12/06/2024
Como bem colocou Ana Suy em seu livro “A gente mira no amor e acerta na solidão”, nos apaixonamos pela fantasia do outro que nós mesmos criamos, mas que também, por algum tempo, é também alimentada por ele. Ou seja, a gente ama o que a gente gostaria que o outro fosse e não o que ele é. Aos poucos, com o tempo, esse outro vai se mostrando e saindo desse lugar de ideal em que foi colocado, e claro, daí que podem surgir certos desconfortos: “como assim você não é aquela pessoa que eu queria que você fosse?”. E por isso que o trecho da música do Cazuza faz tanto sentido, porque a gente, cegos na fase da paixão, nos recusamos a ver o outro como ele é e f**amos f**ados naquilo que queríamos que fosse. O bom é que essa fase acaba, e é a partir daí que sabemos se a paixão vira amor ou outra coisa.
Amar não é inato, ou seja, não nascemos amando, a gente aprende a amar. Aprendemos como gostaríamos de ser amados e também o que pode ser considerado um ato de amor ou não. Considerando cada época, cada cultura é cada par.
Tenho para mim que para amar é preciso ter muita coragem, pois é certo que iremos nos frustrar - nos sentido de que o outro nunca vai corresponder as nossas expectativas, mesmo sendo esse outro muito próximo de nosso ideal. Pois amar não é se anular para caber no desejo do outro, é conseguir sustentar suas diferenças e aceitar que ninguém ama igual. E sempre bom lembrar que nem por isso vamos sair aceitando qualquer coisa, não.
Amar é para além dos momentos fofinhos. É ter conversas difíceis, estabelecer e sustentar limites de cada um na relação, fazer acordos e respeitá-los, as vezes ceder, entender que nem tudo é como gostaríamos.
Como disse Tatiana Paranaguá, “em relacionamento não tem jogo ganho. Você acorda todo dia decidindo f**ar com aquela pessoa”. Logo, o amor acontece no dia-a-dia, vai sendo construído a dois. É uma tarefa diária.
E diga-se de passagem, que difícil esse negócio de amar, não é gente? Mas que delícia ❤️
Feliz dia dos namorados.
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Thalita Cupertino Psi
Adultos e bebês