Dani Zeponi

Dani Zeponi Psicóloga Jurídica no Tribunal de Justiça do Paraná
Psicóloga Cognitiva- Comportamental
Palestr

20/05/2026

O silêncio de um menino ferido costuma ser ensurdecedor, mas nós fomos ensinados a ouvir apenas o choro.

​Sempre que falamos de violência infantojuvenil, a imagem que vem à cabeça da maioria das pessoas é a de uma menina. Mas, durante a minha década de atuação no Tribunal de Justiça, eu recebi dezenas de processos de meninos que sofreram abusos durante anos bem debaixo dos olhos da sociedade.

​Por que demoramos tanto a notar? Porque a nossa cultura silencia os meninos.
​Quando um menino sofre uma violação, o medo dele não é apenas do agressor. É o medo do julgamento, da humilhação, da quebra daquela falsa ideia de que "homem de verdade sabe se defender".

​E o que ele faz com essa dor que não pode ser dita? Ele a transforma em agressividade.
​Aquele aluno que de repente começou a bater nos colegas, que quebra as coisas na sala de aula, que xinga o professor... A primeira reação da rede muitas vezes é aplicar uma medida disciplinar. Nós rotulamos a criança de "rebelde" e esquecemos de nos perguntar: o que está gerando tanta raiva?

​Profissionais da Educação, da Saúde e da Assistência Social: vocês precisam treinar o olhar. A dor não tem gênero, mas a forma de expressá-la muda de acordo com o que ensinamos a essas crianças. A agressividade, muitas vezes, é o choro que o menino não teve permissão para derramar.
​Não seja o adulto que pune a criança pela incapacidade dela de falar sobre a própria dor.

​👇 Você já tinha parado para pensar em como a agressividade pode ser um sinal de abuso? Deixe a sua reflexão nos comentários.

​🔗 Para dominar a leitura comportamental e os protocolos da Lei 13.431/2017, digite EXPRESS nos comentários. A técnica te impede de cometer o erro da negligência.
Créditos: .oli

13/05/2026

A mulher que sofre violência doméstica hoje, quase sempre, é a criança que a rede de proteção falhou em enxergar ontem.

Ouvir o relato da Neusa Nunes no Fórum Pensar Mulher é ter a confirmação nua e crua de como o ciclo da violência se perpetua quando não há uma intervenção técnica e humanizada no início da vida.

Aos 9 anos, a dor do luto pela mãe, a separação dos irmãos e a institucionalização (Febem). Aos 14, a pior das violações: ser entregue pela própria família, sofrer abuso sexual e engravidar. Aos 18, as ruas.

O resultado de uma infância e adolescência marcadas pela ausência total de garantia de direitos desaguou em mais de duas décadas de violência doméstica na fase adulta, na cidade de Lajeado.

Como ex-psicóloga do Tribunal de Justiça, eu vi trajetórias como a da Neusa centenas de vezes. Isso não é apenas uma triste "história de vida". É o raio-X do que acontece quando o Sistema de Garantia de Direitos (SGDCA) não intervém a tempo.

Mas a história dela também nos ensina qual é a nossa maior arma: a força da Rede de Proteção.
O que mudou o rumo de uma vida inteira de dor? O acolhimento institucional. Em 1994, quando a Neusa finalmente cruzou com profissionais da assistência social dispostos a dar o suporte correto, a vida dela começou a ser reescrita.

Para você que atua na assistência social, na saúde, na psicologia, na educação ou no conselho tutelar, o relato dela é um chamado. O seu trabalho hoje, o seu preenchimento correto de um encaminhamento, o seu olhar atento e a sua técnica de escuta... tudo isso é o que impede que as meninas de hoje vivam as décadas de dor que a Neusa precisou viver.

A rede de apoio salva vidas. O acolhimento técnico transforma destinos.
Um fórum fundamental e um relato que nos lembra o peso e a importância da nossa profissão.

Obrigada por compartilharem e promoverem esse debate tão urgente e

👇 Qual é a sua principal reflexão ao ver o quanto a nossa atuação na infância reflete diretamente na vida adulta dessas mulheres? Deixe aqui nos comentários.🧡

12/05/2026

Eu sei que falar sobre prevenção ao abuso sexual infantil gera um desconforto enorme na maioria das famílias e até nas escolas. O nosso instinto de proteção muitas vezes nos faz pensar: "Eles são muito pequenos para isso"ou "Não quero assustar o meu filho".

Mas, como profissional que atuou por uma década no Tribunal de Justiça, eu preciso ser muito franca: o silêncio não protege as nossas crianças. O silêncio é, na verdade, a principal ferramenta que o abusador utiliza.

Fazer a prevenção não significa sentar com a criança e contar histórias terríveis do mundo adulto. Prevenção é educação diária e lúdica. É sobre autonomia corporal.

Como você começa a ensinar isso na prática?
1. Dê o nome correto às coisas: Usar apelidos para as partes íntimas confunde a criança. Ensinar os nomes biológicos corretos tira o estigma e facilita caso a criança precise relatar um toque indevido.

2. A Regra do Maiô/Sunga:Ensine que as partes do corpo que ficam cobertas pela roupa de banho são áreas de proteção absoluta. Ninguém toca, e eles não tocam em ninguém.

3. Valide o "Não": Se a criança não quer dar um abraço em um parente ou visita, não a obrigue. Quando você força o contato físico "por educação", você ensina à criança que o corpo dela não pertence a ela.

4. O fim do "Segredo": Abusadores adoram pedir para a criança guardar segredo. Mude o vocabulário da sua casa: o que é bom e tem hora para acabar se chama SURPRESA. Segredo que dá "frio na barriga" ou medo, não se guarda, conta-se para quem confiamos.

A criança que conhece o próprio corpo e os seus limites não perde a inocência; ela ganha um escudo.

👇Qual é a sua maior dificuldade ou insegurança na hora de abordar esse tema com as crianças? Deixe aqui nos comentários.

Créditos:

Endereço

Avenida 14 De Dezembro, 106, Sala 04
Nova Esperança, PR
87600-000

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