11/03/2026
Essa história é narrada por duas crianças, com a sensibilidade do olhar de quem vê a vida de forma inaugural.
Um caderno de memórias onde só podem entrar verdades, segundo o pacto dessa irmandade. O que é verdade numa ficção? Não sendo “A verdade”, para que serve contar uma história?
Recebemos um convite para entrar em um mundo que está em guerra, através da narrativa de quem não sabe nada sobre as regras sociais, éticas, morais, filosóficas. Um mundo habitado por pessoas capazes de gestos de horror e de extrema gentileza.
Como se aprende o bom? Como se lida com o mau? Bem e mal não parecem tão simples nesse mundo de ficção tão próximo da realidade.
Nem só por fatos são compostas as verdades.
Pelos olhos dos meninos o mundo é também um eu experimentando a imensidão dos encontros, eles são agredidos com palavras, com gestos, com armas e bombas, são amados com caderno e lápis, eles recebem pão.
Gestos possíveis em meio a miséria.
Eles mendigam palavras.
Decidem se proteger de tudo, até do amor.
Um gesto mareja os olhos de um jovem.
Os laços vão sendo criados pela intimidade das memórias.
Dores e angústias sem nome são passadas a limpo.
No caderno lápis e memórias operam suas marcas no papel, precisam continuar escrevendo.
Eles que não sabem habitar esse mundo em primeira pessoa, se fundem em uma coisa só, um eu só.
Ele com a audácia que só quem foi criança sabe ser capaz de ter, toma a decisão, todo dia, a pesar da sentença de morte, de viver.