20/05/2026
O silêncio de um menino ferido costuma ser ensurdecedor, mas nós fomos ensinados a ouvir apenas o choro.
Sempre que falamos de violência infantojuvenil, a imagem que vem à cabeça da maioria das pessoas é a de uma menina. Mas, durante a minha década de atuação no Tribunal de Justiça, eu recebi dezenas de processos de meninos que sofreram abusos durante anos bem debaixo dos olhos da sociedade.
Por que demoramos tanto a notar? Porque a nossa cultura silencia os meninos.
Quando um menino sofre uma violação, o medo dele não é apenas do agressor. É o medo do julgamento, da humilhação, da quebra daquela falsa ideia de que "homem de verdade sabe se defender".
E o que ele faz com essa dor que não pode ser dita? Ele a transforma em agressividade.
Aquele aluno que de repente começou a bater nos colegas, que quebra as coisas na sala de aula, que xinga o professor... A primeira reação da rede muitas vezes é aplicar uma medida disciplinar. Nós rotulamos a criança de "rebelde" e esquecemos de nos perguntar: o que está gerando tanta raiva?
Profissionais da Educação, da Saúde e da Assistência Social: vocês precisam treinar o olhar. A dor não tem gênero, mas a forma de expressá-la muda de acordo com o que ensinamos a essas crianças. A agressividade, muitas vezes, é o choro que o menino não teve permissão para derramar.
Não seja o adulto que pune a criança pela incapacidade dela de falar sobre a própria dor.
👇 Você já tinha parado para pensar em como a agressividade pode ser um sinal de abuso? Deixe a sua reflexão nos comentários.
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Créditos: .oli