Tudo Sobre Dor

Tudo Sobre Dor Tudo Sobre Dor
Dr. Leonardo Avila - Fisioterapeuta - CREFITO 175488-F
PhD. em Neurociências

Clínica Tudo Sobre Dor - Especializada no tratamento conservador e não farmacológico das dores crônicas
Leonardo Avila - Fisioterapeuta - CREFITO 175488-F
Graduado e Mestre em Fisioterapia pela Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC
Doutor em Neurociências pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC

📚A revisão sintetizou 32 diretrizes clínicas internacionais (1994–2026) para o controle da dor lombar inespecífica (dor ...
31/07/2026

📚A revisão sintetizou 32 diretrizes clínicas internacionais (1994–2026) para o controle da dor lombar inespecífica (dor lombar primária) e comparou a consistência das recomendações terapêuticas.

1️⃣Entre os tratamentos não farmacológicos com maior respaldo para reduzir intensidade da dor e incapacidade, destacaram-se: (1) exercício terapêutico, (2) intervenções psicológicas, especialmente terapia cognitivo-comportamental, (3) tratamento multidisciplinar/interdisciplinar, (4) educação do paciente e estratégias de autogerenciamento, e (5) manipulação espinal, preferencialmente como parte de um plano multimodal. ❌Em contrapartida, tração, repouso prolongado e ultrassom foram frequentemente desencorajados;

2️⃣Entre os tratamentos farmacológicos, os AINEs apresentaram o suporte mais consistente. Relaxantes musculares receberam recomendações favoráveis principalmente para dor aguda. ❓Já opioides e paracetamol exibiram recomendações conflitantes entre as diretrizes, enquanto ❌corticosteroides, anticonvulsivantes, benzodiazepínicos e antidepressivos foram frequentemente desencorajados ou não recomendados para uso rotineiro; e

3️⃣Quanto aos tratamentos intervencionistas, as diretrizes convergem para uma postura conservadora: ❓procedimentos invasivos devem ser reservados para situações específicas e cuidadosamente selecionadas, ❌não sendo recomendados como estratégia de rotina para pacientes com dor lombar inespecífica.

✅Em conjunto, o estudo reforça que a abordagem contemporânea prioriza intervenções conservadoras, individualizadas e baseadas em evidências, ⁉️reservando medicamentos e procedimentos invasivos para indicações específicas.

🗣️ A sua prática clínica está alinhada com as principais evidências?

*Há diferenças nas recomendações enquanto as dores agudas e crônicas.

📚Referência bibliográfica nos comentários.

🤔É curioso observar como alguns profissionais transformaram a busca por evidências científicas em uma ferramenta para al...
30/07/2026

🤔É curioso observar como alguns profissionais transformaram a busca por evidências científicas em uma ferramenta para alimentar discussões estéreis. Em vez de estudar para compreender melhor um fenômeno clínico, melhorar o raciocínio diagnóstico ou aperfeiçoar a tomada de decisão terapêutica, gastam horas garimpando artigos apenas sobre temas polêmicos. O objetivo, muitas vezes, não é produzir conhecimento, mas produzir confronto.

💧O algoritmo recompensa o conflito. A ciência, não.

🤬Uma evidência científica pode ser utilizada para esclarecer, contextualizar e qualificar um debate. Mas também pode ser retirada do seu contexto para sustentar narrativas simplistas, polarizar opiniões e aumentar o alcance de uma publicação.

📉Esse comportamento gera visualizações, comentários e compartilhamentos. Porém, dificilmente contribui para a formação crítica dos profissionais da saúde ou para uma prática clínica mais baseada em evidências.

🫱🏻‍🫲🏼A ciência deveria aproximar pessoas do conhecimento, e não transformá-las em torcidas organizadas de técnicas, métodos ou crenças.

📝No longo prazo, reputação científica é construída pela consistência do conteúdo, pela honestidade intelectual e pela capacidade de reconhecer a complexidade dos fenômenos clínicos, não pela quantidade de conflitos gerados nas redes sociais.

👌🏻No fim, estudar para entender sempre será mais nobre do que estudar apenas para viralizar.

🗣️Perguntei para a baby Alice Broering Harger sobre publicar ou não essa reflexão. Ela disse que sim, todavia não considerou uma reflexão. Mas, um desabafo! Acredito estar ficando velho, impaciente e cansado.

30/07/2026

🧠🎯Alvos terapêuticos de acordo com o fenótipo de dor.

👨🏻‍⚕️Você emprega essa raciocínio na prática clínica?

📖Acabei de ler um dos artigos mais relevantes publicados recentemente sobre dor lombar na The Lancet Rheumatology. Segue...
30/07/2026

📖Acabei de ler um dos artigos mais relevantes publicados recentemente sobre dor lombar na The Lancet Rheumatology. Seguem as minhas impressões:

🔄Mais do que atualizar recomendações clínicas, ele aproxima, de forma explícita, a tradicional classificação “dor lombar não-específica” do conceito de “dor lombar crônica primária” proposto pela CID-11. Na minha opinião, essa discussão merece atenção especial, pois pode representar uma importante mudança na forma como compreendemos e comunicamos esse diagnóstico.

📈A revisão reforça que a dor lombar não-específica (ou primária) corresponde à maioria dos casos atendidos na atenção primária (90–95%) e é definida pela ausência de uma patologia específica capaz de explicar adequadamente os sintomas, como fraturas, infecções, neoplasias ou outras lesões estruturais.

🔎Do ponto de vista diagnóstico, permanece fundamental realizar anamnese, exame físico, avaliação neurológica, investigação de red flags, fatores psicológicos e prognósticos, reservando exames de imagem para situações com suspeita de patologia grave ou déficits neurológicos.

📝Embora o artigo seja uma revisão de diretrizes clínicas, ele evidencia uma possível transição conceitual importante: deixar de interpretar esses pacientes apenas como um diagnóstico de exclusão e passar a reconhecê-los, conforme a CID-11, como portadores de uma condição clínica própria — dor lombar crônica primária. Essa mudança pode influenciar diretamente o raciocínio clínico e a tomada de decisão.

📚No próximo texto, discutirei as recomendações atuais para o tratamento conservador, não farmacológico e farmacológico dessa condição.

🗣️Antes de finalizar, particularmente, discordo em considerar sinônimos os diagnósticos. Em especial, devido a definição de ambos. É um grande passo, mas ainda há falhas conceituais gravíssimas que impactam a produção, interpretação e implementação das evidências. As considerações são válidas?

📚Referência bibliográfica nos comentários.

👨🏻‍⚕️Mais um dia na linha de frente. Reconhecendo, aceitando e enfrentando os desafios da prática clínica ao tentar ofer...
29/07/2026

👨🏻‍⚕️Mais um dia na linha de frente. Reconhecendo, aceitando e enfrentando os desafios da prática clínica ao tentar ofertar a melhor evidência científica disponível aos nossos pacientes com dores crônicas complexas e de difícil controle.

📍Clínica Tudo Sobre Dor (TSD)🧠, Fisioterapia especializada no tratamento conservador e não farmacológico da intensidade da dor e incapacidade física de pacientes com dores crônicas complexas e de difícil controle. Para marcar uma consulta presencial ou on-line (teleconsulta), acesse o 🔗 link na BIO.

29/07/2026

📝Dados acerca do estudo mais atual sobre a discriminação dos fenótipos de dor para a prática clínica.

🗣️Infelizmente, há muitos colegas atuando na ausência de conhecimento sobre os temas abordados nesse breve recorte.

📚Referências bibliográficas:

1- Shraim MA, et al. Towards a tool to discriminate between pain mechanistic descriptors. Expert ranking of clinical features and allocation of wights using a forced choice paradigm. PAIN. 2026

😱O medo da dor corresponde à resposta emocional diante da possibilidade de sentir dor, enquanto o medo do movimento (cin...
29/07/2026

😱O medo da dor corresponde à resposta emocional diante da possibilidade de sentir dor, enquanto o medo do movimento (cinesiofobia) representa a crença de que o movimento poderá provocar dor, lesão ou agravar a condição clínica.

✋🏻Quando persistentes, ambos favorecem comportamentos de evitação, reduzem a atividade física e perpetuam o ciclo de cronificação da dor. O artigo demonstra que esse processo está associado à disfunção do sistema mesocorticolímbico, envolvendo córtex pré-frontal medial, amígdala, hipocampo, núcleo accumbens e área tegmental ventral, estruturas responsáveis pela integração dos componentes cognitivos, emocionais e motivacionais da experiência dolorosa.

🚨A hiperatividade da amígdala e do hipocampo ventral, associada à redução da atividade dopaminérgica e do controle cortical descendente, fortalece memórias de medo, diminui a motivação para o movimento e compromete a modulação descendente da dor, reduzindo a hipoalgesia induzida pelo exercício.

🧠💦💊Em contrapartida, o exercício voluntário promove normalização funcional desses circuitos, aumenta a ativação do sistema de recompensa, reduz a atividade de vias relacionadas ao medo e facilita a extinção de memórias aversivas associadas ao movimento.

📝Dessa forma, fisioterapeutas que identificam e abordam precocemente o medo da dor e do movimento, utilizando o exercício como intervenção terapêutica, podem favorecer uma neuroplasticidade adaptativa no sistema mesocorticolímbico, potencializar a hipoalgesia induzida pelo exercício, restaurar mecanismos centrais de modulação da dor e reduzir tanto a intensidade da dor quanto a incapacidade física em pacientes com dor crônica.

🗣️Você emprega esse conhecimento na prática clínica?

📚Referência bibliográfica nos comentários.

‼️Hoje vivi uma situação inédita em mais de uma década avaliando pacientes com dores crônicas complexas.🤷🏼‍♂️Pela primei...
28/07/2026

‼️Hoje vivi uma situação inédita em mais de uma década avaliando pacientes com dores crônicas complexas.

🤷🏼‍♂️Pela primeira vez, uma pessoa sentiu-se ofendida pela quantidade de informações que solicito antes da consulta, especialmente pelo preenchimento do mapa corporal da dor.

🤬Fui chamado de rígido, capacitista e acusado de não compreender casos complexos.

O curioso é que a crítica foi direcionada justamente a um dos instrumentos que mais me aproxima da individualidade do paciente.

Existe uma ideia perigosa de que solicitar dados significa burocratizar o cuidado. Para mim, significa exatamente o contrário.

🎯Na dor crônica, a localização da dor não é apenas um desenho em um corpo. Ela ajuda a predizer o fenótipo de dor predominante, orienta hipóteses clínicas, influencia o prognóstico e aumenta a precisão das decisões terapêuticas. Quanto mais complexo o caso, maior tende a ser a necessidade de informações. Não menos.

Também me entristece perceber como, em alguns momentos, julgamentos substituem argumentos. É muito mais fácil atribuir intenções a alguém do que discutir evidências. Minha prática clínica nunca foi construída sobre opiniões. Foi construída sobre dados.

Todos os pacientes são especiais. Não porque devam receber regras diferentes, mas porque cada experiência de dor é única. É justamente por reconhecer essa singularidade que faço tantas perguntas. Tratar todos da mesma forma seria muito mais confortável. Mas seria intelectualmente desonesto.

📝Curiosamente, esse episódio foi uma exceção absoluta. Em todos esses anos de coleta sistemática de dados, foi a única reação desse tipo.
E talvez isso apenas reforce aquilo em que sempre acreditei: dados não afastam o profissional do paciente. Aproximam.

🗣️Por isso, continuarei solicitando informações antes, durante e após o tratamento. E, quando necessário, pedirei ainda mais.
Porque opiniões podem confortar. Mas são os dados que permitem oferecer um tratamento de precisão.

Que situação! 🧐

🧠Qual foi o meu maior aprendizado ao me expor nas redes sociais?▪️Durante muito tempo, eu acreditava que as pessoas não ...
28/07/2026

🧠Qual foi o meu maior aprendizado ao me expor nas redes sociais?

▪️Durante muito tempo, eu acreditava que as pessoas não tinham interesse por conteúdos científicos. Estava enganado.

▪️O que descobri é que a maioria das pessoas não rejeita o conhecimento. Ela rejeita a forma como ele, muitas vezes, é comunicado. As pessoas buscam distrações úteis: conteúdos que entretêm, despertam curiosidade e, ao mesmo tempo, geram aprendizados capazes de impactar a vida real.

▪️Percebi que o problema não era a ciência. O problema era a comunicação.

▪️Foi então que entendi que comunicar também é uma habilidade clínica. E, como qualquer outra habilidade, ela pode ser treinada.

▪️Aprendi que uma boa comunicação é capaz de criar pontes onde antes existiam barreiras. Ela aproxima pessoas, desconstrói fronteiras, torna assuntos complexos acessíveis e permite que mais indivíduos tenham contato com informações de qualidade.

▪️Esse aprendizado mudou a forma como compartilho aquilo que mais gosto de estudar: a avaliação e o tratamento das dores crônicas. Hoje, o meu objetivo não é apenas produzir conhecimento, mas transformá-lo em algo compreensível, útil e aplicável para profissionais da saúde e para pacientes.

▪️Se existe uma sugestão que eu poderia deixar para quem deseja divulgar conhecimento, ela seria simples: adapte-se ao meio sem abrir mão da qualidade da informação.

▪️Afinal, existe um enorme público interessado em conteúdos que sejam úteis, verdadeiros e integralmente fundamentados nas melhores evidências científicas disponíveis.

🗣️A ciência não precisa ser simplificada a ponto de perder sua essência. Ela precisa ser comunicada de uma forma que as pessoas consigam compreender. Faz sentido?

🎯🧠Imagética Motora Gradual (GMI) é uma intervenção baseada em imagética motora, desenvolvida para o tratamento de dores ...
28/07/2026

🎯🧠Imagética Motora Gradual (GMI) é uma intervenção baseada em imagética motora, desenvolvida para o tratamento de dores crônicas, que utiliza uma progressão estruturada de tarefas para ativar gradualmente o sistema motor sem desencadear respostas protetoras relacionadas à dor. Seu racional é promover a reorganização cortical, restaurar o processamento sensório-motor e reduzir o desacoplamento entre movimento e dor.

▪️O protocolo clássico é composto por 3 fases sequenciais:

1️⃣julgamento direita/esquerda, no qual o paciente identifica rapidamente imagens do segmento corporal acometido;
2️⃣imagética motora, em que o movimento é imaginado conscientemente, sem execução física; e
3️⃣terapia do espelho, utilizando a ilusão visual do membro não acometido para simular movimentos indolores do membro afetado.

📝A revisão demonstrou que a manutenção dessa sequência é uma característica consistente dos ensaios clínicos que utilizaram a GMI completa.

🗓️Nos estudos incluídos, a prescrição ocorreu predominantemente ao longo de 6 semanas, geralmente com 2 semanas para cada fase, associada à prática domiciliar frequente. A individualização foi realizada selecionando imagens específicas para o segmento corporal acometido e, em alguns protocolos, a progressão ocorreu conforme a resposta clínica e o potencial de provocar dor; e

👨🏻‍⚕️A revisão identificou estudos envolvendo pacientes com Síndrome da Dor Regional Complexa (SDRC), dor em membro fantasma, dor musculoesquelética crônica, capsulite adesiva, fibromialgia, osteoartrite, dor neuropática após lesão medular, síndrome do túnel do carpo, dor persistente após cirurgias, dor após amputações e dor no ombro pós-mastectomia, entre outras condições dolorosas crônicas.

👉🏻O estudo teve como objetivo descrever como a GMI foi prescrita nos ensaios clínicos, e não avaliar sua eficácia clínica.

🗣️Você emprega esse conhecimento na prática clínica?

📚Referência bibliográfica nos comentários.

Endereço

Rua Caetano Silveira De Matos, 2519-B
Palhoça, SC
88130005

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