13/02/2026
Tenho me sentido profundamente indignada com as últimas notícias sobre a violência contra as mulheres. Não são apenas manchetes. São vidas interrompidas, sonhos atravessados, histórias que poderiam continuar.
Ser mulher não está se tornando mais fácil. Está se tornando mais brutal. E essa brutalidade não aparece só nas ruas. Ela chega também ao consultório. Chega nas mulheres que se sentam diante de mim carregando silêncio, medo, culpa e a sensação de que precisam se diminuir para sobreviver.
O que explode em violência lá fora muitas vezes já estava acontecendo de forma invisível por dentro. O controle, a desvalorização, o apagamento da autonomia. O feminicídio não começa no ato extremo. Ele começa na ideia de que uma mulher pode ser posse.
Não podemos tratar isso como algo distante. E, enquanto sociedade, precisamos decidir se continuaremos tratando mulheres como território ou se finalmente as reconheceremos como mulheres plenas de direitos, desejos e dignidade.
A indignação não pode ser passageira. Ela precisa nos mover.