Dr Marco Aurélio Lameirão

Dr Marco Aurélio Lameirão Serviço de Cirurgia Geral e Videolaparoscopia em Niterói RJ

12/08/2026

Quando é uma paciente pré-cirúrgica, eu pego o prontuário inteiro, com tudo que ela me contou naquela hora, e volto a estudar aquilo em casa. Uso inteligência artificial nessa etapa. Passei meses ajustando o sistema pra raciocinar do jeito que eu raciocino, e hoje ele me devolve o caso destrinchado: o fenótipo daquela paciente, sinais de ativação mastocitária (as células que espalham inflamação pelo corpo inteiro), o que precisa entrar de nutrição, de fisioterapia pélvica, de manejo de dor, quais suplementos fazem sentido pra aquele quadro e não pra qualquer quadro.

Aí eu comparo com a conduta que a equipe já tinha traçado. Na maior parte das vezes bate certinho. Quando não bate, melhor ainda, porque me obriga a olhar de novo.

E nada disso substitui decisão médica. A máquina não examina ninguém, não opera ninguém, não decide nada. Ela me faz pensar mais rápido e por mais ângulos do que eu conseguiria sozinho numa noite.

O que chega pra paciente uma semana depois são oito páginas sobre o caso dela. A reação costuma ser a mesma: “então o senhor levou o meu caso pra casa e estudou”.

Levei. E não fui só eu. Aquele documento carrega o raciocínio do grupo inteiro.

Quem chega até aqui normalmente passou anos ouvindo que era normal, que era cólica, que era da cabeça dela. Ver o próprio caso escrito por inteiro muda alguma coisa. Não é sobre tecnologia. É sobre não ser tratada como mais uma.

Manda pra alguém que ainda está esperando ser levada a sério.

23/07/2026
07/07/2026

O norte está na palavra da paciente. Não no exame.

Tem mulher com dor 9 em tudo e um único ponto de doença na ressonância. E essa dor é real, é incapacitante, é digna de tratamento sério.

Quem descarta pela imagem não entende endometriose.

18/06/2026

Quando uma medicação ou um tratamento sério vira moda de mercado, quem perde é a paciente.
Aconteceu com a gestrinona. Era pra ser usada com indicação e critério, virou “chip da beleza”, e queimou o filme da substância. Hoje quem de fato precisa dela carrega um preconceito que não devia existir.
O problema não é a ferramenta. É o uso sem estudo, sem critério, transformado em oportunidade comercial. Faz um cursinho rápido, sai aplicando, cobra caro, e não entrega resultado pra quem confiou.
E a conta sempre cai no mesmo lugar. A paciente paga, não melhora, e ainda sai desacreditando de algo que poderia ter ajudado se fosse feito com seriedade.
Tratamento sério tem estudo por trás e indicação certa pra cada caso. O resto é mercado.

15/06/2026

Eu trouxe muita coisa de casa.
Da minha mãe, que era psicóloga, veio a escuta. Aprendi cedo que ouvir não é esperar a sua vez de falar. É sentir de verdade o que a outra pessoa está vivendo.
Do meu pai, cirurgião, veio o resto. A responsabilidade, o respeito pelo paciente, e todo o conhecimento de cirurgia que ele foi me passando, muitas vezes operando do meu lado.
Aí juntou. A escuta de um lado, a técnica do outro.
Eu gosto de gente. De resolver o problema das pessoas, de sentir a dor de quem está na minha frente. Isso não se aprende num curso. Vem de casa.

Hoje é um dia histórico.Ontem, 9 de junho de 2026, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Instituto Alana an...
10/06/2026

Hoje é um dia histórico.

Ontem, 9 de junho de 2026, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Instituto Alana anunciaram em Brasília o maior investimento já feito pelo Brasil em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual: R$ 60 milhões.

R$ 50 milhões via CNPq em editais nacionais de pesquisa. R$ 10 milhões do Instituto Alana para criar uma rede nacional de pesquisadores especializados. Cinco eixos vão guiar a chamada pública: causas e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social.

Esse anúncio vem um ano depois do primeiro protocolo clínico do SUS para endometriose, dentro do programa Agora Tem Especialistas. Não é um movimento isolado. É a construção, peça por peça, da infraestrutura que faltava no Brasil para tratar a doença com a seriedade que ela merece.

A maioria das mulheres com endometriose no nosso país ainda recebe como única resposta uma caixa de anticoncepcional. Sem cirurgia especializada. Sem equipe multidisciplinar. Sem médico com formação aprofundada. Esse investimento começa a mudar essa realidade — e o impacto real vai chegar exatamente onde mais se precisa.

Eu falo há anos sobre essa doença ser séria, sistêmica, subdiagnosticada. Hoje o Estado brasileiro disse a mesma coisa. Em alto e bom som.

Manda esse post para cada mulher que precisa saber que esse dia chegou. Hoje é um dia que merece ser dividido.

endometrioseBrasil

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