioso:
o medo de que, se os outros vissem quem realmente somos, tudo pudesse desmoronar.
Quando essa distância cresce demais, pode nascer também uma sensação difícil de explicar:
a sensação de ser uma fraude.
Às vezes o sentimento de não pertencer não fala da falta de lugar. Fala da experiência de não poder estar inteiro onde se está.
E viver assim, por muito tempo, pode fazer alguém acreditar que o problema é ele.
Quando, muitas vezes, o que falta não é pertencimento. É permitir-se existir sem precisar representar um papel.