09/08/2026
Quando pensamos em luto, quase sempre pensamos na ausência de alguém que partiu. Mas existe um luto que costuma ser muito silencioso e, por isso, muitas vezes nem é reconhecido.
É o luto pela relação que poderia ter existido, mas não existiu.
Pelo abraço que fez falta. Pela presença que era esperada. Pelas palavras que nunca foram ditas. Pelo cuidado que, em algum momento, você desejou receber e não recebeu.
Datas como o Dia dos Pais podem tocar justamente esse lugar. Não porque elas criam a dor, mas porque iluminam uma ausência que, em muitos momentos da vida, a gente aprende a deixar guardada.
E quando essa ausência aparece, é comum surgir culpa por não conseguir viver a data com alegria, ou até a sensação de que deveria sentir diferente. Mas os nossos sentimentos não seguem o calendário.
Cada história é única. Existem pais presentes, pais ausentes, relações que foram fonte de amor e outras que deixaram marcas profundas. Todas essas experiências merecem ser olhadas com respeito, sem comparações e sem julgamentos.
Se hoje essa data desperta tristeza, saudade, raiva, confusão ou qualquer outro sentimento difícil, talvez você não precise lutar contra isso. Talvez só precise se permitir reconhecer que essa dor existe.
Porque algumas feridas não pedem que você seja forte o tempo todo. Elas pedem apenas que sejam acolhidas.
E, às vezes, esse acolhimento é o primeiro passo para que a sua história deixe de ser um lugar de culpa e passe a ser um lugar de compreensão e cuidado.