22/07/2025
Nem todo estágio termina em capítulo de livro — mas esse terminou.
E foi um dos trabalhos escolhidos para compor uma publicação que reúne experiências marcantes de intervenção com grupos na PsicoMack.
Fui convidada a coassinar o capítulo “A música como mediador terapêutico para a criação de vínculos na população em situação de rua”, publicado na coletânea Processos Grupais e Intervenções Psicossociais, organizada por três grandes nomes da Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie — Uma das quais (Maria Aparecida Fernandes Martin) regeu tantos semestres em minha turma. ❤️
O convite veio a partir do trabalho realizado durante o estágio curricular no COR Pinheiros, com um grupo de homens adultos em situação de rua. Ao lado da minha colega de estágio Mariana Andreis e de nossa querida professora e supervisora à época, Aline Souza Martins, usamos a Música como ferramenta de escuta, aproximação e cuidado, em um espaço onde vínculos são sistematicamente rompidos ou evitados.
A vivência foi transformadora. Penso frequentemente, até hoje, nas pessoas que conhecemos ali. Ouço músicas que trocamos, que propusemos e que foram propostas. Lembro de seus rostos, vozes e histórias. Penso em como eles me ensinaram, na prática, que vínculo se constrói na escuta real, na segurança da repetição respeitosa dos encontros e na potência dos símbolos compartilhados. Foi uma experiência que moldou para sempre a minha prática — e também meu modo de olhar para o outro.
A publicação desse capítulo representa, para mim, mais do que o reconhecimento acadêmico: é também uma forma de devolver algo à experiência, de registrar e repassar com seriedade o que vivemos, e de afirmar que a Psicologia precisa, sim, se comprometer com as margens.
Ter nosso relato selecionado entre tantas turmas que passaram pelo Mackenzie nos últimos anos é motivo de imenso orgulho e de muita responsabilidade. O livro, além de um recorte sensível da prática com grupos, é também uma aposta ética e política em formas de cuidado que dialogam com a realidade e com a complexidade das relações humanas. Convido especialmente aqueles que trabalham com pessoas, a conhecerem esta coletânea tão rica. […]